quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

NÃO EDUQUE FILHOS INTOLERANTES E INSEGUROS

 


Senhores educadores (incluindo os pais), saibam todos que é muito cruel para uma criança se ver na impossibilidade de cometer erros. Reconhecer os erros e enxergar neles as possibilidades de equilíbrio, começa com os pais e com seus educadores.

Os erros que são cometidos e que são corrigidos de maneira cruel (tapa na cara, cala a boca, castigo, torturas) vão educando a criança para não tolerar a sua própria frustração, mas também, para não ser tolerante com os erros dos que com ela convive. Pense ainda, que essa criança vai se desenvolvendo com um medo terrível de assumir os seus erros, mesmo que sejam os mais simples.

Encher uma criança de elogios apenas quando acerta, pode ser que faça mais mal do que bem a ela. Entenda que elogiar somente as habilidades, os talentos, o que ela ganha e acerta e a inteligência da criança, é diminuir e fragilizar a sua autoconfiança. Os pais/educadores devem se concentrar em elogiar também o seu esforço.

Quando se foca somente na inteligência ou somente no fracasso, estão educados crianças medrosas e com baixíssima disposição para escolher tarefas desafiadoras e correr o risco de perder, ou seja, tem medo de se frustrar ou de frustrar o sonho dos seus pais.

Entenda que não ser o Super-herói todos os dias, não te faz um pai/mãe/educador menos importante ou menos especial para eles. Seja uma referência, não um infalível. Por isso, é importante que você lide bem com seus próprios fracassos, com suas escolhas mal feitas, com seus contratempos, com suas impossibilidades e suas angustias.

Mostre a eles que os adultos também cometem erros, mas sobretudo, se responsabilizam por eles, fazem suas reparações e seguem. Assim, eles vão se educando para lidar com os seus erros nas suas relações que irão construir pela vida.

Aprenda a deixar de tratar os seus erros e os dos seus filhos como algo cruel e irreparável. Se liberte disso. Nem sempre você está certo!

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

É PRECISO SUPORTAR O DESAMPARO

 


Embora seja difícil o desamparo é uma experiência fundamental e faz parte da condição humana e é, em torno dela, que se constitui a posição de sujeito no mundo. O desemparo com as suas diferentes vulnerabilidades impostas é que faz o desafio de se trabalhar com a falta, e assim, o vazio se faz necessário.

É fácil entender que não fomos educados para trabalhar com a falta. Fomos ensinados, que para nos sentirmos bem, precisamos ter o chão da segurança sob nossos pés e este é um dos motivos que nos fazer ter pavor do desamparo.

Basicamente, em outras palavras, só mudamos quando a realidade em que estamos é de fato insuportável. Ainda assim, para que não possamos sair dela, entramos facilmente em um processo de neurose, ficando em um ciclo de repetir os mesmos fatos, ter prazer nos mesmos erros e ainda reviver as mesmas situações dolorosas e traumáticas. Para isso, haja mecanismo de defesa para não admitir toda essa problemática, sempre buscando contornos prazerosos nisso tudo.

É natural, portanto, que sempre estejamos buscando prever esta condição de desamparo: cercamos de um lado; buscamos colocar anteparos de outro; negamos um pouco ali; fingimos outro tanto ali e assim vamos levando a vida. Todos estão diretamente implicados, embora todos estejam também negando essa implicação, tentando se isentar cada um de suas responsabilidades por suas escolhas e suas consequências. No fundo, todos querem a garantia da previsibilidade para evitar o desemparo.

É preciso não ter medo do vazio, do desemparo, da solidão. É preciso se permitir desfrutar os benefícios que estar sozinho pode trazer. Mas é preciso também, depois de adquirir tal liberdade, suportar-lhe o peso.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

terça-feira, 1 de novembro de 2022

AO IDEALIZAR ALGUÉM, NÃO ESTAMOS FAZENDO NADA ALÉM DE CONDENÁ-LO A NOS DECEPCIONAR.

 


Esta é uma das formas mais comuns que muitas histórias terminam, antes mesmo de terem a chance de começar. Para ter a possibilidade de amar, é preciso primeiro resolver algumas questões próprias, justamente para não transferi-las para o outro, a quem temos a intenção de seduzir.


