quarta-feira, 9 de maio de 2018

JESUS




Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.

A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.

Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.

Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo…"

(Carta do senador Publius Lentulus Cornelius (27 AC a 14 DC), encontrada nos arquivos do Duque de Cesadini na cidade de Roma, enviada pelo senador em Jerusalém na época de Jesus, que havia sido endereçada ao imperador romano Tibério César.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 6 de março de 2018

A HORA DO DESFRALDE



Algumas alunas, algumas mães, poucos pais, sempre me perguntam, qual seria a hora ideal para fazer o desfralde (tirar a fralda) da criança. Nesse momento, é normal que as famílias e cuidadores tenham pressa para fazer isso e sempre é bom lembrar, que em alguns casos, a pressa é inimiga da educação. Portanto, nunca deve-se esquecer, que é a criança que deve ir fazendo essa passagem e será um processo natural do seu desenvolvimento. A interferência precoce dos pais, quase sempre não ajuda como eles gostariam de ajudar. A fralda não deve ser removida, ela deve ser deixada e a maturidade neurológica e afetiva da criança irá determinar este momento.
Recomenda-se que a que a fralda não seja tirada muito antes da criança completar dois anos de idade. Antes disso, é natural que ela não esteja preparada para este momento. É a partir do segundo ano de vida que a criança começa a se sentir capaz, útil e segura e o ambiente que ela está inserida é fundamental para este momento. Ela começa a ter noção que produz xixi e cocô. Nestes momentos, ela vai emitir sinais claros que o incomoda, onde a interferência do adulto será sempre vem vinda. É sinal de inteligência por parte dos pais, quando não forcam este momento, afim de não auto se frustrarem e para não criar traumas em seu filho. Não adianta forçar. Será natural.
Outro ponto importante é que os pais devem observar o comportamento dos seus filhos. Precisam ficar atento à capacidade de controle do esfíncter, ou seja, repare se a criança se queixa da fralda suja ou se avisa quando quer fazer suas necessidades. É comum que algumas se escondam em um canto da casa, outras se isolam, há as que se abaixam ou se agacham e estes são sinais que demonstram a consciência de suas eliminações e para tanto, estão se aprontando para começar o ritual do desfralde. Então, nada de forçar a criança a ir no vaso, nada de fazer piadas ou comparações, nada de chantagear, recompensar ou punir a criança para que ela faça suas necessidades, nada de criticá-la, chamando de “porquinho”, por exemplo, ou contar para outras pessoas na sua frente, sobre escapes ou comportamentos indesejados relacionados à sua fezes/urina ou citar o cocô usando-o como sinônimos em outros momentos.

Para começar, sempre faça o desfralde no período diurno, em um período do dia mais tranquilo para a criança. Evite por exemplo, um dia em que tenham visitas em casa ou outras crianças brincando. Sempre troque a fralda por uma peça similar: uma cueca ou uma calcinha. Durante todo o processo vá conversando com seu filho, explicando por exemplo, que que ele deve avisar quando quiser usar o banheiro e que você estará presente. É importante também, que os pais elogie quando a criança avisar a tempo de usar o banheiro, mas, se escapar, nunca deve se irritar. Acontece. Diga que, da próxima vez, ela deve avisar um pouquinho antes.

Contudo senhores pais, o tempo de desfralde varia de criança para criança. Vários fatores levam a esta variação, como por exemplo a rotina da casa, o exemplo que a criança tem, alimentação, variações do seu próprio intestino, entre outros. Pode levar poucos dias para uma criança ou meses para outras.
Quando perceber que o processo está estabilizado no período diurno, siga para o desfralde no período noturno. Se neste período, for mais demorado que o outro, não se assuste. Geralmente ele demora mais e pode ser necessário para algumas crianças de 6 meses a 2 anos e não esqueça, que o comportamento diurno, influenciará no comportamento noturno. Então, comece diminuindo a ingestão de líquidos, verifique a alimentação, antes de dormir, peça para ele fazer xixi, na madrugada, se possível, leve-o ao banheiro e assim, tente descobrir em quais horários na noite ele costuma fazer suas necessidades. Somente assim, ele vai aprendendo e mais tarde, irá sozinho, quando precisar. Precisamos no entanto, observar, que quando a criança, tem mais de 5 anos e ainda faz xixi na cama todos os dias, ou faz mais de uma vez por noite, pode ser caracterizado como enurese noturna, e é o momento de procurar um médico. 
Nunca devemos esquecer, que esse é um momento mais importante para a criança e não para os pais.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A DIFÍCIL HORA DE SABER PARAR



Antes de tudo, saber parar o que deve ser parado, é saúde mental. Saber a hora de parar, é tão importante quanto saber a hora de começar. Para as duas decisões, estão ligados, além do momento, como isso deve acontecer. Dificuldades assim, geram, inevitavelmente um sofrimento psíquico enorme e todo sofrimento psíquico não tratado, se transforma em doenças no corpo.

