quarta-feira, 14 de agosto de 2019

NÃO MINTA PARA SEUS FILHOS




Senhores pais entendam que educar seus filhos em um ambiente rodeado de mentiras, pode ser extremamente nocivo para eles. Não podemos confundir a imaginação que é comum na formação da personalidade das crianças com a mentira.

 

É com a imaginação que as crianças usam histórias para brincar, para montar seus brinquedos e até para explicar aquilo que elas não sabem explicar. Portanto, imaginar e fantasiar faz parte do repertório da infância. Trata-se de um recurso que eles possuem e que deve ser usado para a estruturação das fases de suas vidas.

 

Por outro lado, a mentira requer um pouco mais de cuidado. Observo com frequência pais mentindo para seus filhos e creio que eles não sabem o quanto este comportamento está lhes ensinando, do mesmo modo que desconhecem o perigo que isso pode representar.

 

Penso que alguns pais consideram que, às vezes, alguns objetivos são mais importantes do que evitar mentir, como controlar o comportamento de seus filhos, ainda que seja sob o efeito de mentiras.

 

Pense primeiramente, que mentir para seus filhos é ensiná-los a mentir também e pense ainda, que nenhuma mentira é boa. Mesmo que ela seja simples, pequena e carregada de boas intenções, continua sendo mentira.  Devemos ensiná-los a lidar com as situações desconfortáveis de maneira honesta, para que assim, eles também aprendam a lidar com problemas mais graves.

 

O mentir, vai desde negar a esta criança o seu passado, os seus genitores, a forma de vida que seus pais levam entre outras atitudes, como prometer algo a criança e não cumprir. Qualquer promessa feita e não cumprida é uma mentira. O mentir é negar a realidade constantemente a esta criança, evitando assim que ela desenvolva, entre outros sentimentos, o remorso e a empatia.

 

Viver em uma ambiente cercado de mentiras, faz com a criança cresça confusa em relação à personalidade, bem como com a construção de suas relações interpessoais. Ser educado sob os efeitos da mentira, ensina a criança a não viver e experienciar seus sentimentos bem como a não acreditar e respeitar os sentimentos das pessoas que o cercam e isso é muito grave.  



Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


terça-feira, 16 de julho de 2019

SUPERE A SI MESMO




É comum as pessoas me falarem do mal estar que sentem quando são comparadas com outras pessoas ou quando elas mesmas se comparam com aqueles que a cercam. As comparações de um modo geral, são feitas pela projeção que fazemos das pessoas e não necessariamente da realidade em que elas vivem.

Portanto, a comparação que fazemos das outras pessoas, ou que fazem de nós é sempre uma inverdade, uma vez que só conhecemos parte da realidade do outro.

Além da perda do tempo e da energia psíquica que temos quando nos comparamos, precisamos entender que cada ser humano é único e, comparar-nos aos outros é uma tentativa de anular a nossa realidade em função da realidade do outro.

Esta tentativa faz com que aos poucos, algumas pessoas vão perdendo a sua identidade, chegando ao ponto de suas atitudes e suas decisões serem sempre ditadas pelo outro. É bobagem pensar que a realidade do outro é melhor do que a nossa. Pode até ser, mas não é a nossa. Sofrer por aquilo que não é seu é uma demonstração clara de falta de maturidade e de ingenuidade.

Aprenda uma verdade: superar a si mesmo é melhor do que comparar-se aos outros. Se houver necessidade de comparações, compare com você mesmo no passado. Faça sempre o exercício de ver a pessoa que você era e a pessoa que tem se tornado.

A partir desta conta, você saberá o que fazer com este resultado, saberá quais serão as melhores atitudes a ser tomadas e as consequências que elas trarão. Use a sua própria régua para medir a si mesmo.

Aprenda a valorizar suas pequenas mudanças e seus pequenos crescimentos. Saiba que um crescimento mínimo que seja em você é melhor que uma grande mudança no outro. 

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 4 de junho de 2019

TODOS NÓS CARREGAMOS UM LADO SUBTERRÂNEO




Será se sabemos que grande parte da nossa angústia vem ao perceber a nossa falta? Em 1925 Freud escreveu o texto Inibição, Sintoma e Angústia abordando este assunto tão discutido hoje. Nos tempos atuais, podemos modificar a ansiedade pela palavra angústia.

Devemos lembrar que angústia é um estado e estado este que nos toca e nos movimenta o tempo todo. Geralmente, é na angústia que imaginamos ver os outros alegres, resolvendo-se, curtindo a vida, relacionando bem com seu par e evoluindo.