Porém mora ai o problema, pois quando idealizamos o outro – mesmo não sabendo disso – estamos eliminando-o. Ao idealizar alguém, nós o anulamos como pessoa, com a sua individualidade, com a sua subjetividade, e, automaticamente, ele se torna nada mais que um produto de nossa própria fantasia.


Assim, projetamos nossas próprias ideias, imagens e exigências e com isso, temos a certeza que essa pessoa, de fato, vai cumpri-las. Não queremos alguém como de fato ela é, mas sim, queremos alguém que imaginamos. Assim, as distorções em qualquer relação começam com a idealização.


Ainda há o risco, de que, para ser aceito dentro da fantasia do outro, vamos nos encaixando ali e revirando aqui. Para se caber dentro da fantasia que o outro criou, vamos cedendo às cobranças para uma perfeição, de quem um dia criou uma distorção. Por isso é preciso cuidado – com as idealizações que fazemos e com aquelas que aceitamos.


Pense nisso: a idealização nos faz ver somente o que é bom no outro, alimentando assim a nossa própria fantasia. E com essa “falsa” visão, vamos construindo uma pessoa maravilhosa em nosso imaginário, sempre colocando-o em um lugar especial. O perigo, é que para tirá-lo lá depois, o trabalho será muito maior, quando a fantasia acabar.

 

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

FALAR EVITA CONFLITOS

 


Embora pensemos que se aprende a falar na infância, levamos uma vida inteira aprendendo a falar. É um exercício contínuo que por mais que exercitamos nunca estamos aptos a fazê-lo em sua totalidade.

Falar vai muito além de emitir sons, nomear pessoas e objetos, decifrar símbolos e estabelecer algum tipo de comunicação. Falar é algo mais profundo. Falar requer a compreensão de pausas, de momentos, de situações e de oportunidades.

Aprender a falar é conseguir em partes dar nome aos seus sentimentos e com isso, tentar conviver melhor com eles. É pela falta do auto conhecimento sobre o falar que vezes por outras somos atravessados por aquilo que falamos.

É pela falta de preparação sobre como falamos que criamos situações de embaraço emocional, assim como, por imaginarmos que podemos falar a nossa verdade a todo custo, que alguns estão pagando um preço doloroso.

Nunca se fez tanto barulho como se faz agora. Nunca tivemos tanta informação como estamos vendo. Nunca se falaram tanto, como atualmente. No entanto, nunca se ouviu menos, como agora. Estamos cada vez menos prestando atenção nas pessoas e com isso desprendendo cada vez mais como.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

TODA GRANDEZA É PASSAGEIRA

 


É sempre bom não esquecer que a grandeza é uma experiência do tempo, portanto, transitória. Ela nunca é constante e nem dura para sempre. Somos momentos. Ela, a ideia da grandeza, é em grande parte criada pela imaginação daquele, que por algum motivo se sente superior aos outros, seja pelo seu cargo, cor de sua pela, pelo corpo, pela conta bancária, pelo currículo e até pela posição na fila em que se encontra.


O bom seria se pessoas que em alguém momento se sintam grandes, enxergassem a mentira na qual estão inseridas. Esse seria o caminho ideal para perceberem o quanto isso é efêmero e fruto da projeção criada em resposta à fraqueza e insegurança que elas mesmas possuem. Sim, àqueles que se dizem grandes e superiores, sofrem com a sua inferioridade e aceitação.


O perigo ao manejar essa síndrome do pequeno poder é que a vida real, vai desaparecendo para a predominância de outra forma de relação. Há alterações na forma de ver a vida e obviamente, há a mudança dos sentimentos e daqueles com quem se relaciona. Existe uma condição humana que é igual para todos que vai sendo esquecida e sobreposta pelo poder, ainda que passageiro. A falsa grandeza, muitas vezes, faz com que a pessoa que humilha ou maltrata alguém, não tenha empatia com o sofrimento alheio e, por isso, ela não se dá conta do que está ocasionando ao outro.


Esquece-se das responsabilidades afetivas, confundindo em muitos casos honestidade com reciprocidade e respeito com pena ou dó. O falso poder vai fazendo com que o outro deixe de ser real e assim, não percebe que o que não significa nada para ele, pode significar muito para o outro.

Portanto é importante estabelecer vínculos com quem trata todos com generosidade e respeito, independente de posições ou do que elas podem oferecer. Manter contatos com pessoas que não se incomodam com status, com aquilo que possuem, que preservam o SER e não somente o TER.

