terça-feira, 1 de novembro de 2022

AO IDEALIZAR ALGUÉM, NÃO ESTAMOS FAZENDO NADA ALÉM DE CONDENÁ-LO A NOS DECEPCIONAR.

 


Esta é uma das formas mais comuns que muitas histórias terminam, antes mesmo de terem a chance de começar. Para ter a possibilidade de amar, é preciso primeiro resolver algumas questões próprias, justamente para não transferi-las para o outro, a quem temos a intenção de seduzir.


Porém mora ai o problema, pois quando idealizamos o outro – mesmo não sabendo disso – estamos eliminando-o. Ao idealizar alguém, nós o anulamos como pessoa, com a sua individualidade, com a sua subjetividade, e, automaticamente, ele se torna nada mais que um produto de nossa própria fantasia.


Assim, projetamos nossas próprias ideias, imagens e exigências e com isso, temos a certeza que essa pessoa, de fato, vai cumpri-las. Não queremos alguém como de fato ela é, mas sim, queremos alguém que imaginamos. Assim, as distorções em qualquer relação começam com a idealização.


Ainda há o risco, de que, para ser aceito dentro da fantasia do outro, vamos nos encaixando ali e revirando aqui. Para se caber dentro da fantasia que o outro criou, vamos cedendo às cobranças para uma perfeição, de quem um dia criou uma distorção. Por isso é preciso cuidado – com as idealizações que fazemos e com aquelas que aceitamos.


Pense nisso: a idealização nos faz ver somente o que é bom no outro, alimentando assim a nossa própria fantasia. E com essa “falsa” visão, vamos construindo uma pessoa maravilhosa em nosso imaginário, sempre colocando-o em um lugar especial. O perigo, é que para tirá-lo lá depois, o trabalho será muito maior, quando a fantasia acabar.

 

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

FALAR EVITA CONFLITOS

 


Embora pensemos que se aprende a falar na infância, levamos uma vida inteira aprendendo a falar. É um exercício contínuo que por mais que exercitamos nunca estamos aptos a fazê-lo em sua totalidade.

Falar vai muito além de emitir sons, nomear pessoas e objetos, decifrar símbolos e estabelecer algum tipo de comunicação. Falar é algo mais profundo. Falar requer a compreensão de pausas, de momentos, de situações e de oportunidades.

Aprender a falar é conseguir em partes dar nome aos seus sentimentos e com isso, tentar conviver melhor com eles. É pela falta do auto conhecimento sobre o falar que vezes por outras somos atravessados por aquilo que falamos.

É pela falta de preparação sobre como falamos que criamos situações de embaraço emocional, assim como, por imaginarmos que podemos falar a nossa verdade a todo custo, que alguns estão pagando um preço doloroso.

Nunca se fez tanto barulho como se faz agora. Nunca tivemos tanta informação como estamos vendo. Nunca se falaram tanto, como atualmente. No entanto, nunca se ouviu menos, como agora. Estamos cada vez menos prestando atenção nas pessoas e com isso desprendendo cada vez mais como.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

TODA GRANDEZA É PASSAGEIRA

 


É sempre bom não esquecer que a grandeza é uma experiência do tempo, portanto, transitória. Ela nunca é constante e nem dura para sempre. Somos momentos. Ela, a ideia da grandeza, é em grande parte criada pela imaginação daquele, que por algum motivo se sente superior aos outros, seja pelo seu cargo, cor de sua pela, pelo corpo, pela conta bancária, pelo currículo e até pela posição na fila em que se encontra.


O bom seria se pessoas que em alguém momento se sintam grandes, enxergassem a mentira na qual estão inseridas. Esse seria o caminho ideal para perceberem o quanto isso é efêmero e fruto da projeção criada em resposta à fraqueza e insegurança que elas mesmas possuem. Sim, àqueles que se dizem grandes e superiores, sofrem com a sua inferioridade e aceitação.