Quando situações como estas parecem não acontecer conosco, é comum procurarmos o que fizemos de errado para não ter dado certo e o sentimento de angustia aflora. Há uma obrigação social de acerto e de estarmos sempre sorrindo como em uma grande festa.

Porém, o estado de angústia é fundamental e torna-se essencial para lidarmos com as nossas dores, nossas lacunas e com aquilo que pode nunca ser preenchido. É importante para termos a consciência, que a grande festa que imaginamos ter na casa do vizinho, não existe.

Todos carregamos um lado subterrâneo de nós mesmos e isso revela a fragilidade da nossa dor que é comum aos outros também. Revela que na vida real, todos carregam a mesma ansiedade, a mesma inquietação, a mesma carência, o mesmo medo e a mesma ansiedade. O que muda mesmo, são as fotos nas redes sociais.

Precisamos perceber que andamos todos muito insatisfeitos, um pouco céticos e quase sempre perdidos. Ainda estamos angustiados, porque nunca nos dispomos a aprender viver com a falta, com o não ter e sobretudo com a lacuna entre o que somos e o que gostaríamos de ser, ou seja, a dor entre o que se tem e o que falta.

Não aprendemos morrer, nem lidar com a morte, com as perdas, com as frustrações, com nossos vícios e com o que temos.

É urgente que não transfiramos ao outro a responsabilidade da nossa angústia e não será na casa do vizinho que encontraremos refúgio. A responsabilidade em ser é angustiante e o ponto de equilíbrio nem sempre é fácil.



Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

SÓ SE EDUCA COM AMOR




É interessante que comecemos refletindo, que patologizar nos filhos o que está mal resolvido nos pais, é a maneira mais simples de descarregar neles a ineficiência dos mesmos pais, no processo de educá-los.

A expressão pais tóxicos é uma denominação cada vez mais comum, usada pela psicologia, para classificar os pais que, sem capacidade de educar, agridem física e psicologicamente seus filhos, causando sequelas que irão ressoar pelo resto de suas vidas. Quando a crueldade está dentro de casa, torna-se mais difícil a intervenção de alguém que esteja fora deste círculo.

Deve-se lembrar que nenhum pai, nenhuma mãe é infalível e portanto não estão livres de cometer falhas, de perder a pouca paciência, de romper com a postura e até trair seus princípios e valores. Agir com perversidade na educação dos filhos, denuncia muito mais um prazer em agredir, do que vontade de educar. 

Promover a dor no outro, como forma de educar, revela uma disciplina em favor de uma vingança e mágoa do próprio pai, do que uma educação para o crescimento e equilíbrio do filho. Não se educa humilhando, muitos menos, humilhando aqueles que declaramos amar.

Agir com violência quando temos a intenção de educar é confirmar para a criança que ela não é merecedora de afeto e muito menos digna de amor e todos nós temos estes direitos. Comportamentos assim, ensinam aos filhos a repetir a mesma atitude dos seus pais, até porque podemos observar que estes já estão retornando e repetindo o que fizeram a eles. Não é absurdo dizer, que a casa dos pais é a escola dos filhos.


A postura de pais tóxicos na educação de seus filhos, podem construir adultos agressivos, violentos, com dificuldade de aprendizagem, medrosos, rebeldes, tímidos, covardes, com dificuldades de se relacionarem e com um forte sentimento de culpa, culpa essa que pode ser amenizada nas drogas e/ou bebidas.

Educação só acontece, se acontecer o amor.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