Todos nós temos questões a serem resolvidas, sejam elas diárias, sejam elas de um peso maior. Estas últimas, levam um tempo mais denso ou até mesmo uma vida inteira. Não podemos parar o mundo e ele não vai parar. Nós é que precisamos ver que é a hora de parar e para isso é importante pensar que parar não é perda de tempo. Parar, muitas vezes é o momento ideal para gerar forças e seguir em frente, em especial numa sociedade que alimenta e exige o frenesi da correria e da auto afirmação de que tudo esteja bem, numa sociedade onde parar, quase sempre é interpretado como fracasso e perda.

Parar comportamentos e torná-los consciente do quanto eles são prejudicais à nossa saúde psíquica é o grande diferenciador que nos faz entender que o problema não está na situação e sim nas nossas atitudes frente a elas. Parar na hora certa, é a busca da felicidade e vale lembrar que para Sigmund Freud, “a felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”. Muitas vezes essa procura esbarra-se na nossa incapacidade de pensar que parando, o mundo acaba, o sonho desmorona.

A maioria das pessoas que tem um vício, por exemplo, sabem que precisam parar e tem consciência do mal que isso lhes causam. Mas conseguir parar é o seu grande dilema. É interessante lembrarmos, que todos nós sabemos que sempre há uma saída para pararmos com aquilo que nos machuca, porém encontrar esta saída é dificuldade comum. Os pensamentos não ajudam, os medos também não. Porém, na maioria das vezes, sentimo-nos tão vítimas de nossa própria dor, que resistimos a ideia de que algo possa ser mudado, de que podemos parar algo. É sempre a hora ideal para buscarmos a flexibilidade de nossa rigidez, não tocada há anos.

Sentir-se no limite naquele relacionamento, é a dica para pará-lo. Sentir-se esgotado, sem a mesma vitalidade, sentir-se usado, é também um sinal importante para pará-lo. Da mesma forma, o trabalho precisa de atenção para identificarmos se não é a hora de pedir demissão. Tomar uma decisão de parar é mais racional do que ser forçado a tomá-la. Quantas vezes a decisão de parar que devia ser nossa, é feita por terceiros. Já pensou nisso?

Se analisarmos bem, sempre é hora de parar alguma questão que nos aflige. Pode ser uma amizade que só nos suga e não nos oferece nada; pode ser algumas relações sociais alheias às amorosas; alguns objetos velhos que levamos há décadas e nunca nos remete a bons acontecimentos; parar com atitudes que só afastam quem devia estar por perto e atrai quem devia estar longe. Sempre é hora de parar com a procrastinação, com a auto sabotagem e com os medos bobos que sempre atrapalham. Muitas vezes a questão é mais simples: a hora de parar de beber, de parar de falar, de parar de insistir ou a saber a hora de ir embora.

A hora de parar é denunciada ainda que não queiramos. O corpo fica responsável por dizer isso, as atitudes gritam que a hora chegou e claro, o emocional sofre e padece mais. Em muitos casos e em atitudes extremas, o suicídio é a triste saída que muitos encontram para estancar a dor e o sofrimento. Sem dúvidas existem saídas melhores e o segre
do é encontrá-las. Em todo ponto do caminho é ponto de chegada para decidirmos, por nós mesmos, parar. Parar o que está nos fazendo mal, parar com o que está sobrando em nossa vida. Nossa mente sempre pede descanso.

É importante também, compreendermos que muitas vezes, a nossa coragem está exatamente em parar ou nos afastar daquilo que nos causa sofrimento. Quase sempre, perdemos esse momento, seja por orgulho, por baixa autoestima ou até mesmo por teimosia e nesse impasse surge o risco de ficarmos insistindo naquilo que já acabou, que não faz mais parte de nossa história ou que não deve mais fazer. Nada dura para sempre e prender-se ao que já acabou é impedir que o novo chegue.

