segunda-feira, 4 de maio de 2026

FEMINICÍDIO E PSICANÁLISE: Quando a violência revela o fracasso em lidar com a alteridade.

 


O feminicídio, entendido como a forma mais extrema da violência de gênero, pode ser analisado à luz da psicanálise como manifestação de estruturas psíquicas e sociais que sustentam a objetificação e o apagamento simbólico da mulher. Embora o fenômeno tenha raízes históricas, jurídicas e sociológicas, a psicanálise contribui para esclarecer seus aspectos subjetivos, especialmente no que diz respeito ao modo como alguns homens lidam com a alteridade feminina e com a perda de controle sobre o outro.


Freud (1913) apontou, em diversos textos, que a sexualidade humana é marcada por conflitos, ambivalências e defesas. Em “Totem e Tabu”, ele indica que a violência pode emergir quando o sujeito se sente ameaçado em suas posições narcísicas. Quando a mulher deixa de ocupar o lugar idealizado ou submisso atribuído pelo imaginário masculino, certos homens podem vivenciar essa mudança como ferida narcísica intolerável, respondendo com agressão extrema. Não se trata de justificar o ato, mas de compreender como determinadas estruturas psíquicas, aliadas a fatores socioculturais, podem precipitar comportamentos violentos.


Lacan (1971) aprofunda essa discussão ao afirmar que “não há relação sexual” — isto é, não existe complementaridade plena entre os sexos; há sempre um desencontro. Cada sujeito, seja homem ou mulher, se relaciona com o outro a partir de sua própria falta e castração, o que impede a fusão completa ou o encontro "perfeito" que completaria a ambos. A dificuldade de alguns sujeitos em suportar esse desencontro pode resultar em tentativas de dominar, controlar ou eliminar a alteridade.

O feminicida, nesse sentido, não mata apenas uma mulher concreta: tenta eliminar aquilo que nele próprio se apresenta como falta, limite ou impossibilidade. A mulher é reduzida a objeto, e a violência torna-se uma forma trágica de recusa da diferença e de sua incapacidade de lidar com o abandono.

Reconhecer a mulher como sujeito pleno — e não como objeto ou propriedade, é condição fundamental para enfrentar o feminicídio.

 

Paulo Veras é doutorando em educação; mestre em educação, linguagem e tecnologia; psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A REJEIÇÃO DÓI. E NÃO É SÓ PELO "NÃO" DO OUTRO.



A rejeição dói. E não é só pelo “não” do outro. Muitas vezes, o sofrimento profundo que sentimos diante da rejeição não está ligado apenas à atitude alheia, mas a algo muito mais íntimo: a forma como lidamos com nossas próprias inseguranças.

É preciso entender que, muitas vezes, o medo da rejeição não é o medo do outro. Muitas vezes, é o medo de si mesmo. O que acontecerá comigo, se mais uma vez eu for deixado? Por que ninguém fica comigo?

Geralmente, tememos mais que o outro confirme o medo que já temos – e isso valide a nossa fragilidade – do que necessariamente o medo de ser rejeitado por alguém. A grande ferida não está na ausência do outro, mas na confirmação interna de que talvez aquilo que mais tememos sobre nós seja verdade: não somos bons o suficiente, não somos dignos de ser amados, não somos merecedores de permanência.

Quando alguém nos rejeita, é como se essa ação ativasse um espelho que escancara nossas inseguranças. O que dói não é o outro ir embora, mas o que isso diz sobre nós, dentro de nós. Por isso, enfrentar o medo da rejeição é um processo de auto acolhimento. É olhar com gentileza para si mesmo e dizer: “Você merece estar aqui. Mesmo que te digam o contrário, você tem valor.”

Portanto, não é sobre impedir que os outros partam. É sobre não permitir que a partida deles leve também a sua autoestima, a sua história, a sua essência. O medo da rejeição começa a diminuir quando entendemos que a presença ou ausência do outro não define quem somos. Que ninguém tem o poder de dizer o nosso valor — só nós.

O convite, deve ser então, olhar para si mesmo, com mais amor do que com mais medo.

 

Paulo Veras é doutorando em educação; mestre em educação; psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


quarta-feira, 25 de junho de 2025

A ANGUSTIA É O ÚNICO AFETO QUE NUNCA ENGANA

 


Sim, para Lacan (1962) a angústia é um afeto, embora para ele esteja no campo de uma perturbação e não de um sentimento, pois é o sinal da divisão do sujeito entre o desejo e o seu gozo. Afeto, este, de suma importância, pois existe para nortear o sujeito e por isso mesmo, ela nunca engana.

