sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

ÀS VEZES É MELHOR ESTAR SEPARADOS

 


Sim, nem sempre o amor acontece e evite se culpar por isso. Você planejou, calculou, se permitiu, estudou as possibilidades e ainda assim, não deu certo. A paixão foi explosiva, durou um certo tempo e foi muito bom, mas o prazo de validade venceu antes do que você esperava.

Se você fizer uma análise rápida, encontrará muitos relacionamentos que terminaram, cada um seguiu o seu caminho e estão muito felizes, separados. Isso nos alerta para tirarmos um peso, que muitas vezes nos colocam, mas que em certa medida, nós mesmos nos colocamos, de que somos obrigados a salvar uma relação que tem tudo para dar certo, na medida em que seus envolvidos, resolvem terminá-la.

Admitir que o outro pode ser feliz sem a nossa companhia é tão libertador, como admitir que podemos ser felizes sem a companhia do outro. Pense, que, se uma relação é construída por duas pessoas, o fim dele não pode ser atribuído apenas a um deles. As relações esfriam, as coisas acontecem, as descobertas surgem e aquilo que, muitas vezes acontece, é muito distante do que você havia planejado.

Não seja egoísta ao ponto de prender o outro ao seu projeto, de igual modo, tenha maturidade para não deixar se prender a um projeto que não tem te feito bem. Com o tempo, as relações ensinam, que deixar o outro ir navegar em novas apostas, é muitas vezes, a maior manifestação de vê-lo bem e realizado.

É com o tempo também, que você conseguirá olhar para o passado e ver que desprender-se daquela relação foi uma das decisões mais acertadas que você fez, embora não tenha sido a mais fácil.

Colocar-se em primeiro plano no relacionamento é parte fundamental para que este relacionamento dê certo, e isso não tem nada a ver, com ter que se matar, para salvar a relação, da mesma maneira, que não está ligado a obrigatoriedade de estar juntos, mesmo tendo a consciência que o melhor é estar separados.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

"CASEI E ME TORNEI A MÃE DO MEU MARIDO."



Parece chocante, mas é real e bem comum encontrarmos relacionamentos assim. Geralmente, esta é uma das consequências que se paga ao casar com o “filhinho da mamãe”, que pode estar associada a outras. 

Na prática, ele se afasta da genitora e a substitui pela esposa, de modo, que passa a ter duas mães: você e a sogra que te cobra tratá-lo de modo maternal tal qual ela faz. 

Pensa ai: é você quem decide tudo, dá conselhos, resolve os problemas que ele cria, assume todas as responsabilidades, gasta sua energia cuidando de tudo e quase nunca é cuidada? 

Assume os compromissos da relação e decide tudo, desde a roupa que ele vai vestir, o que ele pode ou não comer, até a compra da casa própria? Ainda é responsabilidade sua, colocar comida no prato, levar a tolha no banho, dar a medicação na hora certa e sempre acordar antes para preparar o café da manhã? 

Por certo, você já se gabou em contar que você é quem salva a relação e que sem você ele não vive, não consegue fazer nada. Enquanto cuida demasiadamente do outro, você vai esquecendo de cuidar de você. 

Com o tempo, isso que você chama de amor vira dependência e o que você chama de relação de parceria, vira relação de obrigações e sobrecargas. 

O seu cônjuge não desenvolve autonomia e você ao invés de cuidar, passar a manter o seu marido, sendo cúmplice dele. Saiba que relacionamento é para adultos, para quem já cresceu ou que está disposto a isso, embora os dois saibam que dá trabalho, e por isso, cada um deve fazer a sua parte. 

Reflita o porquê da necessidade de ser mãe e de cuidar o tempo todo de quem consegue e deve fazer por si. É medo que você tem sobre as escolhas que ele pode fazer? É porque você se sente frágil e carente e sendo assim, é melhor ter alguém que dependa de você do que não ter ninguém? 

Se ninguém e nem você mesmo, cuida de você, peço que reveja seu conceito sobre relacionamento. Salve -se!



Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

SE VOCÊ NÃO APRENDEU AINDA A SE RELACIONAR, NÃO ADIANTA MUITO TROCAR DE RELACIONAMENTO.

 


A regra é simples e você já sabe: se não se amar não está pronto para amar ninguém. Se não consegue ainda lidar com os seus conflitos, não está apto a lidar com os conflitos do outro, conflitos estes, que vão surgir em qualquer tipo de relacionamento, inclusive no seu.

Quando isso acontece, é normal que você projete no outro, os seus medos, suas fantasias, suas obrigações e as suas expectativas, como se o outro fosse responsável por elas.

