sábado, 3 de novembro de 2018

O FASCÍNIO POR HUMILHAR




Não se engane: Quanto melhor você tratar as pessoas, mais autoestima você tem. Só humilha as pessoas, em especial as mais humildes e aqueles são diferentes dela, as pessoas inseguras quanto ao que elas são e aos seus valores. Não considerar as pessoas que convivem de forma diferente da sua, é uma demonstração clara de baixa autoestima e de fraqueza emocional. Pessoas grandes respeitam e valorizam os seus semelhantes.

Uma autoestima elevada e saudável não está relacionada a esse tipo de comportamento, mas pelo contrário, quem é seguro se si, promove quem está a sua volta a ser sempre uma pessoa melhor. Ter autoestima, não tem a ver com bens materiais, status ou beleza – isso está relacionado com a vaidade e vaidade é sempre externo. A autoestima, no entanto, é um processo interno, é individual, é construção íntima e é feita sem máscaras.

A insegurança geralmente gera o fascínio pela necessidade de oprimir o outro, de silenciá-lo. A insegurança gera a necessidade de demonstrar o tempo todo, a autoridade e o poder, muito mais para convencer a si mesmo, do que para convencer os outros. Além do medo incontrolável de rejeição, essas pessoas, que sentem prazer em humilhar seus semelhantes, possui uma pobreza gigantesca de entendimento, acerca da qualidade de quem lhes rodeiam, mas acima de tudo, possui uma gigantesca pobreza de consciência em entender que a melhor maneira de ser grande é fazer com o que o meu semelhante cresça também. Pense nisso! 

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O PODER DA DECEPÇÃO



Com certeza, cada um de nós conheça uma pessoa que já tenha se decepcionado. É provável, que você já tenha se decepcionado e quem sabe, não apenas um vez. A decepção faz parte do nosso crescimento como ser humano e é inevitável, que durante a nossa vida, não passemos por isso. Não há nada de novo nesse processo. Novo, deve ser, o que fazemos, quando somos decepcionados.

Crescemos com algumas ideias que nos ensinaram e elas tendem se fixar em nossa formação: de que não vamos nos frustrar, que vamos conhecer o par perfeito, que teremos os melhores amigos, o melhor emprego e a família perfeita. E isso pode mesmo acontecer. Porém, precisamos entender, que na vida real, as nossas histórias apresentam alguns desvios e que quase sempre, esta estrada não será da forma como desenhamos e isso dói muito. A isso, chamamos de decepção.  

Claro que a felicidade existe. Claro que temos chances de realizar grande parte dos nossos planos. Por outro lado, precisamos aprender também, que a frustação e a decepção existem e que é grande a possibilidade de nos encontrarmos com elas e aprender a lidar com essas dores, custa caro. No momento em que concebemos a decepção como parte da vida e retiramos o poder que ela tem sobre nós, a dor que ela nos causa, é bem menor.

Se podemos dizer que há algo de positivo quando nos decepcionamos, é o fato de que é com elas, que conseguimos aprender a lidar com consciência com aquilo que desejamos e com aquilo que nos relacionamos. Posturas assim, nos fazem mais fortes e aptos para criar soluções e para sairmos menos feridos daquilo que nos decepcionou. Alguns hábitos que mantemos, algumas amizades que alimentamos ou até mesmo relações amorosas que insistimos em manter, são ferramentas muitos férteis para a decepção. Mudar isso tudo nem sempre é uma questão fácil de se resolver. Para isso, sempre criamos algumas expectativas e quando elas não são atingidas, acabamos por nos decepcionar.