Já para Freud (1926), a angústia é sinal da relação do sujeito com certo objeto, está no campo do real e atravessa o sujeito em sua realidade. Ou seja, é do real que a angústia traz o recado.

A angústia em suas mais variadas manifestações, está presente em todos os humanos e aparece como uma experiência universal, cheia de sentidos e significados que vão desde um simples desconforto até algo visceral que foge ao campo da explicação lógica. Assim, a angústia é uma experiência singular que escapa a simples associações e a questões concretas.

No campo da psicanálise, ela pode atuar em duas frentes: em primeiro plano pode ser entendida como a manifestações de conflitos reprimidos que voltam à consciência do sujeito, em formas confusas e não elaboradas. Em segundo plano, ela pode assumir uma função protetora, e age como uma sentinela, alertando o ego diante de ameaças, interna ou externas. Sendo assim, ela tem o poder de paralisar o sujeito ou de levá-lo a enfrentar a realidade.

Embora seja uma experiência dolorosa para o sujeito, é através dela que se relava a vitalidade psíquica do sujeito, mostrando a sua capacidade de transformar-se. É a partir dela que se pode ter uma compreensão mais aprofundada de si mesmo, explorando traumas passados, conflitos não resolvidos e desamparas que ainda buscam por amparo. Portanto, é necessário se ter uma dose de angústia para sobreviver.

Paulo Veras é doutorando em educação; mestre em educação; psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

quarta-feira, 5 de março de 2025

ONDE SE TEM A INTENÇÃO DE AMAR, PRECISA-SE TER A CORAGEM PARA PERDER

 


Parece um contraditório, uma vez que se parece buscar no outro, a alma gêmea, aquilo que nos falta, ou ainda, aquilo que vai nos completar. Se é educado para buscar no outro o que falta em nós.

Para amar, é necessário confessar a falta, o vazio e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não são vistos com bons olhos pelos demais. Não saber amar, é enxergado com olhares dolorosos.

Porém, o Psicanalista Francês Jacques Lacan (1901-1981), dizia que “amar, é dar o que não se tem”, ou seja, amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro, por isso o sofrimento associado ao ato de amar.

Logo, quando amamos, esperamos do outro a realização da fantasia que projetamos nele. Por isso, se imagina que o amor permite imaginar que o outro será amável, agradável, enquanto esse outro, é, de fato, difícil de suportar, de conviver e cheio de falhas.

Já o Filósofo Contemporâneo, nascido na Eslovênia, Slavoj Žižek (1949), nos alerta que é impossível amar uma pessoa perfeita. Para que o amor aconteça, é preciso que haja algum elemento perturbador neste ideal de perfeição, neste ideal de relação. Segundo ele, quando se percebe esse elemento, o sujeito, de forma consciente, pode dizer, que apesar disso, ainda ama.

Ele ainda diz, que o amor é muito mais do que um sentimento romântico ou uma troca de afeto e carinho. Ele enxerga o amor como um campo de batalha, um cabo de guerra, onde nossas necessidades individuais e desejos pessoais se confrontam com as expectativas do outro, da sociedade e das diversas pressões culturais.

Ainda segundo ele, não amamos e nem queremos a pessoa que é perfeita. Queremos a pessoa que nos faz sentir perfeitos, desconstruindo assim a noção do amor como idealização do outro, mas sobretudo, o amor como idealização voltada somente para construção da minha identidade.

Portanto, não se iluda, o amor não é somente uma questão de emoções, mas também de poder, ideologia, controle e sofrimento.

Paulo Veras é doutorando em educação; mestre em educação; psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

domingo, 29 de outubro de 2023

10 VERDADES SOBRE A VIDA QUE NÃO PODEMOS ESQUECER

 

1 – Todas as pessoas que você ama vão morrer, inclusive os seus pais. Por isso valorize-os e aproveite o momento que estiver com eles.

2 – Nós vamos envelhecer e não há nada que você possa fazer com isso. Portanto, seja generoso consigo mesmo e entenda que, envelhecer é um privilégio.