Em outras palavras, joga-se a responsabilidade da relação dar certo nas mãos do parceiro e o parceiro sozinho, não consegue fazer, o que deve ser feito pelos dois.

Já parou para pensar, que movido por este individualismo é que você tem investido em umas relações, com a única intenção de resolver os seus problemas e não de se relacionar de verdade? Sim, porque relacionamento de verdade, não é a fuga da relação anterior que foi desastrosa, nem pode ser a busca da carência de longos anos.

Relacionamentos podem ajudar nestas soluções mas não devem ser este o único propósito único. É muito cruel buscar resolver problemas pessoais e de longa duração em relacionamentos que tinham boas possibilidades para darem certo, mas, fez dele o abraço do afogado: me socorre ou eu morro.

Sim, se aprende relacionar, se relacionando, mas se aprende também se olhando, se percebendo, procurando ajuda de profissionais e sobretudo, respeitando quem decide com você se relacionar. Compensa muito parar um pouco, se organizar, resolver suas confusões internas para só depois decidir colocar alguém no teu caminho para andar contigo.

E se levar tempo para conseguir fazer isso, tá tudo bem também, até porque você não é para todo mundo e nem todo mundo é pra você. Tentar ser feliz sozinho é mais digno do que estragar a tentativa do outro, chamando isso de relacionamento.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

É LOUCURA QUERER SER AMADO POR TODOS


 

Se sentir amado, além de ser muito bom, é também uma necessidade. Mas se esta necessidade se tornar uma obsessão torna-se um perigo, uma loucura, na verdade um delírio.

É claro que não vamos conseguir que todos nos amem ou que gostem de nós e se libertar disso é abrir mão de um narcisismo, alimentado em grande parte, pela cultura dos likes e da não frustração sobre o que criamos: se não gosta de mim, se não concorda com o que eu digo, eu cancelo.

Viver qualquer relação onde exista a obrigação de amar o outro é adoecedor e pode ter dias reduzidos em sua duração. Amar qualquer pessoa nunca deve ser uma imposição, do mesmo modo que não é saudável implorar o amor do outro. Essa dependência afetiva não se constrói do nada e se faz necessário uma auto reflexão para buscar compreender de onde vem essa carência de aprovação para que seus projetos aconteçam.

Pautar suas decisões sob o olhar de outro é renunciar seus próprios desejos em função das prioridades daqueles que te rodeiam e apesar de frustrante, não é tão catastrófico assim viver com independência.

Aprenda que, viver sem expectativas sobre os sentimentos do outro é entender que há lugares que não te cabem, como há relacionamentos que não são para você, e está tudo bem. Vida que segue. Libertar-se disso, é parar de pedir atenção 24 horas sem se culpar quando isso não acontece. Sim, as pessoas podem viver suas vidas sem te colocar no centro, da mesma forma, que você pode viver a sua vida sem girar em torno delas.

Já parou para pensar que essa aprovação e esse amor que você julga essencial para sua vida é apenas uma resposta ao seu ego pequeno e frágil que precisa ser reverenciado?

Entenda que se há a necessidade de ser amado assim é porque de fato não é de amor que você precisa. Não é forçando que se tem amor, é fluindo.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

AMOR EM BANHO MARIA: NÃO ATA E NEM DESATA

 


Em algum momento você já se deparou com relações onde um dos parceiros não assume o relacionamento, mas também não desiste dele. Hoje é seu atual, amanhã o seu ex e depois de amanhã atual de novo. Relação construída dentro deste modelo é recheada de incertezas, esperanças sem fundamentos, além de um cardápio farto de promessas raramente cumpridas.

Estas relações são aquelas que costumamos dizer que nem atam e nem desatam e com o tempo você se acostuma com esse ritual que só te adoece e te faz dependente. A questão central é sempre a mesma: Se está comigo é porque gosta, mas se gosta porque não assume? Doce ilusão! Onde você aprendeu que estar junto significa gostar?

Há uma diferença que nunca pode ser confundida entre gostar de mim e gostar do que eu posso oferecer. O outro pode estar se sentindo confortável em uma situação onde haja disponibilidade, prazer e sexo, só isso.

Relações assim te ensinam que pedinchar sentimentos e comer migalhas é melhor do que passar fome e acreditando nisso você vai empurrando a relação que acredita ter. Você sabe que não está sendo valorizado, se sente desrespeitado em seus sentimentos e já decidiu várias vezes colocar um ponto final nessa história.

Acontece, que o medo de perder o pouco que você tem é maior do que a garantia que você precisa ter para ficar sozinho. A falta dessa garantia foi a mesma que te fez apostar nessa relação, que embora já fosse fracassada, você pensou que daria certo.