Uma maneira viável que temos para sofrermos menos com as decepções, é não romantizar nossos atos e o que nos rodeia. Geralmente corremos o risco de idealizarmos as pessoas para que sejam o que queremos que elas sejam. Perceberemos então que esperamos muito de alguém, mas esse alguém não pode e não consegue ser o nosso ideal. Nossas escolhas não devem ser pautadas na questão sorte ou azar. As decisões que temos que tomar para a vida, devem ser feitas de maneira mais racional possível. Precisamos fazer as contas das escolhas que vamos fazer. Com isso, precisamos entender que parentes e família vão nos decepcionar; os amores com o tempo vão se desapegando e ainda há os que nos deixam; os nossos sonhos e metas não vão fazer sentido para muita gente e isso faz com que eles não se comprometam com eles. Nem sempre o coração está preparado para tomar algumas decisões e se deixarmos nossas escolhas apenas a cargo dele, a dor da decepção pode ser maior.

Outro fato a ser considerado, é que falar daquilo que sentimos com as pessoas interessadas, alivia, no futuro, as decepções que podem surgir no caminho. Falar o que sente, o que se deseja, não se trata apenas de compartilhar seus sentimentos, mas também para deixar claro quem somos e o que esperamos, com esta relação e sobretudo para entendermos onde estamos pisando e para onde queremos ir. Falar do que sentimos, faz com que a pessoas que convivem conosco, entendam também que elas podem se decepcionar conosco e isso faz com que, cada um de nós, regule e controle as emoções e sentimentos com que lidamos no nosso dia a dia. Sentimentos expressos, são sentimentos libertos. Desta forma, é mais fácil seguir em frente.

A que se considerar também, que é com as decepções que geralmente aprendemos grandes lições. Claro que nem sempre, conseguimos percebê-las imediatamente, mas toda experiência que a vida nos oferece, sendo ela boa ou ruim, leva-nos a um aprendizado e todo aprendizado deve ter a meta de nos tornar mais maduros e melhores pessoas. Pensando assim, não é arriscado dizer, que a decepção faz parte do nosso processo de aprendizado e portanto, não devemos nos sentir vítimas, e sim privilegiados. São nas situações mais adversas, que temos a oportunidade de aprendermos sobre nós mesmos e também sobre os demais que nos rodeiam. As pessoas e suas atitudes podem nos surpreender positiva ou negativamente e isso não conseguimos controlar. Mas, seja qual for a situação, precisamos tirar dela aprendizado e experiências. Isso nos poupa de algum sofrimento, além de nos poupar de uma segunda decepção.

Como parte mais difícil e também mais importante desse processo é o fato de que precisamos confiar nas pessoas. Isso não quer dizer que devemos desconsiderar que elas não falham e que elas podem nos decepcionar. Relacionar-se em qualquer esfera, exige-se confiança em alguém. É entender que as pessoas não são iguais, que nós não somos iguais, que estamos o tempo todo em constante mudança e que todos são suscetíveis a mudar no dia seguinte. Quando queremos, isso acontece. Não podemos alimentar a ideia de esperar que as pessoas devem mudar como gostaríamos que elas mudassem. É importante que tenhamos a oportunidade de voltar a confiar nas pessoas, mas sem esquecer de deixar de lado as grandes expectativas e as idealizações. Prenda-se à realidade e a decepção será sempre menor.

Portanto, a todo momento precisamos entender que a decepção é algo natural e que faz parte de um aprendizado. De todas elas, saia melhor e mais resiliente.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 8 de setembro de 2018

PESSOAS DE VIDA INTERESSANTE



Já observou pessoas de vidas interessantes? É tão bom conviver com elas. Pessoas com vidas interessantes não tem chilique nem fazem cena. Não enchem “o saco” dos outros. Não cuidam da vida das outras pessoas e nem fazem fofocas. Pessoas de vida interessante, elogiam mais que criticam, são simples, são humildes, torcem pelo sucesso dos outros e vibram junto com as suas conquistas. Ao invés de reclamar, apontam soluções e ao invés de ódio, espalham gentilezas.

