sábado, 8 de setembro de 2018

PESSOAS DE VIDA INTERESSANTE



Já observou pessoas de vidas interessantes? É tão bom conviver com elas. Pessoas com vidas interessantes não tem chilique nem fazem cena. Não enchem “o saco” dos outros. Não cuidam da vida das outras pessoas e nem fazem fofocas. Pessoas de vida interessante, elogiam mais que criticam, são simples, são humildes, torcem pelo sucesso dos outros e vibram junto com as suas conquistas. Ao invés de reclamar, apontam soluções e ao invés de ódio, espalham gentilezas.

Elas trocam de plano, quando o plano não dá certo e sempre enxergam uma solução quando os outros enxergam problemas. Sabe, pessoas com vida interessante investem em seus projetos, mesmo que eles não tenham garantia de êxito. Elas interessam por pessoas que pensam diferente dela e respeitam a opinião que não é compatível com a sua. Pessoas interessantes entendem que a diversidade e o diferente são sempre riqueza e não problema. Quando uma pessoa tem vida interessante, ela aceita as família diferentes da sua, respeita as variadas formas de amar, respeita o ponto de vista político e religioso que sejam diferentes dos seus.

Pessoas assim, aceitam convite para fazer o que nunca fizeram, estão sempre dispostos a mudar de cor, de rota, do prato preferido e de situações que não encontram mais significados. Pessoas de vida interessante começam do zero inúmeras vezes e isso faz com que se tornem fortes e resilientes. Geralmente não se assustam com a passagem do tempo, porque elas sabem aproveitá-lo muito bem. Pessoas de vida interessante sempre viajam, para lugares diferentes e para dentro de si mesmas. Estão sempre dispostas a conhecer algo novo, a desenvolver uma nova habilidade e a ensinar o que sabem.    

Pessoas que tem vida interessante, tem mente aberta, gostam de leitura, de ouvir as pessoas e de um bom papo. Fazem sexo, fazem amor, fazem amigos, fazem o bem e dão um significado muito forte para a sua vida, por isso faz dela uma vida interessante. São pessoas que lidam sempre com a verdade, com a sensatez e valorização do outro. Sempre tem em suas mãos um punhado de vontades e na cabeça um punhado de ideias. Sempre tem a certeza que não tem nada a perder e se perder, são maduras para continuar em frente.

Pessoas com vida interessante amam a si mesmas antes de tudo. Assim conseguem amar os outros. São pessoas que lidam bem com sua solidão e descobrem muito cedo que não precisam ter um relacionamento para ser feliz. Elas são felizes e por isso conseguem se relacionar. Mas se isso não acontecer, está tudo bem. Aprendem que sendo interessantes, sempre se conectam com outras pessoas também interessantes. Cuidam se sua saúde mental e física, preocupam-se em fazer o bem e assim, o bem sempre lhes encontram.

As pessoas que fazem de suas vidas algo interessante, se cuidam, se amam do jeito que são, se colocam no colo, se dão presente, se mimam e conseguem rir de si mesmo. Entendem bem depressa que ser interessante é um problema seu e o maior beneficiado é ele próprio. Entende também que ser interessante é um presente que deve se dar a si mesmo e não aos outros.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 2 de setembro de 2018

TENHO ORGULHO DE QUEM ME TORNEI?



Quando pensamos em quem somos, é inevitável que pensemos em quem nos tornamos. Somos frutos de uma construção e de um processo de desconstrução que é feito diariamente, a todo instante, em todo o tempo. Descobrimos que não somos o que éramos, mas não somos ainda o que gostaríamos de ser: isso é um processo que vai nos criando e nos ressignificando. Assim, vamos gostando ou não, cada vez mais da pessoa que vamos nos tornando.

Tornar-se alguém, não se trata apenas de crescer fisicamente, de pintar os cabelos, fazer dieta ou ir treinar na academia. Tornar-se o que se deseja, é preciso crescer na alma, se ajustar criativamente e sentir-se bem consigo mesmo. É o ato de olhar-se nos olhos de vez em quando, de se interrogar e auto refletir. É aceitar os erros, refazer o plano e seguir em frente. Apesar das escolhas e das decisões tomadas no passado, ter sempre bem claro, que se tornar o que se deseja é um risco, é cansativo e exaustivo.