O perigo ao manejar essa síndrome do pequeno poder é que a vida real, vai desaparecendo para a predominância de outra forma de relação. Há alterações na forma de ver a vida e obviamente, há a mudança dos sentimentos e daqueles com quem se relaciona. Existe uma condição humana que é igual para todos que vai sendo esquecida e sobreposta pelo poder, ainda que passageiro. A falsa grandeza, muitas vezes, faz com que a pessoa que humilha ou maltrata alguém, não tenha empatia com o sofrimento alheio e, por isso, ela não se dá conta do que está ocasionando ao outro.


Esquece-se das responsabilidades afetivas, confundindo em muitos casos honestidade com reciprocidade e respeito com pena ou dó. O falso poder vai fazendo com que o outro deixe de ser real e assim, não percebe que o que não significa nada para ele, pode significar muito para o outro.

Portanto é importante estabelecer vínculos com quem trata todos com generosidade e respeito, independente de posições ou do que elas podem oferecer. Manter contatos com pessoas que não se incomodam com status, com aquilo que possuem, que preservam o SER e não somente o TER.

Por fim, sua falsa grandeza não te torna melhor, maior e não te dá, na verdade, nenhum privilégio.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

NEM SEMPRE É INSEGURANÇA. MUITAS VEZES É TRAUMA


O conceito de trauma surge do grego τραύμα (trávma), que traduzido significa ferida. Nasce a partir de um acontecimento externo, mas que reverbera em nível interno, que é o nível do funcionamento psíquico do sujeito.

Sendo assim, a memória traumática, forma-se a partir da vivência do indivíduo em uma experiência, que para ele tenha sido dolorosa. Essa memória é caracterizada pela soma de emoções, imagens, sons e todos os demais sentimentos vivenciados por ele, de forma consciente ou não.

A insegurança por sua vez, é um estado emocional que geralmente surge após uma situação ameaçadora que tenha acontecido, a um trama. A possibilidade de algo acontecer novamente, desencadeia no sujeito os estados emocionais que levam ao seu sofrimento psíquico.

Claro que nem todo estado se insegurança está associado a um trama, mas grande parte deles, nascem de episódio que foi traumático. Portanto, é importante saber que muitas vezes o verdadeiro problema nos relacionamentos não está somente naquilo que se vê, que está claro. Muitas vezes é algo mais profundo e que nem sempre é evidente.

É importante não esquecer que quando as pessoas se relacionam, elas levam para dentro destas relações, seus hábitos e manias, suas cargas emocionais, suas expectativas e apostas, os seus comportamentos, e lógico, seus traumas e suas inseguranças.

Então, quem já foi traído, pode levar consigo a sensação de que está sempre sendo enganado, o que pode gerar a necessidade de sabotar a relação.

Quem já foi rejeitado, vive com a sensação de que o outro não gosta dela o suficiente e luta sempre para agradá-lo, afim de que o outro não vá embora.

Quem já foi abandonado, busca a atenção do outro a qualquer custo, pois imagina que o outro não se importa na medida certa com ele, sentindo-se desemparado.

Entenda portanto, que quando o outro não se entrega ou não entra pra valer na relação como você gostaria, nem sempre é insegurança. Pode ser trauma.
Indico terapia.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


terça-feira, 17 de maio de 2022

NINGUÉM TEM TEMPO PARA O QUE NÃO ESTÁ AFIM

 


Você já deve ter vivido a sensação de que as pessoas não tem tempo para nada e ninguém. Inclusive para você. Na verdade, tempo elas tem. Acontece que todos nós criamos, ainda que inconscientemente, uma lista onde colocamos aquilo que consideramos importante ou aquilo que chamamos de essencial. Nesta lista se coloca também aquilo que é importante, inclusive de maneira agendada, organizada.


Com o amadurecimento da vida e das experiências de cada um, vai se encaixando neste tempo, aquilo que foi colocado na lista: pode ser alguns relacionamentos, amigos, o trabalho, os estudos... para estes, vai se achando tempo, encaixando ali, ajustando acolá. Para estes, o tempo dá.


É com o passar do tempo também que você aprende que não está na lista de algumas pessoas, de alguns compromissos, de alguns acontecimentos. Geralmente, você descobre isso, quando precisa questionar se faz parte ou não da lista de prioridade dessas pessoas.