Elas trocam de plano, quando o plano não dá certo e sempre enxergam uma solução quando os outros enxergam problemas. Sabe, pessoas com vida interessante investem em seus projetos, mesmo que eles não tenham garantia de êxito. Elas interessam por pessoas que pensam diferente dela e respeitam a opinião que não é compatível com a sua. Pessoas interessantes entendem que a diversidade e o diferente são sempre riqueza e não problema. Quando uma pessoa tem vida interessante, ela aceita as família diferentes da sua, respeita as variadas formas de amar, respeita o ponto de vista político e religioso que sejam diferentes dos seus.

Pessoas assim, aceitam convite para fazer o que nunca fizeram, estão sempre dispostos a mudar de cor, de rota, do prato preferido e de situações que não encontram mais significados. Pessoas de vida interessante começam do zero inúmeras vezes e isso faz com que se tornem fortes e resilientes. Geralmente não se assustam com a passagem do tempo, porque elas sabem aproveitá-lo muito bem. Pessoas de vida interessante sempre viajam, para lugares diferentes e para dentro de si mesmas. Estão sempre dispostas a conhecer algo novo, a desenvolver uma nova habilidade e a ensinar o que sabem.    

Pessoas que tem vida interessante, tem mente aberta, gostam de leitura, de ouvir as pessoas e de um bom papo. Fazem sexo, fazem amor, fazem amigos, fazem o bem e dão um significado muito forte para a sua vida, por isso faz dela uma vida interessante. São pessoas que lidam sempre com a verdade, com a sensatez e valorização do outro. Sempre tem em suas mãos um punhado de vontades e na cabeça um punhado de ideias. Sempre tem a certeza que não tem nada a perder e se perder, são maduras para continuar em frente.

Pessoas com vida interessante amam a si mesmas antes de tudo. Assim conseguem amar os outros. São pessoas que lidam bem com sua solidão e descobrem muito cedo que não precisam ter um relacionamento para ser feliz. Elas são felizes e por isso conseguem se relacionar. Mas se isso não acontecer, está tudo bem. Aprendem que sendo interessantes, sempre se conectam com outras pessoas também interessantes. Cuidam se sua saúde mental e física, preocupam-se em fazer o bem e assim, o bem sempre lhes encontram.

As pessoas que fazem de suas vidas algo interessante, se cuidam, se amam do jeito que são, se colocam no colo, se dão presente, se mimam e conseguem rir de si mesmo. Entendem bem depressa que ser interessante é um problema seu e o maior beneficiado é ele próprio. Entende também que ser interessante é um presente que deve se dar a si mesmo e não aos outros.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 2 de setembro de 2018

TENHO ORGULHO DE QUEM ME TORNEI?



Quando pensamos em quem somos, é inevitável que pensemos em quem nos tornamos. Somos frutos de uma construção e de um processo de desconstrução que é feito diariamente, a todo instante, em todo o tempo. Descobrimos que não somos o que éramos, mas não somos ainda o que gostaríamos de ser: isso é um processo que vai nos criando e nos ressignificando. Assim, vamos gostando ou não, cada vez mais da pessoa que vamos nos tornando.

Tornar-se alguém, não se trata apenas de crescer fisicamente, de pintar os cabelos, fazer dieta ou ir treinar na academia. Tornar-se o que se deseja, é preciso crescer na alma, se ajustar criativamente e sentir-se bem consigo mesmo. É o ato de olhar-se nos olhos de vez em quando, de se interrogar e auto refletir. É aceitar os erros, refazer o plano e seguir em frente. Apesar das escolhas e das decisões tomadas no passado, ter sempre bem claro, que se tornar o que se deseja é um risco, é cansativo e exaustivo.

Nossos conceitos mudam e a nossa visão amplia. Nesse processo há muros que nos privam de muita coisa mas há muitas pontes que nos levam a outros mundos. Vamos construindo umas marcas, vamos ganhando outras e em todas elas os arranhões ficam. Os machucados são inevitáveis e as cicatrizes vão se tornando peles da resistência e isso nos torna mais forte do que erámos há um tempo atrás.