Nossos conceitos mudam e a nossa visão amplia. Nesse processo há muros que nos privam de muita coisa mas há muitas pontes que nos levam a outros mundos. Vamos construindo umas marcas, vamos ganhando outras e em todas elas os arranhões ficam. Os machucados são inevitáveis e as cicatrizes vão se tornando peles da resistência e isso nos torna mais forte do que erámos há um tempo atrás.

Vamos criando o nosso estilo de ser e de viver. Algumas opiniões não tem mais importância e aquilo que magoava antes, hoje não incomoda nenhum pouco. Isso é auto estima e ela vem com tempo e com as experiências que vida vai nos ofertando.  Isso nos leva a entender e aprender a ficar mais perto do nosso ideal e a distanciar do ideal do outros. Este ideal, tanto faz. É com o tempo que vamos aprendendo a dar satisfações a nossa consciência e vamos descobrindo que ela nem dói tanto. Vamos não tendo mais vergonha da simplicidade que temos e do que conseguimos construir.

As pessoas que passam pela nossa vida ajudaram também a nos tornar quem somos. Do mesmo modo, as pessoas que se foram também ajudaram neste crescimento Isso nos ensina que nenhuma companhia é eterna e nenhum lugar é o único, dessa feita, o importante é aproveitar o momento ao máximo. São com pessoas do nosso lado é que vamos dando valor aos nossos sonhos e perseguindo as metas que colocamos para esta construção. Vamos descobrindo quais são os amigos verdadeiros, aqueles que vamos levar pra toda a vida e isso não quer dizer, que não vamos encontrando novos bons e verdadeiros amigos pelo caminho.

Nosso crescimento nos permite pisar em outros mundos. Permitimos que outros mundos pisem em nosso território também. A auto confiança vai nos tornando mais flexíveis, mais maleáveis e mais resilientes. Aprendemos a ser mais reservados, a expor menos a nossa individualidade, bem como a expor menos o outro e as suas dores. Vamos entendendo a importância de conhecer pessoas, de abrir novas oportunidades com elas e a compreender que uma pessoa pode significar muito para o nosso futuro.

Vamos tomando consciência que somos o resultado dos machucados, dos banhos de chuva e dos resfriados. Somos frutos das brincadeiras de ruas, da primeira viagem sozinho, das vacinas que recebemos, das canções que cantaram pra nós e das canções que aprendemos a cantar. Nos tornamos quem somos, através do primeiro emprego, dos professores que tivemos e das mortes internas que somente nós, sentimos a dor.

Somos o resultado de dificuldades diárias, de conquistas difíceis e de muitas frustrações. Somos o que somos, porque somos frutos da influência da família dos amigos, das pessoas que nos rodeiam e dos amores que construímos ou que deixamos de construir. Somos também, um pouco de decepções, de lágrimas e de risos. Nos tornamos na maturidade inevitável que a vida oferece e esta maturidade nos ensina a nos incomodar menos com o que os outros pensam sobre nós e mais com o que pensamos sobre nós mesmo. Somos um pouco da frieza das rejeições e um pouco da dureza das pancadas que nos deram. Mas que bom, que ainda assim, somos candura, aceitação e leveza.

Chegar a ser o que se deseja é um caminho que se deve percorrer, às vezes sozinho, muito pouco acompanhado. Ser o que se deseja é também uma escolha nem sempre fácil, nem sempre tranquila, mas recompensador. É um caminho que de orgulho próprio, que destoam de todos os outros mas que é o seu caminho. É a descoberta de planos grandes, de vontades incompreendidas. É uma construção única, feita de metades e de completos. Feito de ser, com todo o ser.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