3 – Valorize as pequenas coisas e as coisas simples da vida. Viver é um privilégio e a vida é feita também com simplicidade.

4 – O tempo não volta. Portanto, evite sofrer com aquilo que passou, mas não deixe de pensar sobre o futuro: ele será passado amanhã.

5 – Amizades e relacionamentos acabam e não há nada de errado com isso. Existem situações que dão certo por um tempo menor e outras por um tempo maior. Todas possuem o seu significado.

6 – Não somos definidos por aquilo que temos. Nós somos definidos pelo que somos e isso precisa ser cultivado todos os dias.

7 – Você vai se frustrar. As pessoas vão te decepcionar e assim segue a vida. É preciso preparar-se para isso e continuar seguindo.

8 – Muita gente não vai gostar da gente. Quando temos a necessidade de ser querido e agradar a todos, geralmente não agradamos ninguém, ou, muitas vezes acabamos ferindo a nossa relação com quem realmente importa.

9 – Nem tudo aquilo que sonharmos ter, iremos ter e isso faz bem para não esquecermos dos nossos limites e das nossas possibilidades.

10 – Nós vamos morrer e não sabemos o dia. Embora pensemos pouco sobre esse assunto, é preciso preparáramos para ele.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

sábado, 26 de agosto de 2023

A AUTO SABOTAGEM E A NOSSA IMPERFEIÇÃO

É importante que percebamos o que estamos fazendo com os nossos dias, para conseguirmos aproveitar os poucos dias que nos restam. Há buscas que não nos levam a lugar nenhum e essa corrida desenfreada nos envelhece e nos aumenta o sofrimento.

É bom aprendermos cedo que filhos crescem e saem de casa; que nossos pais envelhecem e vão embora cedo demais; que emprego a gente troca, arruma outro e pode continuar insatisfeito; que a graduação a gente termina e mesmo assim continua estudando.

Precisamos entender que é bobagem ficar provando o tempo todo que é especial para ser aceito; que não fazer parte de um grupo é muitas vezes o melhor remédio para nossa saúde mental e que nossa individualidade deve mesmo ser levada a sério, para não ser explicada, explicitada e até molestada. Entender que nem sempre é necessário provar para o mundo que emagrecemos, que estamos felizes no relacionamento e que fechamos um excelente negócio.

Temos que buscar compreender que a melhor comparação a ser feita é com a gente mesmo e que o padrão com o qual nos comparamos no outro é muitas vezes insatisfação para ele também. É bom lembrar de vez em quando que não vamos e nem precisamos conseguir tudo; que não somos bons em tudo e que temos limites e precisamos respeitá-los.

Vale a pena estar ciente de que não somos de ferro; que sentimentos ruins e experiências desagradáveis vão acontecer e que eles fazem parte da experiência de se construir ser humano. Compreender e não ter vergonha de mudar quando necessário até porque mostramos que somos inteligentes quando temos a capacidade de mudar.

Precisamos aceitar, que a auto sabotagem, muitas vezes, é a necessidade de que algo não aconteça para não perdermos, para não errarmos e para que nossa imperfeição não apareça. Se respeitar não sendo intolerante consigo mesmo começa por não permitir que o outro seja intolerante conosco.

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

quinta-feira, 20 de julho de 2023

PERFECCIONISMO: A ENFERMIDADE DA PERFEIÇÃO

Não esqueça: é preciso tentar ser leve o tempo todo, embora isso não seja uma atividade fácil. O perfeccionismo pode ser considerado um traço da nossa personalidade que busca desenfreadamente a excelência em tudo o que vai ser feito. Segundo a OMS, o perfeccionismo é identificado com um transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, portanto, não é uma doença, mas é um problema.

No entanto, este comportamento praticado de forma exacerbada pode ser sintomas de uma vida pesada e com isso simbolizar um peso e assim, desencadear questões de ordem mental como insônia, fobias, depressão e principalmente a ansiedade.

Embora querer fazer tudo da melhor maneira possível e com a menor margem de erros pareça positivo, a médio prazo isso pode levar a comportamentos implacáveis e intolerantes consigo mesmo e com os outros. A busca pelo desempenho e resultados cada vez melhores vão se tornando insuportáveis e impraticáveis. Fazer bem feito deve sim ser um hábito do ser humano, porém, nesse sentido, o equilíbrio é o caminho para conciliar esse comportamento fazendo ele trabalhar ao seu favor.