Vamos criando o nosso estilo de ser e de viver. Algumas opiniões não tem mais importância e aquilo que magoava antes, hoje não incomoda nenhum pouco. Isso é auto estima e ela vem com tempo e com as experiências que vida vai nos ofertando.  Isso nos leva a entender e aprender a ficar mais perto do nosso ideal e a distanciar do ideal do outros. Este ideal, tanto faz. É com o tempo que vamos aprendendo a dar satisfações a nossa consciência e vamos descobrindo que ela nem dói tanto. Vamos não tendo mais vergonha da simplicidade que temos e do que conseguimos construir.

As pessoas que passam pela nossa vida ajudaram também a nos tornar quem somos. Do mesmo modo, as pessoas que se foram também ajudaram neste crescimento Isso nos ensina que nenhuma companhia é eterna e nenhum lugar é o único, dessa feita, o importante é aproveitar o momento ao máximo. São com pessoas do nosso lado é que vamos dando valor aos nossos sonhos e perseguindo as metas que colocamos para esta construção. Vamos descobrindo quais são os amigos verdadeiros, aqueles que vamos levar pra toda a vida e isso não quer dizer, que não vamos encontrando novos bons e verdadeiros amigos pelo caminho.

Nosso crescimento nos permite pisar em outros mundos. Permitimos que outros mundos pisem em nosso território também. A auto confiança vai nos tornando mais flexíveis, mais maleáveis e mais resilientes. Aprendemos a ser mais reservados, a expor menos a nossa individualidade, bem como a expor menos o outro e as suas dores. Vamos entendendo a importância de conhecer pessoas, de abrir novas oportunidades com elas e a compreender que uma pessoa pode significar muito para o nosso futuro.

Vamos tomando consciência que somos o resultado dos machucados, dos banhos de chuva e dos resfriados. Somos frutos das brincadeiras de ruas, da primeira viagem sozinho, das vacinas que recebemos, das canções que cantaram pra nós e das canções que aprendemos a cantar. Nos tornamos quem somos, através do primeiro emprego, dos professores que tivemos e das mortes internas que somente nós, sentimos a dor.

Somos o resultado de dificuldades diárias, de conquistas difíceis e de muitas frustrações. Somos o que somos, porque somos frutos da influência da família dos amigos, das pessoas que nos rodeiam e dos amores que construímos ou que deixamos de construir. Somos também, um pouco de decepções, de lágrimas e de risos. Nos tornamos na maturidade inevitável que a vida oferece e esta maturidade nos ensina a nos incomodar menos com o que os outros pensam sobre nós e mais com o que pensamos sobre nós mesmo. Somos um pouco da frieza das rejeições e um pouco da dureza das pancadas que nos deram. Mas que bom, que ainda assim, somos candura, aceitação e leveza.

Chegar a ser o que se deseja é um caminho que se deve percorrer, às vezes sozinho, muito pouco acompanhado. Ser o que se deseja é também uma escolha nem sempre fácil, nem sempre tranquila, mas recompensador. É um caminho que de orgulho próprio, que destoam de todos os outros mas que é o seu caminho. É a descoberta de planos grandes, de vontades incompreendidas. É uma construção única, feita de metades e de completos. Feito de ser, com todo o ser.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