Não temos que ganhar sempre. Não iremos perder sempre. Não queira não parar nunca. A vida sempre pede uma parada. Ainda que demore, pare! Admita que aquele caminho terminou e começar outro é urgente.



Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

TRABALHANDO COM O MEDO INFANTIL




Senhores Pais, é natural e absolutamente normal que suas crianças pequenas sintam medo. Bem como, o nervosismo é um sentimento natural que ajuda a todos nós a lidar melhor com as novas experiências e dessa forma, nos ajuda a nos proteger do perigo.

Os medos das crianças pequenas, geralmente são bem específicos, como por exemplo, barulhos, insetos, escuridão, de ficar sozinhas entre outros. Outras crianças podem também sentir medo de situações novas ou de pessoas novas. Logicamente, esses medos vão desaparecendo na medida em que as crianças vão crescendo e ganhando mais idade e mais confiança nos seus atos, confiança essa, adquirida através das pessoas que a rodeiam e do ambiente em que a criança esteja inserida.

Portanto, é natural, que os medos irão desaparecendo aos poucos e esse tempo, pode variar de semanas, meses ou anos. Até que isso aconteça, é normal que a criança fique lembrando e repetindo sobre a situação ou objeto que a atemoriza. Isso poderá ser demonstrado através das brincadeiras, desenhos, atividades e até mesmo nas conversas que ela tenha. Fazendo isso, ele está encontrando uma saída para lidar com a questão, no caso o seu medo.

Na prática, como lidar melhor com tudo isso? Primeiramente jamais despreze o medo que sua criança sente. Neste sentido, desprezar é fazer pouco caso, fazer piada, dizer que não há nada de errado ou assustá-la mais ainda com a mesma situação, não ajuda em nada a criança. Conversar, dizer que está junto e passar a situação com a criança, tem muito mais efeito positivo do que se pensa. Depois, conversar sobre o medo ou a situação ocorrida, também terá um impacto na sua formação, extremamente positivo.

Outra dica importante para ser usada, é resolver o medo com o seu filho e não por ele. Muitos pais resolvem a situação pelos filhos e assim, eles sempre recorrem aos pais para corrigirem os seus medos. O choro muitas vezes, é um sinal de pânico para os pais, fazendo com que algumas decisões sejam tomadas de forma automática. Resolvendo a situação que lhes causam medo junto com suas crianças, fazem com que elas descubram uma maneira de solucionar seus medos com mais controle e auto estima sobre aquilo que lhes assustam. Vale lembrar, que na maioria das situações que seus filhos irão enfrentar, você poderá não estar presente.

Senhores Pais, cuidado para não passar para os seus filhos os seus próprios medos. Quando isso não for possível, explique que mesmo tendo medo foi necessário ser feito determinada ação e o bem que isso causa. O que não é saudável, é o filho se espelhar em determinado comportamento dos seus pais, pautado em medo e pânico. Faça para ele ver, deixe você ser a “cobaia” em algumas situações e isso causará mais conforto e mais segurança ao seu filho. Se meus pais podem, com certeza eu também posso.

E por fim, não exagere na proteção ao seu filho, na tentativa de que ele não vivencie nenhuma situação que lhe cause medo. É comum, que uma das primeiras soluções quando o medo aparece é evitar a exposição da criança, escondendo-a ou disfarçando a realidade. É a realidade que fará você conhecer seu filho melhor, o seu comportamento e os seus medos. Isso também fará com ele aprenda a se defender melhor. A criança irá andar melhor e até correr, na medida em que tentou fazer isso e isso lhe rendeu por certo, algumas quedas e alguns arranhões. Evitar isso, é atrasar o seu caminhar e o seu correr do seu filho.

Por outro lado, sempre fique atento ao que seu filho está sendo exposto diariamente, pois esses estímulos podem causar-lhes medos exagerados e infundados. O acompanhamento dos pais sobre seus filhos, podem ajudar em muito no seu desenvolvimento, além de evitar muitas práticas nocivas ao seu crescimento.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 23 de setembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA AUTOCONFIANÇA PARA A CRIANÇA






Tarefa comum para os pais, é a preocupação com a autoestima de seus filhos. E é sem dúvida uma questão que de fato requer atenção. 