O equilíbrio é necessário, pois ao tentar fazer com que tudo seja feito de forma perfeita, o sujeito tenta assim esconder a sua fragilidade, a sua humanidade, para evitar julgamentos, críticas, desaprovação e rejeição. Ao oposto disso, ele cria regras rígidas para si e para os outros e, com isso, corre o risco de ultrapassar o limite daquilo que é saudável e normal.

A busca pela perfeição faz com que o sujeito sinta-se incapaz, fraco, inseguro e frustrado, em especial quando não alcança aquilo que ele impôs a sim mesmo. É sempre duro demais consigo a ponto de não celebrar suas realizações, mesmo aquelas que não são perfeitas e/ou completas. Quase nunca que faz é suficiente.

Importante lembrar que somos humanos e tudo bem cometer erros e não ser perfeito. Viver é um processo e são nas falhas que evoluímos e crescemos.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

 


quarta-feira, 7 de junho de 2023

NÃO ADIANTA FUGIR

 


É bem comum falarmos que estamos fugindo de algo que sabemos que precisamos fazer, de algo que nos incomoda, sobre algo que precisamos aceitar ou em toma uma decisão. Mas porque fazemos isso?

Uma das razões, é que ao percebermos que estas situações nos causam mal estar, colocamos o que foi percebido no inconsciente, como forma de proteção e de fugir dessa dor. É importante lembrar que nem sempre essas ameaças estão no mundo exterior, mas sim dentro de nós mesmos, construído nos mais variados sentimentos e emoções.

Na medida em que tais situações fogem ao nosso controle e elas acabam sendo feitas, a reação mais comum é não querer falar sobre elas ou até mesmo racionalizar dizendo, por exemplo, se auto afirmando como ser humano e questionando quem nunca fez aquilo ou que se comportou daquela maneira.

Portanto, esta é uma das maneiras mais evidentes de se tornar prisioneiro daquela atitude ou comportamento que não se deseja ter.

E como melhorar isso? A liberdade pode consistir exatamente em ter consciência destes comportamentos. A realidade, embora não seja a mais agradável, é preciso entendermos que é com ela que trabalhamos e mesmo que momentaneamente é ela que temos. Se possível for, ela pode ser modificada, mas nunca será fugindo dela.

Reconhecer que se está preso pode ser um passo fundamental para a busca da liberdade.


Paulo Veras
 é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


segunda-feira, 1 de maio de 2023

O SEGREDO É CONTINUAR A SER CRIANÇA, SEM CONTUDO, SER INFANTIL


Não é uma tarefa tão simples e é comum que no dia a dia usemos os dois conceitos como se fossem sinônimos. No entanto, são termos que se diferem. Manter viva a sua criança interior, nada tem a ver com externalizar o infantilismo que muitos usam para seguir com suas vidas.

Ser criança diz respeito ao indivíduo, ao ser nos momentos iniciais da vida, a um ser humano de pouca idade. O que se vive nesta fase, são determinantes psíquicos e podem nos acompanhar até a vida adulta e lá permanecem, não como traço de imaturidade, mas compondo a vida psíquica de cada um de nós.

No que se refere a infância, existem sérias mudanças de um contexto para o outro, varia de cultura para cultura e não existe uma cronografia universal da infância, pois é categoria histórica. Vale ressaltar que o modo de se pensar a criança foi totalmente mudado a partir da invenção da infância.

Portanto, a transição da infância para a fase adulta é um verdadeiro desafio para muitos. Isso porque embora adultos, continuam a agir com infantilidade como se crianças fossem. E continuar a ser criança pode, o que não é concebível é continuar com comportamentos infantis, porque a infância tem data pra começar e terminar. Ter atitude para não agir de forma infantil, assumir responsabilidades e lidar com a próprias emoções fazem parte dessas mudanças.

Ser imaturo, recusar-se a assumir seus erros e procurar resolvê-los, ser incapaz de lidar com pressão e responsabilidades, além de não conseguir se posicionar de forma madura quanto às exigências sociais, vitimizando-se sempre, denunciam um adulto ainda infantilizado está agindo mais como criança do que como adulto.