CUIDE DAS SUAS DORES EMOCIONAIS



Sabe, inevitavelmente todos nós passamos por alguns momentos difíceis na vida, momentos que se pudéssemos escolher, estariam descartados do nosso caminho. É claro, que estas dores nos ensinam muito, mas só iremos descobrir a sua importância algum tempo depois. E é assim que tem que ser.
Essas dores, insistem sempre em dizer que somos vulneráveis, que nossa estrutura não é de ferro e que o google não sabe nos ensinar como lidar com elas.
São frustrações, perdas, traumas, pancadas, vazios, desprezos e decepções originadas em várias situações que enfrentamos, que nos aparecem e que nós, somente nós, é que temos que lidar com estas lacunas agudas do emocional. Somos afetados negativamente no nosso dia a dia, e como se não bastasse o passado, vamos sentindo um enorme pesar ocasionado pelas expectativas do futuro. Sim, estamos mais pesados, mais medrosos e mais fragilizados. Estamos menos felizes?
Ocasionalmente sentimos dores que não identificamos onde elas estão. São as dores emocionais. São as dores da alma. O peito dói, o corpo sente, o coração gela e os olhos enchem de lágrimas e a saída é o choro. Por certo, são as lágrimas do peso e de um passado mal resolvido. Percebemos que o dia não está triste, que as pessoas não estão tristes, lá fora há vida, há liberdade, mas aqui dentro está frio e escuro. É a hora que precisamos aprender, que ficar triste não significa ser fraco.
Devemos ter a consciência que não temos a obrigação de perdoar as pessoas e o passado, mas precisamos aprender a perdoar a nós mesmos. Não precisamos amar a todos, nem tão pouco carregar a dor dos outros, mas somos os únicos responsáveis pela construção de quem queremos ser. Precisamos nos acostumar, que ao nosso lado terão pessoas que não aprenderam aplaudir, elogiar, reconhecer, incentivar e isso por vezes dói. Acredite: algumas pessoas ainda não aprenderam a se amar, não queira portanto, que eles te amem.  
Essas mesmas dores vão nos ensinando que amor é ferramenta de mão dupla e que se não for assim, uma hora vai doer. A dureza do desprezo, nos ensina que dedicação demais requer controle da nossa parte, do contrário, vai doer também. Esse peso nas costas, nos ensina que atenção e cuidado nos elevam a auto estima, mas se não é reciproco, vai aos poucos perdendo o sentido. Descobrimos que temos que selecionar o que vamos engolir e com quem vamos andar. Essa mesma dor nos ensina que amor próprio com pitadas de egoísmos, nunca nos fazem mal.
Sabe, há pessoas que ainda se incomodam com a sua felicidade e isso não pode ter fazer sofrer. A sua vida, não pode ser pesada porque as pessoas que te cercam fazem dela uma vida pesada. A tristeza é parte da vida, e a dor emocional também faz parte dela e não há exceções para ninguém. O que acontece é que aprendemos a fingir uma vida feliz, sem dores, aprendendo desde cedo, que, negar a tristeza é mais admirável do que reconhece-la e aprender a conviver com ela.
Não, não se apaga o passado de uma hora pra outra, mas precisamos viver e construir o futuro. Aprenda, que, tudo que não te faz crescer, deve ser cortado da sua vida, isso vale para pessoas, emprego, amores, objetos e outros. Você deve cortar, ou vai ter causar mais dor, mais cedo ou mais tarde. Não se exija demais e não deixem que exijam de você além do que você consegue entregar. Não carregue a capa do super-herói e nem queira a vida perfeita das redes sociais. Sejamos reais.
Aprenda a deixar ir, quem te puxa para trás. Deixa ficar, só quem te leva pra frente. Isso vai ressignificando as feridas e amenizando as dores, que insistem em te lembrar que elas ainda não foram saradas. Deixe de se atropelar tanto dê a você mesmo o valor que você tanto espera que os outros deem a você.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

QUEM É SEU PAI?


Talvez não é o homem que você sonhou e talvez você nunca o viu, com uma possibilidade enorme de você nunca o conhecer. Além disso, quem disse que você quer conhece-lo?  Quem sabe nunca te disseram dele e antes de você nascer ele já tinha morrido e só restaram as suas imaginações. Pode ser que ele te decepcione sempre e você sinta muita vergonha dele. Pode acontecer dele ser alcoolista e de você sofrer muito por isso. Ele nunca te colocou no colo, nunca deu um abraço, nunca cantou parabéns e cortou um bolo simples, daqueles feitos em casa. Eu sei, você queria não era o bolo, era o carinho.