CUIDE DAS SUAS DORES EMOCIONAIS



Sabe, inevitavelmente todos nós passamos por alguns momentos difíceis na vida, momentos que se pudéssemos escolher, estariam descartados do nosso caminho. É claro, que estas dores nos ensinam muito, mas só iremos descobrir a sua importância algum tempo depois. E é assim que tem que ser.
Essas dores, insistem sempre em dizer que somos vulneráveis, que nossa estrutura não é de ferro e que o google não sabe nos ensinar como lidar com elas.
São frustrações, perdas, traumas, pancadas, vazios, desprezos e decepções originadas em várias situações que enfrentamos, que nos aparecem e que nós, somente nós, é que temos que lidar com estas lacunas agudas do emocional. Somos afetados negativamente no nosso dia a dia, e como se não bastasse o passado, vamos sentindo um enorme pesar ocasionado pelas expectativas do futuro. Sim, estamos mais pesados, mais medrosos e mais fragilizados. Estamos menos felizes?
Ocasionalmente sentimos dores que não identificamos onde elas estão. São as dores emocionais. São as dores da alma. O peito dói, o corpo sente, o coração gela e os olhos enchem de lágrimas e a saída é o choro. Por certo, são as lágrimas do peso e de um passado mal resolvido. Percebemos que o dia não está triste, que as pessoas não estão tristes, lá fora há vida, há liberdade, mas aqui dentro está frio e escuro. É a hora que precisamos aprender, que ficar triste não significa ser fraco.
Devemos ter a consciência que não temos a obrigação de perdoar as pessoas e o passado, mas precisamos aprender a perdoar a nós mesmos. Não precisamos amar a todos, nem tão pouco carregar a dor dos outros, mas somos os únicos responsáveis pela construção de quem queremos ser. Precisamos nos acostumar, que ao nosso lado terão pessoas que não aprenderam aplaudir, elogiar, reconhecer, incentivar e isso por vezes dói. Acredite: algumas pessoas ainda não aprenderam a se amar, não queira portanto, que eles te amem.  
Essas mesmas dores vão nos ensinando que amor é ferramenta de mão dupla e que se não for assim, uma hora vai doer. A dureza do desprezo, nos ensina que dedicação demais requer controle da nossa parte, do contrário, vai doer também. Esse peso nas costas, nos ensina que atenção e cuidado nos elevam a auto estima, mas se não é reciproco, vai aos poucos perdendo o sentido. Descobrimos que temos que selecionar o que vamos engolir e com quem vamos andar. Essa mesma dor nos ensina que amor próprio com pitadas de egoísmos, nunca nos fazem mal.
Sabe, há pessoas que ainda se incomodam com a sua felicidade e isso não pode ter fazer sofrer. A sua vida, não pode ser pesada porque as pessoas que te cercam fazem dela uma vida pesada. A tristeza é parte da vida, e a dor emocional também faz parte dela e não há exceções para ninguém. O que acontece é que aprendemos a fingir uma vida feliz, sem dores, aprendendo desde cedo, que, negar a tristeza é mais admirável do que reconhece-la e aprender a conviver com ela.
Não, não se apaga o passado de uma hora pra outra, mas precisamos viver e construir o futuro. Aprenda, que, tudo que não te faz crescer, deve ser cortado da sua vida, isso vale para pessoas, emprego, amores, objetos e outros. Você deve cortar, ou vai ter causar mais dor, mais cedo ou mais tarde. Não se exija demais e não deixem que exijam de você além do que você consegue entregar. Não carregue a capa do super-herói e nem queira a vida perfeita das redes sociais. Sejamos reais.
Aprenda a deixar ir, quem te puxa para trás. Deixa ficar, só quem te leva pra frente. Isso vai ressignificando as feridas e amenizando as dores, que insistem em te lembrar que elas ainda não foram saradas. Deixe de se atropelar tanto dê a você mesmo o valor que você tanto espera que os outros deem a você.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

QUEM É SEU PAI?


Talvez não é o homem que você sonhou e talvez você nunca o viu, com uma possibilidade enorme de você nunca o conhecer. Além disso, quem disse que você quer conhece-lo?  Quem sabe nunca te disseram dele e antes de você nascer ele já tinha morrido e só restaram as suas imaginações. Pode ser que ele te decepcione sempre e você sinta muita vergonha dele. Pode acontecer dele ser alcoolista e de você sofrer muito por isso. Ele nunca te colocou no colo, nunca deu um abraço, nunca cantou parabéns e cortou um bolo simples, daqueles feitos em casa. Eu sei, você queria não era o bolo, era o carinho.