A inacessibilidade emocional, a teimosia repetitiva, a reatividade seguida do mimo e a falta do diálogo, também representam a infantilidade na prática. Adulto não resolve a vida comportando-se a tudo somente com muita raiva; com muito medo, com muita birra ou se isolando sem pensar no outro. Adulto dialoga porque cresceu.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


segunda-feira, 3 de abril de 2023

HÁ SEMPRE CRIANÇAS FERIDAS ESCONDIDAS EM ADULTOS DIFÍCEIS

 


A visão e a maneira como passamos a ver a criança, o infantil, bem como as suas representações, passaram a ser reveladas por Freud (1907/1976), quando disse que a criança sente tristeza, solidão, raiva, desejos destrutivos, vive conflitos e contradições, é portadora de sexualidade, escapa ao controle da educação e “[...] é capaz da maior parte das manifestações psíquicas do amor, por exemplo, a ternura, a dedicação e o ciúme.”

Foi a partir de então, que a psicanálise, traz um novo olhar sobre o ser humano, não como indivíduo (somente), mas também como marca de um passado, formado e significado pela sua infância. Sendo assim, a infância não se trata somente de uma fase na nossa formação, mas nos ajusta e nos marca pelo inconsciente, que é inquietante, impreciso e em construção.

Portanto, o que acontece na infância, não fica lá. Algumas marcas permanecem por longos anos e podem atrapalhar muito a idade adulta. Já pensou, por exemplo, quanta dor temos guardada, quando decidimos machucar alguém? Ou, já pensou, o gasto emocional que fazemos para não enfrentar e dar nomes a certas emoções reprimidas, que acabam saindo em forma agressão e escolhas mal sucedidas? Tem pensando, que os maus tratos que subjugamos a nós mesmos e aos outros, refletem muito à maneira como fomos castigados como forma de educação?

O medo de ser abandonado que vivenciamos na infância, o medo de ser rejeitado, a humilhação a que fomos submetidos, a falta de confiança, a ansiedade da separação, o medo da traição e a injustiça, por exemplo, escondem questões mais profundas, sempre associadas à nossa necessidade constante de acolhimento, aceitação, pertencimento e importância.

Sobre os fatos do passado não há anulação, mas é importante saber que podem ser ressignificados. Precisam ser elaborados para não ser repetidos. Não podemos mudar o que passou, mas podemos modificar o que está por vir. Quem manda no adulto é a criança e é sempre bom que a criança seja bem educada e que não aja pelo impulso.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

domingo, 12 de março de 2023

O ADULTO INSEGURO PODE TER SIDO A CRIANÇA BOAZINHA

 


Em conversas e palestras com os pais, o que mais ouço e vejo neles é o discurso de que o filho dá muito trabalho. Em outras palavras eles estão dizendo: meu filho não pode me contrariar e a dificuldade que eles tem em aceitar que a criança seja criança. Não se educa pensando apenas na fase da infância, mas educa-se pensando no adulto que eu quero que essa criança seja.

Talvez por isso, que a educação feita por estes pais, seja mais voltada para punir e obedecer, do que para autonomia e independência dos filhos. Assim, os filhos vão se educando para agradar os pais e não para serem adultos.

Os pais precisam entender, que existem comportamentos que embora não os agrade e deem trabalho, faz parte da infância da criança e é necessário que isso aconteça para formar o adulto que ela vai ser.

A necessidade que temos de agradar é originada da demanda de pertencimento, ou seja, ao punir a criança por fazer aquilo que não agrada aos pais, eles a educam com a ideia de que, para ser aceita, ela não pode jamais se posicionar, fazer birra, dar trabalho e acima de tudo, precisa ser uma criança boazinha e isso não sendo bem alinhado, prejudica em muito o futuro da criança.

Sim, educar dá trabalho e é por isso que exige dos educadores uma postura que vá além de fazer a criança cumprir os seus caprichos. Veja por exemplo, o adulto que tem o desejo de agradar os outros a todo custo e que não vem da vontade de ver os outros felizes, mas da sua insegurança e falta de autoestima.

São adultos que em sua infância aprenderam que o amor está ligado à obediência, a não dar trabalho, a agradar e serem sempre subordinados. Geralmente são adultos que sofrem em dizer não, com dependência emocional, baixa autoestima, lutam sempre para serem generosas, aceitas, queridas e compreensivas com todos, pois aprenderam que assim serão amadas e nunca serão rejeitadas.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

SE SENTIR SOZINHO É DIFERENTE DE ESTAR SOZINHO

 


Não é novidade que a solidão é uma das epidemias mais graves deste século. Não é, portanto, um sentimento simples, fácil de ser explicado, mas trata-se de um misto de sensações como a dor, angústia, tristeza e medo, que foi mudando ao longo do tempo, com dimensões culturais, sociais e políticas. Aliadas a ela estão ainda o stress, a obesidade, o uso excessivo de drogas, entre outras variáveis.

