segunda-feira, 22 de abril de 2019

SOBRE A HORA DE IR E A HORA DE FICAR



Saber a hora de ir embora, de abandonar é um decisão tão difícil como saber a hora de ficar, de apostar mais um pouco. Essa dificuldade pode estar ligada ao fato de que acostumamos muito fácil, com aquilo que acreditamos ser nosso. Supostamente, temos a ilusão de que algumas coisas nos pertencem. Essa dificuldade de ir ou de ficar, faz com que queiramos sempre algumas certezas, algumas confirmações para validar a nossa decisão.
Embora seja muito claro para uns, ainda há outros que imaginam conseguir resolver as equações matemáticas do destino, por isso mesmo, precisamos acreditar nelas para que as nossas decisões sejam tomadas com menos dores e uma margem menor de erros. Na verdade, ter razão e ficar em paz é tudo o que queremos, mas essa conta não se fecha com facilidade. Tudo o que queremos é tomar a decisão correta e ter certeza depois que tudo fez sentido e que foi a melhor decisão tomada.
A experiência de vida de cada um, aquela construída com o tempo e com as vivências, vão nos mostrando quando o relacionamento já acabou, o emprego não serve mais, a amizade perdeu o sentido, o casamento já morreu tem um tempo e que o grande amor que se acreditava, não decolou. A gente vai aprendendo que ir embora dói, mas andar em um passo atropelado, dói bem mais e ficar é cruel.
Com o tempo, também aprendemos que a dor de ir embora é menor do que a dor de ficar para tentar se encaixar nos planos de alguém. Vamos descobrindo que dor mesmo, é se adaptar ao mundo do outro, quando o outro espera que você siga.
Partir requer coragem, até porque exige-se que consigamos construir o nosso próprio caminho, mas por outro lado, ficar sem a reciprocidade necessária, significa perder a oportunidade de ser o seu próprio porto, decidindo a hora de ir e a hora de ficar.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 31 de março de 2019

SOBRE O PERDÃO



Perdoar deve ser antes de tudo, uma decisão gratuita, não negociada ou fruto de permuta ou de constrangimentos de terceiros. Comumente, observamos que algumas pessoas atrelam a felicidade e a paz interior a decisão que tomam em perdoar o passado ou a si mesmo. 

De fato, tais decisões podem fazer muito bem. Observamos também, aqueles que incentivam que o outro perdoe, como se este processo fosse simples e trivial. Porém esta decisão não deve ser tomada no tempo do outro ou porque sofremos intimidações todos os dias. 

Perdoar é uma decisão, decisão esta que pode levar tempo, construção de valores, ressignificação do passado e sobretudo o momento exato para que isto seja feito. Podemos levar uma vida inteira para voltarmos ao passado e pedir desculpas a ele ou ainda há, aqueles que conseguem acessar sua dor de maneira mais rápida e mais fácil. 

Cada tem seu tempo e sua forma de perdoar e isso precisa ser respeitado. Não há receita pronta, não é amnésia e nem sepultamento do passado. Perdoar pode ser, ver o passado sem dor ou revivê-lo com outro sentimento. 

Pode ser o abandono de padrões sentimentais estabelecidos e de aprovações sociais e/ou religiosas. Pode ser ainda uma forma diferente da sua, diferente do seu tempo, da sua velocidade ou da sua intensidade. Contudo, perdoar será sempre uma disposição definida pela sua decisão.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

NINGUÉM DEVE TER A OBRIGAÇÃO DE NOS FAZER FELIZES




Na realidade, aquela mesma, que às vezes é bem dura e difícil, sabemos que é muito frustrante quando depositamos as nossas expectativas nas pessoas e elas nos frustram. Esta relação é de mão dupla, e dói também quando decepcionamos os outros.

As relação são feitas assim e a verdade é que algumas pessoas vão nos decepcionar sempre e nós vamos decepcionar outras. Precisamos aprender a não atribuir a ninguém a responsabilidade de nos fazer feliz.