É possível que ele tenha abandonado sua mãe, seus irmãos, sua casa e vocês tiveram que refazer a vida sem ele por perto. E somente agora, você entende, que isso foi bom sabia?! Pode ser que ele que cuidou se você, fez a mamadeira, trocou as fraldas e levou para tomar as vacinas, porque vocês é foram abandonados. Pode ter acontecido, de você ter conhecido ele já adulto e não ter sentido nenhuma emoção com isso. Se foi assim, não se culpe, você não é obrigado a amá-lo. Quem sabe, você o vê com frequência e nem sabe que vocês possuem algum laço afetivo além de serem apenas conhecidos. Pode ser que ele esteja preso e isso te mata aos poucos.

Há uma possibilidade enorme, dele ser a apresentação de sua mãe a você, e sabe, isso vem dando muito certo, tanto que você já gosta muito dele. Outra possibilidade, é dele ser, aquele que você considera muito, embora vocês dois não tenham nenhum laço biológico e nem morem juntos. Tudo bem, vocês se acharam pelo caminho. Pode até ser, que os seus irmãos, foi ele que te apresentou. Ainda há uma possibilidade, de na tua casa, terem dois e ter muita felicidade neste lar.

Pode ser também, que ele acompanhou sua mãe durante a gestação e quando você nasceu e abriu os olhos lá estava ele sobre você. Quem sabe ele te mimou, te encheu de presentes, te levou na escola, no dentista, te ensinou a andar de bicicleta, soltou pipa com você ou ajudou a pentear o cabelo das bonecas. Pode até ser que você tenha Junior no nome. Ele pode ser seu herói, mas, pode ser o seu bandido.

Quem sabe, quando você passou no vestibular ele estava junto, quando você entrou na igreja, ele foi seu par até o altar ou ainda, no dia da formatura você entregou o capelo a ele. É possível também que quando você mais precisou, ele não estava e aquele conselho que iria te salvar, foi o google que te deu. Será se ele é teu exemplo a ser seguido ou será se, o que te ajudou, foi não ter seguido os passos dele? Você talvez sofre porque ele não estudou e hoje tem algumas dificuldades decorrentes disso. Por outro lado, quem sabe, você agradece, porque ele te proporcionou outra realidade.

Pode ser que ele, esteja te dando muito trabalho, pois sua memória, agilidade e raciocínio estão morrendo e você quer tanto que seu filho conheça ele. Será se vai dar tempo? Quem sabe você está muito feliz em dar a ele um conforto a mais, ou não, por tudo que ele fez, é melhor não dividir o que é seu com ele. Tudo bem, eu compreendo sua história: ele não faz parte dela.  Pode ser que tudo o que você conquistou até agora, era para ele, pois era isso que ele sonhava. Quem sabe, agora, você só queria ler isso junto com ele, mas ele não está do seu lado.

Provavelmente, você tenha a consciência, que a sua estrada é a mesma dele, só que você está chegando e ele está indo. Há uma possibilidade, de vir a tua memória, a trágica notícia, o choro, o dia do velório e o sepultamento. Mas é possível, também, que você esteja se perguntando: como será esse momento? 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 21 de julho de 2018

TUA FAMÍLIA TE ADOECE?




Definitivamente, tenho aprendido que família é o local onde nos sentimos bem, onde nos sentimos amados, respeitados, acolhidos e valorizados. Não é somente o laço sanguíneo ou biológico, e com isso, estou dizendo que não importa se nesta casa onde você se sinta bem, tenha ali dois pais, duas mães, uma avó, uma mãe, um pai, alguns cuidando, entre outros. Portanto, muito além da estrutura familiar em que você viva, as atitudes de seus membros são determinantes para o bem estar das sua construção como ser humano.

Diante deste cenário, precisamos pensar que existem famílias que fazem com que você se sinta exatamente o oposto. Infelizmente algumas pessoas podem cruzar o seu caminho e contribuir para que você se sinta exatamente fora deste cenário. Não se engane: A família pode ser um dos lugares mais comuns, onde se desenvolvem as relações que nos adoecem. Seria normal uma situação dessas, se essas pessoas não fossem aquelas que fazem parte da sua “família”.