É notório que cada vez mais as pessoas estão vivendo sozinhas e tudo indica que esse número deve aumentar nos próximos anos. Também não é novidade que as famílias estão cada vez menores, em casas menores, com menos filhos e em atividades que cada vez mais valorizam a sua individualidade e a sua solidão.

Embora a solidão não seja necessariamente má, deve-se ficar claro que ela é também fundamental para a constituição do ser humano. Durante as nossas vidas, a solidão faz parte do processo de crescimento e como tal, é inevitável.

Porém, é importante afirmar – e não confundir - a solidão como um processo de escolha, uma prática do individualismo ou com uma necessidade de não se socializar momentaneamente com qualquer outra pessoa. Estar só nesse caso, é estar fisicamente sozinho. Este estar solitário não expressa o sentimento de solidão e trata-se de um isolamento social por escolha, como um processo de fuga ou de experimento para se auto conhecer e crescer.

Mas é preciso atentar-se à solidão como um estado, onde a pessoa tem a necessidade (vontade) de estar com outras pessoas, mas é incapaz de fazê-lo. Pode ser que as condições sociais, financeiras e cognitivas permitam esse contato, mas a insegurança e outros fatores psicológicos contribuem para a solidão.

A isso, estão aliados os sentimentos de imprestabilidade, estranheza, desprezo, rejeição, desânimo e muito pouco contato visual, ou seja, o isolar-se não é escolha, é incapacidade. De igual modo, pense que estar sozinho pode ser positivo, mas sentir-se sozinho pode ser fator de risco e precisa ser visto com atenção.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

NÃO EDUQUE FILHOS INTOLERANTES E INSEGUROS

 


Senhores educadores (incluindo os pais), saibam todos que é muito cruel para uma criança se ver na impossibilidade de cometer erros. Reconhecer os erros e enxergar neles as possibilidades de equilíbrio, começa com os pais e com seus educadores.

Os erros que são cometidos e que são corrigidos de maneira cruel (tapa na cara, cala a boca, castigo, torturas) vão educando a criança para não tolerar a sua própria frustração, mas também, para não ser tolerante com os erros dos que com ela convive. Pense ainda, que essa criança vai se desenvolvendo com um medo terrível de assumir os seus erros, mesmo que sejam os mais simples.

Encher uma criança de elogios apenas quando acerta, pode ser que faça mais mal do que bem a ela. Entenda que elogiar somente as habilidades, os talentos, o que ela ganha e acerta e a inteligência da criança, é diminuir e fragilizar a sua autoconfiança. Os pais/educadores devem se concentrar em elogiar também o seu esforço.

Quando se foca somente na inteligência ou somente no fracasso, estão educados crianças medrosas e com baixíssima disposição para escolher tarefas desafiadoras e correr o risco de perder, ou seja, tem medo de se frustrar ou de frustrar o sonho dos seus pais.

Entenda que não ser o Super-herói todos os dias, não te faz um pai/mãe/educador menos importante ou menos especial para eles. Seja uma referência, não um infalível. Por isso, é importante que você lide bem com seus próprios fracassos, com suas escolhas mal feitas, com seus contratempos, com suas impossibilidades e suas angustias.

Mostre a eles que os adultos também cometem erros, mas sobretudo, se responsabilizam por eles, fazem suas reparações e seguem. Assim, eles vão se educando para lidar com os seus erros nas suas relações que irão construir pela vida.

Aprenda a deixar de tratar os seus erros e os dos seus filhos como algo cruel e irreparável. Se liberte disso. Nem sempre você está certo!

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

É PRECISO SUPORTAR O DESAMPARO

 


Embora seja difícil o desamparo é uma experiência fundamental e faz parte da condição humana e é, em torno dela, que se constitui a posição de sujeito no mundo. O desemparo com as suas diferentes vulnerabilidades impostas é que faz o desafio de se trabalhar com a falta, e assim, o vazio se faz necessário.

