quarta-feira, 1 de maio de 2019

SÓ SE EDUCA COM AMOR




É interessante que comecemos refletindo, que patologizar nos filhos o que está mal resolvido nos pais, é a maneira mais simples de descarregar neles a ineficiência dos mesmos pais, no processo de educá-los.

A expressão pais tóxicos é uma denominação cada vez mais comum, usada pela psicologia, para classificar os pais que, sem capacidade de educar, agridem física e psicologicamente seus filhos, causando sequelas que irão ressoar pelo resto de suas vidas. Quando a crueldade está dentro de casa, torna-se mais difícil a intervenção de alguém que esteja fora deste círculo.

Deve-se lembrar que nenhum pai, nenhuma mãe é infalível e portanto não estão livres de cometer falhas, de perder a pouca paciência, de romper com a postura e até trair seus princípios e valores. Agir com perversidade na educação dos filhos, denuncia muito mais um prazer em agredir, do que vontade de educar. 

Promover a dor no outro, como forma de educar, revela uma disciplina em favor de uma vingança e mágoa do próprio pai, do que uma educação para o crescimento e equilíbrio do filho. Não se educa humilhando, muitos menos, humilhando aqueles que declaramos amar.

Agir com violência quando temos a intenção de educar é confirmar para a criança que ela não é merecedora de afeto e muito menos digna de amor e todos nós temos estes direitos. Comportamentos assim, ensinam aos filhos a repetir a mesma atitude dos seus pais, até porque podemos observar que estes já estão retornando e repetindo o que fizeram a eles. Não é absurdo dizer, que a casa dos pais é a escola dos filhos.


A postura de pais tóxicos na educação de seus filhos, podem construir adultos agressivos, violentos, com dificuldade de aprendizagem, medrosos, rebeldes, tímidos, covardes, com dificuldades de se relacionarem e com um forte sentimento de culpa, culpa essa que pode ser amenizada nas drogas e/ou bebidas.

Educação só acontece, se acontecer o amor.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

SOBRE A HORA DE IR E A HORA DE FICAR



Saber a hora de ir embora, de abandonar é um decisão tão difícil como saber a hora de ficar, de apostar mais um pouco. Essa dificuldade pode estar ligada ao fato de que acostumamos muito fácil, com aquilo que acreditamos ser nosso. Supostamente, temos a ilusão de que algumas coisas nos pertencem. Essa dificuldade de ir ou de ficar, faz com que queiramos sempre algumas certezas, algumas confirmações para validar a nossa decisão.
Embora seja muito claro para uns, ainda há outros que imaginam conseguir resolver as equações matemáticas do destino, por isso mesmo, precisamos acreditar nelas para que as nossas decisões sejam tomadas com menos dores e uma margem menor de erros. Na verdade, ter razão e ficar em paz é tudo o que queremos, mas essa conta não se fecha com facilidade. Tudo o que queremos é tomar a decisão correta e ter certeza depois que tudo fez sentido e que foi a melhor decisão tomada.
A experiência de vida de cada um, aquela construída com o tempo e com as vivências, vão nos mostrando quando o relacionamento já acabou, o emprego não serve mais, a amizade perdeu o sentido, o casamento já morreu tem um tempo e que o grande amor que se acreditava, não decolou. A gente vai aprendendo que ir embora dói, mas andar em um passo atropelado, dói bem mais e ficar é cruel.
Com o tempo, também aprendemos que a dor de ir embora é menor do que a dor de ficar para tentar se encaixar nos planos de alguém. Vamos descobrindo que dor mesmo, é se adaptar ao mundo do outro, quando o outro espera que você siga.
Partir requer coragem, até porque exige-se que consigamos construir o nosso próprio caminho, mas por outro lado, ficar sem a reciprocidade necessária, significa perder a oportunidade de ser o seu próprio porto, decidindo a hora de ir e a hora de ficar.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 31 de março de 2019

SOBRE O PERDÃO



Perdoar deve ser antes de tudo, uma decisão gratuita, não negociada ou fruto de permuta ou de constrangimentos de terceiros. Comumente, observamos que algumas pessoas atrelam a felicidade e a paz interior a decisão que tomam em perdoar o passado ou a si mesmo. 