A autoestima está ligada com a auto confiança da criança que por sua vez, está ligada a timidez, quase sempre comum em suas atitudes. Autoconfiança é o ingrediente base em todos os aspectos do desenvolvimento saudável da criança. Ela interfere em seu êxito escolar, em seus relacionamento com outras crianças e é também ponto de corte para que ela encare forma equilibrada os desafios do viver em sociedade: partilhar, doar, alteridade, competir, fazer amigos e lidar com frustrações.

Para ajudar o seu filho nesse processo, o primeiro passo decisivo, é os pais serem o modelo a ser seguido pela criança. Lembre-se que as crianças sempre aprendem observando o modelo praticado pelos adultos que o rodeiam. Atitudes adultas, que não ensinem as crianças a lidarem com raiva, frustração, sofrimento, resiliência entre outros, devem ser evitadas diante delas. Não ajudam em nada na formação de uma criança autoconfiante. O referencial de valores, deve ser primeiramente os pais, ou aqueles que o educam em sua primeira formação. Dalí, partirá uma criança com base emocional estabelecida para um vida inteira, que poderá ser bem ou mal construída.

Em segundo momento, crie oportunidades e facilite maneiras para seu filho brincar. A melhor terapia para uma criança ainda é o brincar. No brincar a criança desenvolve a alteridade, a criatividade, aprende a experimentar novos papéis e principalmente a elaborar sentimentos mais complicados na sua formação psicológica. É brincando que a criança tem a rica oportunidade de falar de forma séria com os adultos que estão à sua volta. A felicidade que uma criança demonstra quando brinca, está mais ligado ao brincar, do que ao brinquedo. Na brincadeira a criança aprende a ser, em detrimento do ter.

Sempre estimule seu filho a realizar tarefas que ele ainda está se esforçando para realizar. Isso inclui desde as palavras que precisam ser ensinadas a pequenas atividades, que por uma série de cuidados, os pais acabam fazendo pelos seus filhos. Fazer uma tarefa em partes é mais rico do que não fazer parte alguma de uma tarefa. A construção da autoconfiança passa pela realização de pequenas tarefas, que merecem a cada conquista, elogio e reconhecimento.  

E por fim, estabeleça rotinas para seu filho. É dentro de casa, que deve ser o local primeiro para que a criança internalize os cuidados, deveres e consequências de seus atos. A rotina deve ser estabelecida para que ela sinta-se mais segura e mais confiante. É preciso que a criança tenha hora para se alimentar, dormir, estudar, brincar e tomar banho. Pequenas atitudes feitas de forma organizada, trará consequências valorosas aquilo que se quer ensinar para a criança. Dessa forma, a criança trabalha a sua responsabilidade e mais na frente, a capacidade de trabalhar com os imprevistos que serão inevitáveis.

Na fase adulta, é a autoestima que nos imuniza e a autoconfiança que nos encoraja. Quando adulto, é a autoconfiança que nos dá a certeza que vamos alcançar nossas metas e realizar nossos projetos, fazendo com que não desistamos deles. É quando adultos também, que a autoestima faz com que tenhamos consciência do nosso valor e das necessidades de mudanças que precisamos fazer. Esses dois ingredientes sempre nos faz bem.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O MINISTÉRIO DA FAMÍLIA ADVERTE: AVÓS SÃO FUNDAMENTAIS A NETO


Os avós são exemplos de afeto e generosidade, em sua maioria. Possuem a árdua missão de burlar a educação dos netos e nisso eles tem diploma de doutorado. Eles já exerceram o papel de pais educando seus filhos, e por isso agora, é a hora de desfrutar ensinando, sem a necessidade de impor a sua autoridade ou de cumprir o papel tutorial. Eles podem tudo, sem dever nada a ninguém. Eles estão juntos para compartilhar momentos inesquecíveis com seus netos e assim, construir com eles, um breve tempo que ainda lhe resta. A figura dos avós ganha autoridade somente pelo decreto do amor e, muitas vezes, a bondade nas palavras de um avô consegue abrandar e convencer os ouvidos dos netos. 

Os avós podem tudo e são completos em risadas, histórias, guloseimas, segredos, simpatia e amor. Mas principalmente, os avós têm carinho em quantidades industriais para distribuir a todos. Eles são sinônimo de uma união de gerações: filhos, netos e bisnetos em sua volta, como quem cumprindo o papel vitorioso de ter chegado até ali. Os avós possuem a capacidade única de se materializarem em presentes, doces, permissões e um consentimento desmedido que sempre fazem esgotar a paciência dos pais.