A nossa felicidade é responsabilidade nossa, exclusivamente nossa e de fato, não é a informação mais confortável que vamos descobrindo. Desde muito cedo, somos ensinados a ter sempre a aprovação e o mimo do outro. Grande parte de nossas dores emocionais decorrem desta frustração.

Claro que grande parte de nossas alegrias são frutos também das relações que estabelecemos com outras pessoas, sejam no trabalho, nas relações amorosas ou nas nossas amizades. Mas se não estivermos bem conosco mesmo, nada disso terá valor. Deve sempre partir de mim, aquilo que busco ter e viver.

Todos os contatos que vamos construindo, vão fazendo as nossas relações. Estas relações no entanto, só poderão ser bem sucedidas se eu estiver aberto a receber o que elas podem me oferecer. Portanto, pensar tão somente que o outro sozinho é o responsável pela nossa felicidade, faz nos prender aos nossos ideais e as nossas expectativas e o outro não tem a obrigação de corresponde-las.

Se analisarmos com calma, vamos percebendo as várias oportunidades que perdemos para ser mais feliz ou pelos menos, para ter um pouco mais de alegria, mas deixamos a cargo do outro e este outro ideal, não existe. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

SÃO NOS EXCESSOS QUE A CABEÇA DÓI. JÁ O CORAÇÃO DÓI NA FALTA.



A impressão é que nos nossos dias, andamos com a cabeça cheia e o coração vazio. Os dias atuais, parecem exigir corações frios e cabeças agitadas, excessos de pensamentos e falta de sentimentos. Ambos andam doendo: um pela falta e a outra pelo excesso. 

As relações que construímos, parecem nos distanciar cada vez mais uns dos outros e embora lutemos, ainda é a individualidade que impera. Essas mesmas relações parecem ser mais construídas pela cabeça do que pelo coração. Racionalizamos demais, exigimos demais, construímos barreiras demais e deixarmos de sentir, amar, envolver. 

A velocidade dos nossos relacionamentos, está cada vez mais importante do que intensidade destes mesmos relacionamentos. Sendo assim, colocamos o coração em segundo plano, para que ele não sofra e não se machuque. Afinal, ele já não sofre da falta? A falta da reciprocidade e do reconhecimento; a falta do cuidado e do elogio; a falta da compreensão e da alteridade; a falta de auto cuidar-se. 

Parece paradoxal, mas em todas as nossas relações, a moeda de troca ainda é o sentimento, este que é considerado um critério de verdade, um referencial da ética e o fundamento inquestionável para nossas transações sentimentais. É pelo coração que decidimos entrar na relação. 

Quando não estamos bem, quando não gostamos mais ou quando perdemos o encanto, será com ele também que decidimos a hora de sair. É sempre o coração que encontra o nosso refúgio. Cuidemos mais dele. Não o sufoque pelo excesso, mas não deixe ele morrer pela falta. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

CASTIGO x CONSEQUÊNCIA



Você já deve ter observado, como todos nós temos dificuldades em lidar com as nossas consequências, frutos de nossas escolhas. As nossas escolhas são os ingredientes que vão definindo o nosso destino. Claro que as escolhas não são definitivas e elas vão se modificando no decorrer de nossas vidas. É óbvio que escolher não é uma das tarefas mais fáceis e esta tarefa será uma execução que levaremos para a vida toda. Mas as consequências destas escolhas, são sempre inevitáveis.

Como nem sempre estas respostas, são positivas, temos a tendência de chama-las de castigo, ou algo parecido, como se não fôssemos nós, merecedores destes resultados. Não é fácil admitir que toda escolha que tomamos vai gerar um resultado. Entre um e outro deve haver a capacidade de reflexão e é nestes momentos que nossa capacidade crítica, de ver a situação sob outro olhar, desaparece.