Mas também amadurece, quando entende que precisa tirar da sua lista, algumas pessoas e acontecimentos que em algum tempo foram prioridades, que foram importantes ou essências. Esse momento é libertador.


Libertador, porque você para de justificar a indisponibilidade do outro. Libertador porque você aprende que quem quer acaba arrumando um tempo, um jeito, um encaixe; da mesma forma que quem não quer arruma uma desculpa ou uma justificativa, pela décima vez.


É libertador porque você para de insistir e de correr atrás de quem você provavelmente não vai alcançar. Aprende que ninguém (absolutamente ninguém) está o tempo todo sem tempo. Já se perguntou se esse tempo que falta, falta só para você? Ei, o segredo é que se falta tempo para você, então sobram razões para ir embora.


Se priorizar, essa é regra!

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 23 de abril de 2022

NA ESCOLHA AMOROSA, O OUTRO SERVE PARA SUBSTITUIR NOSSO IDEAL


Conviver com a falta, com a lacuna ou com o não ter, dói. Dói sobretudo porque há uma decepção sobre a projeção que criamos sobre as pessoas com as quais queremos nos relacionar.

Dói admitir, dói começar de novo e tentar mais uma vez. Passamos por tudo isso, porque conviver com essa não completude é aterrorizador.

Assim, a busca para preencher tal lacuna, é também a busca infindável por daquilo que deveria nos completar.

Essa busca pela alma gêmea que você escuta desde muito cedo é confrontada ao termos que admitir que se é um, somos um e não dois, somente um, e isso também dói.

Nessa tentativa de se completar com o outro é que vamos criando um sistema de trocas, onde não trocamos apenas coisas, objetos, regras sociais e permissões, mas, vamos nos trocando por um ideal que não alcançamos, mas substituídos por um ideal em favor do nosso próprio narcisismo.

Ao outro, eu dou o lugar daquilo que eu idealizei, como se fosse ele o responsável por me completar. E quando esse outro não completa, entramos em crise.


Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

AMOR E TEIMOSIA



Vamos começar entendendo que, podemos confundir facilmente alguns de nossos sentimentos. Ainda há aqueles, que nem nome conseguimos dar e é por isso também, que é fácil colocar no meio deles uma dose de teimosia e de casmurrice. Isso se dá na maioria das vezes, porque é fácil idealizar o que é o amor, forçando sempre a barra, para que esse ideal, acontece a qualquer custo.


É comum por exemplo, confundir amor com apego; amor com comodismo; amor com conveniência, entre outras. Mais difícil ainda é reconhecer que rotina não é relacionamento, do mesmo modo, que estar junto não significa, relacionamento.


Você já deve ter visto relações onde um dos envolvidos se comporta assim: não assume, mas também não deixa o outro ir; não quer perder, mas também não cuida; não quer ficar na relação, mas também não abre espaço para outro. O perigo reside em aceitarmos isso, quando na vontade de que dê certo, passamos a ser teimoso, a ser insistente. Lembre-se, que se amor unilateral não é amor, é teimosia.


Precisa haver um limite, entre querer que essa relação acontece e que para isso, você tem se esforçado muito, e tentar querer pelo outro. Não existe a possibilidade de querer pelo outro. É preciso que o outro queira, assim como é preciso saber que o que passa disso é teimosia. É preciso se respeitar para saber a hora de partir.


Muitas vezes, a teimosia faz com que a gente queira encaixar as peças à força. É a teimosa que te faz tentar infinitas vezes e que não te deixa abandonar mesmo já tendo se machucado outras indeléveis vezes. É a teimosia que te ensina negar a aceitar, que nem sempre as coisas vão acontecer de acordo com as suas idealizações.


Note quanto tempo se passou e quanto você já se perdeu, pelo simples capricho de ser teimoso. O orgulho em ter desistido, pode dar mais lucro, do que o orgulho em ser birrento.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


A NEGAÇÃO SOB A LUZ DA PSICANÁLISE

  A citação de Freud, nos oferece uma metáfora precisa para compreendermos um dos mecanismos centrais do funcionamento psíquico: a negação. ...