De fato, tais decisões podem fazer muito bem. Observamos também, aqueles que incentivam que o outro perdoe, como se este processo fosse simples e trivial. Porém esta decisão não deve ser tomada no tempo do outro ou porque sofremos intimidações todos os dias. 

Perdoar é uma decisão, decisão esta que pode levar tempo, construção de valores, ressignificação do passado e sobretudo o momento exato para que isto seja feito. Podemos levar uma vida inteira para voltarmos ao passado e pedir desculpas a ele ou ainda há, aqueles que conseguem acessar sua dor de maneira mais rápida e mais fácil. 

Cada tem seu tempo e sua forma de perdoar e isso precisa ser respeitado. Não há receita pronta, não é amnésia e nem sepultamento do passado. Perdoar pode ser, ver o passado sem dor ou revivê-lo com outro sentimento. 

Pode ser o abandono de padrões sentimentais estabelecidos e de aprovações sociais e/ou religiosas. Pode ser ainda uma forma diferente da sua, diferente do seu tempo, da sua velocidade ou da sua intensidade. Contudo, perdoar será sempre uma disposição definida pela sua decisão.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

NINGUÉM DEVE TER A OBRIGAÇÃO DE NOS FAZER FELIZES




Na realidade, aquela mesma, que às vezes é bem dura e difícil, sabemos que é muito frustrante quando depositamos as nossas expectativas nas pessoas e elas nos frustram. Esta relação é de mão dupla, e dói também quando decepcionamos os outros.

As relação são feitas assim e a verdade é que algumas pessoas vão nos decepcionar sempre e nós vamos decepcionar outras. Precisamos aprender a não atribuir a ninguém a responsabilidade de nos fazer feliz.

A nossa felicidade é responsabilidade nossa, exclusivamente nossa e de fato, não é a informação mais confortável que vamos descobrindo. Desde muito cedo, somos ensinados a ter sempre a aprovação e o mimo do outro. Grande parte de nossas dores emocionais decorrem desta frustração.

Claro que grande parte de nossas alegrias são frutos também das relações que estabelecemos com outras pessoas, sejam no trabalho, nas relações amorosas ou nas nossas amizades. Mas se não estivermos bem conosco mesmo, nada disso terá valor. Deve sempre partir de mim, aquilo que busco ter e viver.

Todos os contatos que vamos construindo, vão fazendo as nossas relações. Estas relações no entanto, só poderão ser bem sucedidas se eu estiver aberto a receber o que elas podem me oferecer. Portanto, pensar tão somente que o outro sozinho é o responsável pela nossa felicidade, faz nos prender aos nossos ideais e as nossas expectativas e o outro não tem a obrigação de corresponde-las.

Se analisarmos com calma, vamos percebendo as várias oportunidades que perdemos para ser mais feliz ou pelos menos, para ter um pouco mais de alegria, mas deixamos a cargo do outro e este outro ideal, não existe. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

SÃO NOS EXCESSOS QUE A CABEÇA DÓI. JÁ O CORAÇÃO DÓI NA FALTA.



A impressão é que nos nossos dias, andamos com a cabeça cheia e o coração vazio. Os dias atuais, parecem exigir corações frios e cabeças agitadas, excessos de pensamentos e falta de sentimentos. Ambos andam doendo: um pela falta e a outra pelo excesso. 

As relações que construímos, parecem nos distanciar cada vez mais uns dos outros e embora lutemos, ainda é a individualidade que impera. Essas mesmas relações parecem ser mais construídas pela cabeça do que pelo coração. Racionalizamos demais, exigimos demais, construímos barreiras demais e deixarmos de sentir, amar, envolver. 