Esta capacidade, tira de nós a necessidade de achar um culpado para justificar nossos erros e nossas mazelas. A maturidade que vamos adquirindo, vai tirando de nós a falsa ilusão de que o outro é responsável pelas nossas derrotas e pelas nossas escolhas, da mesma forma que o outro não é responsável pela nossa felicidade e pelo nosso autoconhecimento. O ideal é também, é que começamos a aprender a plantar melhor, para só assim, a nossa colheita ser melhor, mais justa e menos sofrida


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 3 de novembro de 2018

O FASCÍNIO POR HUMILHAR




Não se engane: Quanto melhor você tratar as pessoas, mais autoestima você tem. Só humilha as pessoas, em especial as mais humildes e aqueles são diferentes dela, as pessoas inseguras quanto ao que elas são e aos seus valores. Não considerar as pessoas que convivem de forma diferente da sua, é uma demonstração clara de baixa autoestima e de fraqueza emocional. Pessoas grandes respeitam e valorizam os seus semelhantes.

Uma autoestima elevada e saudável não está relacionada a esse tipo de comportamento, mas pelo contrário, quem é seguro se si, promove quem está a sua volta a ser sempre uma pessoa melhor. Ter autoestima, não tem a ver com bens materiais, status ou beleza – isso está relacionado com a vaidade e vaidade é sempre externo. A autoestima, no entanto, é um processo interno, é individual, é construção íntima e é feita sem máscaras.

A insegurança geralmente gera o fascínio pela necessidade de oprimir o outro, de silenciá-lo. A insegurança gera a necessidade de demonstrar o tempo todo, a autoridade e o poder, muito mais para convencer a si mesmo, do que para convencer os outros. Além do medo incontrolável de rejeição, essas pessoas, que sentem prazer em humilhar seus semelhantes, possui uma pobreza gigantesca de entendimento, acerca da qualidade de quem lhes rodeiam, mas acima de tudo, possui uma gigantesca pobreza de consciência em entender que a melhor maneira de ser grande é fazer com o que o meu semelhante cresça também. Pense nisso! 

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O PODER DA DECEPÇÃO



Com certeza, cada um de nós conheça uma pessoa que já tenha se decepcionado. É provável, que você já tenha se decepcionado e quem sabe, não apenas um vez. A decepção faz parte do nosso crescimento como ser humano e é inevitável, que durante a nossa vida, não passemos por isso. Não há nada de novo nesse processo. Novo, deve ser, o que fazemos, quando somos decepcionados.

Crescemos com algumas ideias que nos ensinaram e elas tendem se fixar em nossa formação: de que não vamos nos frustrar, que vamos conhecer o par perfeito, que teremos os melhores amigos, o melhor emprego e a família perfeita. E isso pode mesmo acontecer. Porém, precisamos entender, que na vida real, as nossas histórias apresentam alguns desvios e que quase sempre, esta estrada não será da forma como desenhamos e isso dói muito. A isso, chamamos de decepção.  

Claro que a felicidade existe. Claro que temos chances de realizar grande parte dos nossos planos. Por outro lado, precisamos aprender também, que a frustação e a decepção existem e que é grande a possibilidade de nos encontrarmos com elas e aprender a lidar com essas dores, custa caro. No momento em que concebemos a decepção como parte da vida e retiramos o poder que ela tem sobre nós, a dor que ela nos causa, é bem menor.

Se podemos dizer que há algo de positivo quando nos decepcionamos, é o fato de que é com elas, que conseguimos aprender a lidar com consciência com aquilo que desejamos e com aquilo que nos relacionamos. Posturas assim, nos fazem mais fortes e aptos para criar soluções e para sairmos menos feridos daquilo que nos decepcionou. Alguns hábitos que mantemos, algumas amizades que alimentamos ou até mesmo relações amorosas que insistimos em manter, são ferramentas muitos férteis para a decepção. Mudar isso tudo nem sempre é uma questão fácil de se resolver. Para isso, sempre criamos algumas expectativas e quando elas não são atingidas, acabamos por nos decepcionar.