É possível que ele tenha abandonado sua mãe, seus irmãos, sua casa e vocês tiveram que refazer a vida sem ele por perto. E somente agora, você entende, que isso foi bom sabia?! Pode ser que ele que cuidou se você, fez a mamadeira, trocou as fraldas e levou para tomar as vacinas, porque vocês é foram abandonados. Pode ter acontecido, de você ter conhecido ele já adulto e não ter sentido nenhuma emoção com isso. Se foi assim, não se culpe, você não é obrigado a amá-lo. Quem sabe, você o vê com frequência e nem sabe que vocês possuem algum laço afetivo além de serem apenas conhecidos. Pode ser que ele esteja preso e isso te mata aos poucos.

Há uma possibilidade enorme, dele ser a apresentação de sua mãe a você, e sabe, isso vem dando muito certo, tanto que você já gosta muito dele. Outra possibilidade, é dele ser, aquele que você considera muito, embora vocês dois não tenham nenhum laço biológico e nem morem juntos. Tudo bem, vocês se acharam pelo caminho. Pode até ser, que os seus irmãos, foi ele que te apresentou. Ainda há uma possibilidade, de na tua casa, terem dois e ter muita felicidade neste lar.

Pode ser também, que ele acompanhou sua mãe durante a gestação e quando você nasceu e abriu os olhos lá estava ele sobre você. Quem sabe ele te mimou, te encheu de presentes, te levou na escola, no dentista, te ensinou a andar de bicicleta, soltou pipa com você ou ajudou a pentear o cabelo das bonecas. Pode até ser que você tenha Junior no nome. Ele pode ser seu herói, mas, pode ser o seu bandido.

Quem sabe, quando você passou no vestibular ele estava junto, quando você entrou na igreja, ele foi seu par até o altar ou ainda, no dia da formatura você entregou o capelo a ele. É possível também que quando você mais precisou, ele não estava e aquele conselho que iria te salvar, foi o google que te deu. Será se ele é teu exemplo a ser seguido ou será se, o que te ajudou, foi não ter seguido os passos dele? Você talvez sofre porque ele não estudou e hoje tem algumas dificuldades decorrentes disso. Por outro lado, quem sabe, você agradece, porque ele te proporcionou outra realidade.

Pode ser que ele, esteja te dando muito trabalho, pois sua memória, agilidade e raciocínio estão morrendo e você quer tanto que seu filho conheça ele. Será se vai dar tempo? Quem sabe você está muito feliz em dar a ele um conforto a mais, ou não, por tudo que ele fez, é melhor não dividir o que é seu com ele. Tudo bem, eu compreendo sua história: ele não faz parte dela.  Pode ser que tudo o que você conquistou até agora, era para ele, pois era isso que ele sonhava. Quem sabe, agora, você só queria ler isso junto com ele, mas ele não está do seu lado.

Provavelmente, você tenha a consciência, que a sua estrada é a mesma dele, só que você está chegando e ele está indo. Há uma possibilidade, de vir a tua memória, a trágica notícia, o choro, o dia do velório e o sepultamento. Mas é possível, também, que você esteja se perguntando: como será esse momento? 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 21 de julho de 2018

TUA FAMÍLIA TE ADOECE?




Definitivamente, tenho aprendido que família é o local onde nos sentimos bem, onde nos sentimos amados, respeitados, acolhidos e valorizados. Não é somente o laço sanguíneo ou biológico, e com isso, estou dizendo que não importa se nesta casa onde você se sinta bem, tenha ali dois pais, duas mães, uma avó, uma mãe, um pai, alguns cuidando, entre outros. Portanto, muito além da estrutura familiar em que você viva, as atitudes de seus membros são determinantes para o bem estar das sua construção como ser humano.