A velocidade dos nossos relacionamentos, está cada vez mais importante do que intensidade destes mesmos relacionamentos. Sendo assim, colocamos o coração em segundo plano, para que ele não sofra e não se machuque. Afinal, ele já não sofre da falta? A falta da reciprocidade e do reconhecimento; a falta do cuidado e do elogio; a falta da compreensão e da alteridade; a falta de auto cuidar-se. 

Parece paradoxal, mas em todas as nossas relações, a moeda de troca ainda é o sentimento, este que é considerado um critério de verdade, um referencial da ética e o fundamento inquestionável para nossas transações sentimentais. É pelo coração que decidimos entrar na relação. 

Quando não estamos bem, quando não gostamos mais ou quando perdemos o encanto, será com ele também que decidimos a hora de sair. É sempre o coração que encontra o nosso refúgio. Cuidemos mais dele. Não o sufoque pelo excesso, mas não deixe ele morrer pela falta. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

CASTIGO x CONSEQUÊNCIA



Você já deve ter observado, como todos nós temos dificuldades em lidar com as nossas consequências, frutos de nossas escolhas. As nossas escolhas são os ingredientes que vão definindo o nosso destino. Claro que as escolhas não são definitivas e elas vão se modificando no decorrer de nossas vidas. É óbvio que escolher não é uma das tarefas mais fáceis e esta tarefa será uma execução que levaremos para a vida toda. Mas as consequências destas escolhas, são sempre inevitáveis.

Como nem sempre estas respostas, são positivas, temos a tendência de chama-las de castigo, ou algo parecido, como se não fôssemos nós, merecedores destes resultados. Não é fácil admitir que toda escolha que tomamos vai gerar um resultado. Entre um e outro deve haver a capacidade de reflexão e é nestes momentos que nossa capacidade crítica, de ver a situação sob outro olhar, desaparece.

Esta capacidade, tira de nós a necessidade de achar um culpado para justificar nossos erros e nossas mazelas. A maturidade que vamos adquirindo, vai tirando de nós a falsa ilusão de que o outro é responsável pelas nossas derrotas e pelas nossas escolhas, da mesma forma que o outro não é responsável pela nossa felicidade e pelo nosso autoconhecimento. O ideal é também, é que começamos a aprender a plantar melhor, para só assim, a nossa colheita ser melhor, mais justa e menos sofrida


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 3 de novembro de 2018

O FASCÍNIO POR HUMILHAR




Não se engane: Quanto melhor você tratar as pessoas, mais autoestima você tem. Só humilha as pessoas, em especial as mais humildes e aqueles que são diferentes dela, as pessoas inseguras quanto ao que elas são e aos seus valores. Não considerar as pessoas que convivem de forma diferente da sua, é uma demonstração clara de baixa autoestima e de fraqueza emocional. Pessoas grandes respeitam e valorizam os seus semelhantes.

Uma autoestima elevada e saudável não está relacionada a esse tipo de comportamento, mas pelo contrário, quem é seguro se si, promove quem está a sua volta a ser sempre uma pessoa melhor. Ter autoestima, não tem a ver com bens materiais, status ou beleza – isso está relacionado com a vaidade e vaidade é sempre externo. A autoestima, no entanto, é um processo interno, é individual, é construção íntima e é feita sem máscaras.

A insegurança geralmente gera o fascínio pela necessidade de oprimir o outro, de silenciá-lo. A insegurança gera a necessidade de demonstrar o tempo todo, a autoridade e o poder, muito mais para convencer a si mesmo, do que para convencer os outros. Além do medo incontrolável de rejeição, essas pessoas, que sentem prazer em humilhar seus semelhantes, possui uma pobreza gigantesca de entendimento, acerca da qualidade de quem lhes rodeiam, mas acima de tudo, possui uma gigantesca pobreza de consciência em entender que a melhor maneira de ser grande é fazer com o que o meu semelhante cresça também. Pense nisso! 

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

O CIÚME E SUAS AMEAÇAS

  O ciúme costuma ser tratado apenas como prova de amor, mas, para a psicanálise, ele revela conflitos muito mais profundos. Sigmund Freud, ...