É ilusão pensar, que encerrando esse ciclo de “banho-maria” você vai sofrer mais, acreditando inclusive que “ruim com ele, pior sem ele”. Escuta: sofrendo você já está, a diferença é que a decisão em encerrar isso tudo não é do outro. Ela deve ser sempre sua. Não alimente a esperança de que o outro irá se comprometer com você quando na verdade ele não quer, ainda que você se perca, fazendo tudo que for necessário para isso.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

SEDUZIR SEMPRE, COMPROMETER-SE JAMAIS.

  


Ele é nosso velho conhecido e você já deve ter tido contato com um. Quem sabe, até já tentou manter uma relação, ou ainda, está sofrendo nas mãos de algum Don Juan da via real. Ele está sempre em busca da presa fácil, que carente, cai com facilidade em qualquer lábia, para assim, usar todo o seu charme e poder de conquista. Estou falando de homens que tem Síndrome de Don Juan (CID F52.7).

Homem com este transtorno possui uma forte necessidade de seduzir o maior número de mulheres/homens possíveis, utilizando para isso, falsas promessas e um robusto jogo de sedução e portanto vai perceber muito rapidamente as fraquezas da sua presa e focará nelas. Quanto mais difícil for este processo, mais prazer ele sente.

Quando conquistar a pessoa, perderá o interesse e partirá para outra busca. Sua competição é para ser desejado e não para manter um relacionamento, e assim, o tempo de sedução é tão rápido quanto o tempo que ele precisa para sumir da sua vida.

Geralmente, o Dom Juan demonstra um narcisismo exagerado, desconhece a palavra fidelidade, não aceita a resposta não, e possui uma alta habilidade de manipular os seus objetos de apreciação. É sempre muito preocupado em desempenhar papéis sociais teatrais que são exclusivamente dirigidos à sua própria satisfação. Não raro é chamado de príncipe encantado.

Fique alerta: Se é encantado é porque não existe. O Dom Juan não tem capacidade de amar ninguém, porque possui um grande medo de ser rejeitado e é através da sedução que ele prova para si, que é capaz de despertar a admiração e o desejo no outro.
Cuidado: Não romantize a razão. Ele não tem nenhum interesse em você, mas naquilo que você pode dar a ele.

Não romantize o óbvio: ele já agrediu outras, traiu várias, responde à lei Maria da Penha, brincou com o sentimento de outras tantas e só não vai fazer com você? Acorda!

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

É DIFÍCIL, MAS NECESSÁRIO EXTRAIR ENSINAMENTOS DO CAOS

 

É importante não negar que a obscuridade existe e que é necessário ver nela as oportunidades e não somente as tragédias, deixando de lado a nossa dose diária de masoquismo e não vê-la apenas como uma piada ou um “meme” da internet. 

Precisamos entender que minimizar uma situação crítica e dolorosa que enfrentamos não ajuda em nada, pois em algum momento de nossas vidas, já vivemos – ou vamos viver – com tristeza e dor. Entender que tragédias acontecem e afetam nossa saúde física e emocional, mas, por outro lado, elas possuem a missão de medir o nosso caráter e de nos permitir desenvolver os nossos mais profundos sentimentos de compaixão e de humanidade. 

Aprendemos com o nosso caos a construir a nossa armadura para a vida e é ele que nos faz refletir mais profundamente e fazer com que nosso comportamento mude para melhor. São nas situações limites que conseguimos mostrar a nossa verdadeira face: é quando o melhor ou o pior de nós é revelado. 

Quando saímos das catástrofes, sejam elas sociais ou as mais íntimas e solitárias, podemos sair engrandecidos e mais fortes, afinal, também são para isso que elas servem. A diferença é que isto depende de cada um de nós. 

Os sentimentos e emoções que vamos internalizando durante a crise enfrentada, ganharão formas e serão colocados em prática através de ações e comportamentos necessários para o enfrentamento da angustia e da dor gerados na nossa mísera capacidade de lidar com tudo isso. 

Podemos escolher sentir pena de nós mesmos e até desejar morrer ou de mudar o comportamento e fazer o que o momento de aflição pede; de ficar revoltado e bravo com o acontecido ou ser resiliente mudando hábitos aprendidos ao longo da nossa zona de conforto; de tornar-se apático e mais egoísta ou pensar no próximo, inclusive repartindo o que se tem em tempo de escassez. 

Qualquer situação limite que vivemos, deve servir para nos ensinar e nos ensinar muito.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


FEMINICÍDIO E PSICANÁLISE: Quando a violência revela o fracasso em lidar com a alteridade.

  O feminicídio, entendido como a forma mais extrema da violência de gênero, pode ser analisado à luz da psicanálise como manifestação de es...