Por fim, sua falsa grandeza não te torna melhor, maior e não te dá, na verdade, nenhum privilégio.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

NEM SEMPRE É INSEGURANÇA. MUITAS VEZES É TRAUMA


O conceito de trauma surge do grego τραύμα (trávma), que traduzido significa ferida. Nasce a partir de um acontecimento externo, mas que reverbera em nível interno, que é o nível do funcionamento psíquico do sujeito.

Sendo assim, a memória traumática, forma-se a partir da vivência do indivíduo em uma experiência, que para ele tenha sido dolorosa. Essa memória é caracterizada pela soma de emoções, imagens, sons e todos os demais sentimentos vivenciados por ele, de forma consciente ou não.

A insegurança por sua vez, é um estado emocional que geralmente surge após uma situação ameaçadora que tenha acontecido, a um trama. A possibilidade de algo acontecer novamente, desencadeia no sujeito os estados emocionais que levam ao seu sofrimento psíquico.

Claro que nem todo estado se insegurança está associado a um trama, mas grande parte deles, nascem de episódio que foi traumático. Portanto, é importante saber que muitas vezes o verdadeiro problema nos relacionamentos não está somente naquilo que se vê, que está claro. Muitas vezes é algo mais profundo e que nem sempre é evidente.

É importante não esquecer que quando as pessoas se relacionam, elas levam para dentro destas relações, seus hábitos e manias, suas cargas emocionais, suas expectativas e apostas, os seus comportamentos, e lógico, seus traumas e suas inseguranças.

Então, quem já foi traído, pode levar consigo a sensação de que está sempre sendo enganado, o que pode gerar a necessidade de sabotar a relação.

Quem já foi rejeitado, vive com a sensação de que o outro não gosta dela o suficiente e luta sempre para agradá-lo, afim de que o outro não vá embora.

Quem já foi abandonado, busca a atenção do outro a qualquer custo, pois imagina que o outro não se importa na medida certa com ele, sentindo-se desemparado.

Entenda portanto, que quando o outro não se entrega ou não entra pra valer na relação como você gostaria, nem sempre é insegurança. Pode ser trauma.
Indico terapia.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


terça-feira, 17 de maio de 2022

NINGUÉM TEM TEMPO PARA O QUE NÃO ESTÁ AFIM

 


Você já deve ter vivido a sensação de que as pessoas não tem tempo para nada e ninguém. Inclusive para você. Na verdade, tempo elas tem. Acontece que todos nós criamos, ainda que inconscientemente, uma lista onde colocamos aquilo que consideramos importante ou aquilo que chamamos de essencial. Nesta lista se coloca também aquilo que é importante, inclusive de maneira agendada, organizada.


Com o amadurecimento da vida e das experiências de cada um, vai se encaixando neste tempo, aquilo que foi colocado na lista: pode ser alguns relacionamentos, amigos, o trabalho, os estudos... para estes, vai se achando tempo, encaixando ali, ajustando acolá. Para estes, o tempo dá.


É com o passar do tempo também que você aprende que não está na lista de algumas pessoas, de alguns compromissos, de alguns acontecimentos. Geralmente, você descobre isso, quando precisa questionar se faz parte ou não da lista de prioridade dessas pessoas.


Mas também amadurece, quando entende que precisa tirar da sua lista, algumas pessoas e acontecimentos que em algum tempo foram prioridades, que foram importantes ou essências. Esse momento é libertador.


Libertador, porque você para de justificar a indisponibilidade do outro. Libertador porque você aprende que quem quer acaba arrumando um tempo, um jeito, um encaixe; da mesma forma que quem não quer arruma uma desculpa ou uma justificativa, pela décima vez.


É libertador porque você para de insistir e de correr atrás de quem você provavelmente não vai alcançar. Aprende que ninguém (absolutamente ninguém) está o tempo todo sem tempo. Já se perguntou se esse tempo que falta, falta só para você? Ei, o segredo é que se falta tempo para você, então sobram razões para ir embora.


Se priorizar, essa é regra!

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

FEMINICÍDIO E PSICANÁLISE: Quando a violência revela o fracasso em lidar com a alteridade.

  O feminicídio, entendido como a forma mais extrema da violência de gênero, pode ser analisado à luz da psicanálise como manifestação de es...