É fácil entender que não fomos educados para trabalhar com a falta. Fomos ensinados, que para nos sentirmos bem, precisamos ter o chão da segurança sob nossos pés e este é um dos motivos que nos fazer ter pavor do desamparo.

Basicamente, em outras palavras, só mudamos quando a realidade em que estamos é de fato insuportável. Ainda assim, para que não possamos sair dela, entramos facilmente em um processo de neurose, ficando em um ciclo de repetir os mesmos fatos, ter prazer nos mesmos erros e ainda reviver as mesmas situações dolorosas e traumáticas. Para isso, haja mecanismo de defesa para não admitir toda essa problemática, sempre buscando contornos prazerosos nisso tudo.

É natural, portanto, que sempre estejamos buscando prever esta condição de desamparo: cercamos de um lado; buscamos colocar anteparos de outro; negamos um pouco ali; fingimos outro tanto ali e assim vamos levando a vida. Todos estão diretamente implicados, embora todos estejam também negando essa implicação, tentando se isentar cada um de suas responsabilidades por suas escolhas e suas consequências. No fundo, todos querem a garantia da previsibilidade para evitar o desemparo.

É preciso não ter medo do vazio, do desemparo, da solidão. É preciso se permitir desfrutar os benefícios que estar sozinho pode trazer. Mas é preciso também, depois de adquirir tal liberdade, suportar-lhe o peso.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

terça-feira, 1 de novembro de 2022

AO IDEALIZAR ALGUÉM, NÃO ESTAMOS FAZENDO NADA ALÉM DE CONDENÁ-LO A NOS DECEPCIONAR.

 


Esta é uma das formas mais comuns que muitas histórias terminam, antes mesmo de terem a chance de começar. Para ter a possibilidade de amar, é preciso primeiro resolver algumas questões próprias, justamente para não transferi-las para o outro, a quem temos a intenção de seduzir.


Porém mora ai o problema, pois quando idealizamos o outro – mesmo não sabendo disso – estamos eliminando-o. Ao idealizar alguém, nós o anulamos como pessoa, com a sua individualidade, com a sua subjetividade, e, automaticamente, ele se torna nada mais que um produto de nossa própria fantasia.


Assim, projetamos nossas próprias ideias, imagens e exigências e com isso, temos a certeza que essa pessoa, de fato, vai cumpri-las. Não queremos alguém como de fato ela é, mas sim, queremos alguém que imaginamos. Assim, as distorções em qualquer relação começam com a idealização.


Ainda há o risco, de que, para ser aceito dentro da fantasia do outro, vamos nos encaixando ali e revirando aqui. Para se caber dentro da fantasia que o outro criou, vamos cedendo às cobranças para uma perfeição, de quem um dia criou uma distorção. Por isso é preciso cuidado – com as idealizações que fazemos e com aquelas que aceitamos.


Pense nisso: a idealização nos faz ver somente o que é bom no outro, alimentando assim a nossa própria fantasia. E com essa “falsa” visão, vamos construindo uma pessoa maravilhosa em nosso imaginário, sempre colocando-o em um lugar especial. O perigo, é que para tirá-lo lá depois, o trabalho será muito maior, quando a fantasia acabar.

 

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

FALAR EVITA CONFLITOS

 


Embora pensemos que se aprende a falar na infância, levamos uma vida inteira aprendendo a falar. É um exercício contínuo que por mais que exercitamos nunca estamos aptos a fazê-lo em sua totalidade.

Falar vai muito além de emitir sons, nomear pessoas e objetos, decifrar símbolos e estabelecer algum tipo de comunicação. Falar é algo mais profundo. Falar requer a compreensão de pausas, de momentos, de situações e de oportunidades.

Aprender a falar é conseguir em partes dar nome aos seus sentimentos e com isso, tentar conviver melhor com eles. É pela falta do auto conhecimento sobre o falar que vezes por outras somos atravessados por aquilo que falamos.

É pela falta de preparação sobre como falamos que criamos situações de embaraço emocional, assim como, por imaginarmos que podemos falar a nossa verdade a todo custo, que alguns estão pagando um preço doloroso.