Aprenda, e nunca esqueça, que há algumas relações familiares que são tóxicas, que matam aos poucos. Talvez você já se identificou em um relação assim e nem sempre consegue lidar com uma família dentro destes moldes. Aprenda que você nunca deve ser obrigado a amar quem te humilha, a respeitar quem te desestimula ou proteger quem te agride. Isso não é família. Depois de ter esta consciência, você descobrirá que fica mais difícil esta relação, porque quase sempre elas não podem ser desfeitas. É lógico dizer, que é mais fácil encerrar uma relação com um namorado, parceiro ou amigo, do que com um membro de sua família, tais como irmãos, sogros, etc.

Aprendemos que família é muito importante em nossa formação e isto está correto. É através dela que somos educados, desenvolvemos nossa personalidade e é através deste ninho, chamado lar, que adquirimos as ferramentas necessárias para lidar com o mundo lá fora. Justamente por tudo isso é que temos a dificuldade de entender, que algumas relações familiares nos fazem mal e promovem um mal estar tóxico e adoecedor.

Nos tempos atuais, sabemos que educar os filhos e fazer deles cidadãos conscientes e fortes, estão entre as aquisições mais caras ao longo de toda uma vida. Esse preço não é apenas do ponto de vista financeiro, mas é muito maior, do ponto de vista emocional, de significados e de influências. Em muitas delas, esses valores são confundidos com superproteção, amor em excesso, projeções frustradas e a necessidade da realização dos projetos dos pais sem se preocuparem com os projetos dos filhos. Aprenda a dizer eu me amo, antes de aprender a dizer eu te amo. Isso fará uma grande diferença em suas decisões para toda a vida.

Aprenda a fugir das pressões em realizar os planos dos outros, nem tão pouco sentir-se obrigado a realizar os seus projetos no tempo que os outros determinaram. Algumas famílias, colocam em seus membros a necessidade de serem troféus afim de serem apenas exibidos: precisam passar no vestibular na primeira vez; precisam terminar a faculdade até idade tal; a aprovação no concurso precisa ser de primeira e as perdas e erros não podem ser tolerados em nenhuma tentativa. Para! Isso está te matando. A quem se presta esta perfeição toda? Tá tudo certo não ganhar sempre.

A sua autoestima e o seu amor próprio, devem ser uma receita a ser cultivada diariamente e cultivada por você. Claro, que se você está rodeado de familiares que só te fazem mal, esses cuidados preventivos vão perdendo o sentido. Pare e pense, como fica complicado para você, perceber o seu valor, quando as pessoas que convivem com você, estão ali para te criticar, humilhar, rotular e te darem cartas diárias de descrédito. Vai ser confuso para você, entender o quanto você vale, em casamento falido, em um relacionamento abusivo ou em uma família, onde elogios, reconhecimentos e abraços não existem.

Numa relação familiar tóxica, fica complicado enxergar a sua beleza, a sua inteligência e a sua capacidade de vencer. Onde há inferiorização, há isolamento, há saúde mental confusa. Vai doer abrir mão de quem te machuca, assim como dói não saber se você é uma pessoa incrível ou um lixo. Vai doer cortar a chupeta, mas é necessário.

Com o tempo aprendemos que precisamos afastar de quem nos anula – mesmo que seja a família – para lembramos o quanto a gente vale.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

PRESTE ATENÇÃO EM VOCÊ





Preste atenção em você. A vida nem sempre é um conto de fadas, mas não pode ser considerada por você, como um conto de falhas. Desde cedo, não somos ensinados a cuidar de nossa saúde mental, de nossas emoções e chega um momento que você pode não suportar carregar tantas dores sozinho. Não carregue o prêmio do “bonzinho”.

Não tem nenhum problema ficar longe de alguém que te feriu, que te humilhou ou que te fez sentir menor, te fez sentir inferiorizado. Dê a distância que o outro solicita e respeite-se. Reconheça o seu lugar no mundo e reconheça que nem sempre temos lugar na vida dos outros, neste mundo. Cerque-se de pessoas que reconhecem o seu valor e vacine-se contra aquelas que te fazem sentir um lixo. Aprenda a deixar ir tudo aquilo que não faz bem e aproveite as novas oportunidades que vão chegando sempre. É necessário aprender a ver as entre linhas.