Já notaram que os avós possuem um cheiro característico? As cores, os sabores, os risos e suas linguagens envolvem magia e são com eles que compartilhamos as nossas tradições e cultura. Como raízes, eles permanecem firmes vendo seus galhos crescerem com flores e frutos. Nem todos irão crescer, como sonharam, mas todos irão crescer e tudo isso com muito carinho e dedicação. O perdão dos avós tem o peso maior, porque eles sabem perfeitamente como foram seus pais e sendo assim, entendem que nada possui o poder transformador maior que o amor.

Estranham-se muito com a frenética vida dos dias atuais e lamentam a substituição de hábitos e valores com os quais foram educados. Seus cabelos brancos traduzem um tempo, onde as pessoas construíam relações diferentes e com isso eram diferentes. Sentem-se, às vezes, “perdidos” com as tecnologias e não raro condenam os comportamentos aos quais a sociedade contemporânea se sujeita. 

Possuem ainda a leve sensação de não verem realizado em seus netos, todos os planos que sonharam. Seus sonhos agora, se traduzem em saúde, força e equilíbrio para ficar de pé. Acreditam que a vida passou depressa demais e metade do queriam ver, não viram. Grande parte do que torceram para acontecer, não aconteceu. Contudo, trazem a certeza que o legado que construíram é maior do que a sua própria história.

Você tem avós por perto? Corre lá. Dá um abraço. Deixa eles saberem que ali do lado, tem alguém que os ama e que valoriza a sabedoria que o tempo lhes presenteou. Escute. Sorria. Eles não precisam de muito e querem apenas você perto deles. Eles têm a certeza de que tem mais passado do que futuro e por isso mesmo querem aproveitar o tempo que lhes resta. Aproveite. Logo, você sentirá falta.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 11 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA E O MMA




Qualquer MMA é horroroso na minha opinião, seja ele masculino ou feminino. Proibiram a rinha de galos e liberaram a rinha de humanos. Ver dois homens ou duas mulheres se quebrando, sangue no chão, rostos inchados e com cicatriz e sentir prazer nisso é no mínimo um desvio de personalidade. É o masoquismo/sadismo diário necessário para a realização de alguns instintos. Chamar essa prática de esporte me parece mais um incentivo a violência. Quais são os benefícios sociais da prática do MMA? O financeiro nós já sabemos.

A propagação de esportes de contato como o boxe e o MMA pode aumentar os casos de mal de Parkinson. Especialistas afirmam que há uma relação entre o impacto repetitivo de chutes e socos na cabeça com o fato de doenças neurodegenerativas - como mal de Alzheimer, demência do pugilista e mal de Parkinson - serem mais recorrentes e surgirem mais precocemente entre lutadores.

Sabemos que os praticantes são adultos e logicamente assumem todo o risco possível quando o praticam. Também não podemos negar que há – poucos – mas há, benefícios sociais. Existem projetos sociais que foram criados a partir de sua prática e estes projetos ainda que de forma pequena, tiram crianças e adolescentes das ruas e das drogas.  

Porém, é fato que o seu incentivo à violência existe e de forma muito forte. O MMA, por ser uma luta em que os contendores usam de diversas técnicas e golpes, é polêmico. Quem participa dessa modalidade, como lutador ou até como professor, vê benefícios na sua prática. Mas quem lida com o corpo humano, como um médico, vê o MMA como um malefício à saúde.

Não se pode negar que violência neste esporte se manifesta, se produz e se reproduz a partir de razões que muitas vezes não são levadas em conta, quando se olha apenas o lado entretenimento desta prática. A violência, é um fenômeno que está tanto no esporte quanto fora dele, mas caberia ao esporte não incentivá-la ou reproduzi-la. A violência no esporte é violência como em qualquer outro ambiente: no ambiente doméstico, na escola, no meio urbano. É violência, e deve ser entendida e combatida como tal.

Assim, devemos pensar que nessa espécie de “jogo” que se forma, é preciso pensar sobre esporte e violência, e nunca confundir que uma coisa não pode estar associada a outra. Não podemos entender, que assistir uma luta de MMA seja apenas um programa que se controla apenas por um controle remoto. A violência é mais complexa do que pensamos e seus efeitos podem ser mais desastrosos do que imaginemos. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

A NEGAÇÃO SOB A LUZ DA PSICANÁLISE

  A citação de Freud, nos oferece uma metáfora precisa para compreendermos um dos mecanismos centrais do funcionamento psíquico: a negação. ...