Nunca se fez tanto barulho como se faz agora. Nunca tivemos tanta informação como estamos vendo. Nunca se falaram tanto, como atualmente. No entanto, nunca se ouviu menos, como agora. Estamos cada vez menos prestando atenção nas pessoas e com isso desprendendo cada vez mais como.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

TODA GRANDEZA É PASSAGEIRA

 


É sempre bom não esquecer que a grandeza é uma experiência do tempo, portanto, transitória. Ela nunca é constante e nem dura para sempre. Somos momentos. Ela, a ideia da grandeza, é em grande parte criada pela imaginação daquele, que por algum motivo se sente superior aos outros, seja pelo seu cargo, cor de sua pela, pelo corpo, pela conta bancária, pelo currículo e até pela posição na fila em que se encontra.


O bom seria se pessoas que em alguém momento se sintam grandes, enxergassem a mentira na qual estão inseridas. Esse seria o caminho ideal para perceberem o quanto isso é efêmero e fruto da projeção criada em resposta à fraqueza e insegurança que elas mesmas possuem. Sim, àqueles que se dizem grandes e superiores, sofrem com a sua inferioridade e aceitação.


O perigo ao manejar essa síndrome do pequeno poder é que a vida real, vai desaparecendo para a predominância de outra forma de relação. Há alterações na forma de ver a vida e obviamente, há a mudança dos sentimentos e daqueles com quem se relaciona. Existe uma condição humana que é igual para todos que vai sendo esquecida e sobreposta pelo poder, ainda que passageiro. A falsa grandeza, muitas vezes, faz com que a pessoa que humilha ou maltrata alguém, não tenha empatia com o sofrimento alheio e, por isso, ela não se dá conta do que está ocasionando ao outro.


Esquece-se das responsabilidades afetivas, confundindo em muitos casos honestidade com reciprocidade e respeito com pena ou dó. O falso poder vai fazendo com que o outro deixe de ser real e assim, não percebe que o que não significa nada para ele, pode significar muito para o outro.

Portanto é importante estabelecer vínculos com quem trata todos com generosidade e respeito, independente de posições ou do que elas podem oferecer. Manter contatos com pessoas que não se incomodam com status, com aquilo que possuem, que preservam o SER e não somente o TER.

Por fim, sua falsa grandeza não te torna melhor, maior e não te dá, na verdade, nenhum privilégio.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

NEM SEMPRE É INSEGURANÇA. MUITAS VEZES É TRAUMA


O conceito de trauma surge do grego τραύμα (trávma), que traduzido significa ferida. Nasce a partir de um acontecimento externo, mas que reverbera em nível interno, que é o nível do funcionamento psíquico do sujeito.

Sendo assim, a memória traumática, forma-se a partir da vivência do indivíduo em uma experiência, que para ele tenha sido dolorosa. Essa memória é caracterizada pela soma de emoções, imagens, sons e todos os demais sentimentos vivenciados por ele, de forma consciente ou não.

A insegurança por sua vez, é um estado emocional que geralmente surge após uma situação ameaçadora que tenha acontecido, a um trama. A possibilidade de algo acontecer novamente, desencadeia no sujeito os estados emocionais que levam ao seu sofrimento psíquico.

Claro que nem todo estado se insegurança está associado a um trama, mas grande parte deles, nascem de episódio que foi traumático. Portanto, é importante saber que muitas vezes o verdadeiro problema nos relacionamentos não está somente naquilo que se vê, que está claro. Muitas vezes é algo mais profundo e que nem sempre é evidente.

É importante não esquecer que quando as pessoas se relacionam, elas levam para dentro destas relações, seus hábitos e manias, suas cargas emocionais, suas expectativas e apostas, os seus comportamentos, e lógico, seus traumas e suas inseguranças.

Então, quem já foi traído, pode levar consigo a sensação de que está sempre sendo enganado, o que pode gerar a necessidade de sabotar a relação.

Quem já foi rejeitado, vive com a sensação de que o outro não gosta dela o suficiente e luta sempre para agradá-lo, afim de que o outro não vá embora.

Quem já foi abandonado, busca a atenção do outro a qualquer custo, pois imagina que o outro não se importa na medida certa com ele, sentindo-se desemparado.

Entenda portanto, que quando o outro não se entrega ou não entra pra valer na relação como você gostaria, nem sempre é insegurança. Pode ser trauma.
Indico terapia.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


FEMINICÍDIO E PSICANÁLISE: Quando a violência revela o fracasso em lidar com a alteridade.

  O feminicídio, entendido como a forma mais extrema da violência de gênero, pode ser analisado à luz da psicanálise como manifestação de es...