Não tem nenhum problema se você não consegue perdoar. Trabalhe antes o seu auto perdão e cuide de sua saúde emocional. Deixe leve a sua cabeça, diminua as suas dores e quando for preciso perdoar o tempo, as pessoas e os fatos, isso acontecerá por si mesmo. Não tenha a obrigação de amar alguém para ser feliz, até porque a felicidade não é uma obrigação que devemos colocar nas mãos dos outros.

Evite comparar-se com os outros. Na maioria das vezes, as comparações nunca são saudáveis e desde muito pequeno, somos vítimas de comparações para que nos tornemos iguais aos outros, a ter o que os outros têm, a competir com o outro, a ter as mesmas qualidades que os outros têm, mas não somos ensinados a valorizar o que somos e o que temos. Isso sempre acaba com a nossa felicidade. As comparações roubam nossa felicidade e a nossa capacidade de auto se valorizar.

Não se culpe por não ter conseguido o que outro conseguiu com a mesma idade que você tem. Não chore debaixo do chuveiro por achar que faz tudo errado e que nada dá certo pra você. Embora seja parecido, o tempo tem um compasso para cada um de nós e entender esse compasso é um processo doloroso. Ninguém deve ser obrigado a ser feliz no tempo dos outros. Saiba que o outro chora também por dores diferentes, por feridas que ainda não sararam e por faltas que ainda não foram substituídas.

Não se desespere por não controlar tudo o que acontece com você. Não controlamos mesmo e isso é muito bom. Viver para os outros é bem mais caro do que viver para nós mesmos. Quanto mais maturidade vamos alcançando, mais difícil fica, para nos encaixar em padrões que os outros criaram. Evite cobrar todas as explicações da vida e deixe que ela nos apresente algumas surpresas. Quando a saúde emocional não vai bem, o corpo paga o preço, um alto preço.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 19 de junho de 2018

SUICÍDIO NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA




O suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência e a tentativa de autoextermínio a principal causa de emergência psiquiátrica em hospitais gerais do Brasil. Perde apenas para os homicídios e para o trânsito.
 


Nos últimos 10 anos, têm aumentado as taxas de tentativa de suicídio e suicídio consumado em jovens. Nas duas últimas décadas, o índice de suicídios aumentou em 90% bem como a ideação suicida. O número de crianças e jovens que se auto mutilam tem crescido de forma alarmante nas escolas e universidades e nós precisamos falar disso e buscar cada vez mais a prevenção contra este comportamento. 

No Brasil, a taxa de suicídio em jovens entre 15 a 24 anos aumento 20 vezes de 1980 para 2000, principalmente entre homens (Wang, Bertolote, 2005). 98% das pessoas que cometem suicídio apresentam algum transtorno mental à época do Suicídio (Flesmann, 2002), especialmente transtorno do humor (depressão, transtorno bipolar, etc). 

Por outro lado, nem todo suicida tem diagnóstico prévio, ou sequer um comportamento que o denuncie. Mais de 70% das crianças e adolescentes com transtornos de humor grave não apresentam diagnóstico e muito menos um tratamento adequado. Isso nos alerta para não nos deixarmos levar pelas crenças e mitos que rodeiam os comportamentos suicidas.

Os fatores protetores precisam ser fortalecidos, o apoio dado pela família, principalmente. A escola também precisa estar presente e sobretudo, escutar e estar à disposição de quem precisa. O apoio à família que é vítima de uma pessoa que se suicidou precisa também ser presente e eficiente. É importante refletir que o suicida não quer morrer e sim parar de sofrer e para isso o suicídio é visto como uma solução.

Contudo, para aquele que tira sua vida, a morte é uma saída definitiva para algo que poderia ser temporário.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

O CIÚME E SUAS AMEAÇAS

  O ciúme costuma ser tratado apenas como prova de amor, mas, para a psicanálise, ele revela conflitos muito mais profundos. Sigmund Freud, ...