SOBRE A HORA DE IR E A HORA DE FICAR



Saber a hora de ir embora, de abandonar é um decisão tão difícil como saber a hora de ficar, de apostar mais um pouco. Essa dificuldade pode estar ligada ao fato de que acostumamos muito fácil, com aquilo que acreditamos ser nosso. Supostamente, temos a ilusão de que algumas coisas nos pertencem. Essa dificuldade de ir ou de ficar, faz com que queiramos sempre algumas certezas, algumas confirmações para validar a nossa decisão.
Embora seja muito claro para uns, ainda há outros que imaginam conseguir resolver as equações matemáticas do destino, por isso mesmo, precisamos acreditar nelas para que as nossas decisões sejam tomadas com menos dores e uma margem menor de erros. Na verdade, ter razão e ficar em paz é tudo o que queremos, mas essa conta não se fecha com facilidade. Tudo o que queremos é tomar a decisão correta e ter certeza depois que tudo fez sentido e que foi a melhor decisão tomada.
A experiência de vida de cada um, aquela construída com o tempo e com as vivências, vão nos mostrando quando o relacionamento já acabou, o emprego não serve mais, a amizade perdeu o sentido, o casamento já morreu tem um tempo e que o grande amor que se acreditava, não decolou. A gente vai aprendendo que ir embora dói, mas andar em um passo atropelado, dói bem mais e ficar é cruel.
Com o tempo, também aprendemos que a dor de ir embora é menor do que a dor de ficar para tentar se encaixar nos planos de alguém. Vamos descobrindo que dor mesmo, é se adaptar ao mundo do outro, quando o outro espera que você siga.
Partir requer coragem, até porque exige-se que consigamos construir o nosso próprio caminho, mas por outro lado, ficar sem a reciprocidade necessária, significa perder a oportunidade de ser o seu próprio porto, decidindo a hora de ir e a hora de ficar.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 31 de março de 2019

SOBRE O PERDÃO



Perdoar deve ser antes de tudo, uma decisão gratuita, não negociada ou fruto de permuta ou de constrangimentos de terceiros. Comumente, observamos que algumas pessoas atrelam a felicidade e a paz interior a decisão que tomam em perdoar o passado ou a si mesmo. 

De fato, tais decisões podem fazer muito bem. Observamos também, aqueles que incentivam que o outro perdoe, como se este processo fosse simples e trivial. Porém esta decisão não deve ser tomada no tempo do outro ou porque sofremos intimidações todos os dias. 

Perdoar é uma decisão, decisão esta que pode levar tempo, construção de valores, ressignificação do passado e sobretudo o momento exato para que isto seja feito. Podemos levar uma vida inteira para voltarmos ao passado e pedir desculpas a ele ou ainda há, aqueles que conseguem acessar sua dor de maneira mais rápida e mais fácil. 

Cada tem seu tempo e sua forma de perdoar e isso precisa ser respeitado. Não há receita pronta, não é amnésia e nem sepultamento do passado. Perdoar pode ser, ver o passado sem dor ou revivê-lo com outro sentimento. 

Pode ser o abandono de padrões sentimentais estabelecidos e de aprovações sociais e/ou religiosas. Pode ser ainda uma forma diferente da sua, diferente do seu tempo, da sua velocidade ou da sua intensidade. Contudo, perdoar será sempre uma disposição definida pela sua decisão.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

NINGUÉM DEVE TER A OBRIGAÇÃO DE NOS FAZER FELIZES




Na realidade, aquela mesma, que às vezes é bem dura e difícil, sabemos que é muito frustrante quando depositamos as nossas expectativas nas pessoas e elas nos frustram. Esta relação é de mão dupla, e dói também quando decepcionamos os outros.

As relação são feitas assim e a verdade é que algumas pessoas vão nos decepcionar sempre e nós vamos decepcionar outras. Precisamos aprender a não atribuir a ninguém a responsabilidade de nos fazer feliz.

A nossa felicidade é responsabilidade nossa, exclusivamente nossa e de fato, não é a informação mais confortável que vamos descobrindo. Desde muito cedo, somos ensinados a ter sempre a aprovação e o mimo do outro. Grande parte de nossas dores emocionais decorrem desta frustração.

Claro que grande parte de nossas alegrias são frutos também das relações que estabelecemos com outras pessoas, sejam no trabalho, nas relações amorosas ou nas nossas amizades. Mas se não estivermos bem conosco mesmo, nada disso terá valor. Deve sempre partir de mim, aquilo que busco ter e viver.

Todos os contatos que vamos construindo, vão fazendo as nossas relações. Estas relações no entanto, só poderão ser bem sucedidas se eu estiver aberto a receber o que elas podem me oferecer. Portanto, pensar tão somente que o outro sozinho é o responsável pela nossa felicidade, faz nos prender aos nossos ideais e as nossas expectativas e o outro não tem a obrigação de corresponde-las.

Se analisarmos com calma, vamos percebendo as várias oportunidades que perdemos para ser mais feliz ou pelos menos, para ter um pouco mais de alegria, mas deixamos a cargo do outro e este outro ideal, não existe. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

FEMINICÍDIO E PSICANÁLISE: Quando a violência revela o fracasso em lidar com a alteridade.

  O feminicídio, entendido como a forma mais extrema da violência de gênero, pode ser analisado à luz da psicanálise como manifestação de es...