Uma maneira viável que temos para sofrermos menos com as decepções, é não romantizar nossos atos e o que nos rodeia. Geralmente corremos o risco de idealizarmos as pessoas para que sejam o que queremos que elas sejam. Perceberemos então que esperamos muito de alguém, mas esse alguém não pode e não consegue ser o nosso ideal. Nossas escolhas não devem ser pautadas na questão sorte ou azar. As decisões que temos que tomar para a vida, devem ser feitas de maneira mais racional possível. Precisamos fazer as contas das escolhas que vamos fazer. Com isso, precisamos entender que parentes e família vão nos decepcionar; os amores com o tempo vão se desapegando e ainda há os que nos deixam; os nossos sonhos e metas não vão fazer sentido para muita gente e isso faz com que eles não se comprometam com eles. Nem sempre o coração está preparado para tomar algumas decisões e se deixarmos nossas escolhas apenas a cargo dele, a dor da decepção pode ser maior.

Outro fato a ser considerado, é que falar daquilo que sentimos com as pessoas interessadas, alivia, no futuro, as decepções que podem surgir no caminho. Falar o que sente, o que se deseja, não se trata apenas de compartilhar seus sentimentos, mas também para deixar claro quem somos e o que esperamos, com esta relação e sobretudo para entendermos onde estamos pisando e para onde queremos ir. Falar do que sentimos, faz com que a pessoas que convivem conosco, entendam também que elas podem se decepcionar conosco e isso faz com que, cada um de nós, regule e controle as emoções e sentimentos com que lidamos no nosso dia a dia. Sentimentos expressos, são sentimentos libertos. Desta forma, é mais fácil seguir em frente.

A que se considerar também, que é com as decepções que geralmente aprendemos grandes lições. Claro que nem sempre, conseguimos percebê-las imediatamente, mas toda experiência que a vida nos oferece, sendo ela boa ou ruim, leva-nos a um aprendizado e todo aprendizado deve ter a meta de nos tornar mais maduros e melhores pessoas. Pensando assim, não é arriscado dizer, que a decepção faz parte do nosso processo de aprendizado e portanto, não devemos nos sentir vítimas, e sim privilegiados. São nas situações mais adversas, que temos a oportunidade de aprendermos sobre nós mesmos e também sobre os demais que nos rodeiam. As pessoas e suas atitudes podem nos surpreender positiva ou negativamente e isso não conseguimos controlar. Mas, seja qual for a situação, precisamos tirar dela aprendizado e experiências. Isso nos poupa de algum sofrimento, além de nos poupar de uma segunda decepção.

Como parte mais difícil e também mais importante desse processo é o fato de que precisamos confiar nas pessoas. Isso não quer dizer que devemos desconsiderar que elas não falham e que elas podem nos decepcionar. Relacionar-se em qualquer esfera, exige-se confiança em alguém. É entender que as pessoas não são iguais, que nós não somos iguais, que estamos o tempo todo em constante mudança e que todos são suscetíveis a mudar no dia seguinte. Quando queremos, isso acontece. Não podemos alimentar a ideia de esperar que as pessoas devem mudar como gostaríamos que elas mudassem. É importante que tenhamos a oportunidade de voltar a confiar nas pessoas, mas sem esquecer de deixar de lado as grandes expectativas e as idealizações. Prenda-se à realidade e a decepção será sempre menor.

Portanto, a todo momento precisamos entender que a decepção é algo natural e que faz parte de um aprendizado. De todas elas, saia melhor e mais resiliente.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

SOBRE A HORA DE IR E A HORA DE FICAR

Saber a hora de ir embora, de abandonar é um decisão tão difícil como saber a hora de ficar, de apostar mais um pouco. Essa dificuldad...