Diante deste cenário, precisamos pensar que existem famílias que fazem com que você se sinta exatamente o oposto. Infelizmente algumas pessoas podem cruzar o seu caminho e contribuir para que você se sinta exatamente fora deste cenário. Não se engane: A família pode ser um dos lugares mais comuns, onde se desenvolvem as relações que nos adoecem. Seria normal uma situação dessas, se essas pessoas não fossem aquelas que fazem parte da sua “família”.

Aprenda, e nunca esqueça, que há algumas relações familiares que são tóxicas, que matam aos poucos. Talvez você já se identificou em um relação assim e nem sempre consegue lidar com uma família dentro destes moldes. Aprenda que você nunca deve ser obrigado a amar quem te humilha, a respeitar quem te desestimula ou proteger quem te agride. Isso não é família. Depois de ter esta consciência, você descobrirá que fica mais difícil esta relação, porque quase sempre elas não podem ser desfeitas. É lógico dizer, que é mais fácil encerrar uma relação com um namorado, parceiro ou amigo, do que com um membro de sua família, tais como irmãos, sogros, etc.

Aprendemos que família é muito importante em nossa formação e isto está correto. É através dela que somos educados, desenvolvemos nossa personalidade e é através deste ninho, chamado lar, que adquirimos as ferramentas necessárias para lidar com o mundo lá fora. Justamente por tudo isso é que temos a dificuldade de entender, que algumas relações familiares nos fazem mal e promovem um mal estar tóxico e adoecedor.

Nos tempos atuais, sabemos que educar os filhos e fazer deles cidadãos conscientes e fortes, estão entre as aquisições mais caras ao longo de toda uma vida. Esse preço não é apenas do ponto de vista financeiro, mas é muito maior, do ponto de vista emocional, de significados e de influências. Em muitas delas, esses valores são confundidos com superproteção, amor em excesso, projeções frustradas e a necessidade da realização dos projetos dos pais sem se preocuparem com os projetos dos filhos. Aprenda a dizer eu me amo, antes de aprender a dizer eu te amo. Isso fará uma grande diferença em suas decisões para toda a vida.

Aprenda a fugir das pressões em realizar os planos dos outros, nem tão pouco sentir-se obrigado a realizar os seus projetos no tempo que os outros determinaram. Algumas famílias, colocam em seus membros a necessidade de serem troféus afim de serem apenas exibidos: precisam passar no vestibular na primeira vez; precisam terminar a faculdade até idade tal; a aprovação no concurso precisa ser de primeira e as perdas e erros não podem ser tolerados em nenhuma tentativa. Para! Isso está te matando. A quem se presta esta perfeição toda? Tá tudo certo não ganhar sempre.

A sua autoestima e o seu amor próprio, devem ser uma receita a ser cultivada diariamente e cultivada por você. Claro, que se você está rodeado de familiares que só te fazem mal, esses cuidados preventivos vão perdendo o sentido. Pare e pense, como fica complicado para você, perceber o seu valor, quando as pessoas que convivem com você, estão ali para te criticar, humilhar, rotular e te darem cartas diárias de descrédito. Vai ser confuso para você, entender o quanto você vale, em casamento falido, em um relacionamento abusivo ou em uma família, onde elogios, reconhecimentos e abraços não existem.

Numa relação familiar tóxica, fica complicado enxergar a sua beleza, a sua inteligência e a sua capacidade de vencer. Onde há inferiorização, há isolamento, há saúde mental confusa. Vai doer abrir mão de quem te machuca, assim como dói não saber se você é uma pessoa incrível ou um lixo. Vai doer cortar a chupeta, mas é necessário.

Com o tempo aprendemos que precisamos afastar de quem nos anula – mesmo que seja a família – para lembramos o quanto a gente vale.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

O FASCÍNIO POR HUMILHAR

Não se engane: Quanto melhor você tratar as pessoas, mais autoestima você tem. Só humilha as pessoas, em especial as mais humildes e ...