sábado, 6 de agosto de 2011

DEPOIS DOS 30...

Não. Hoje não é meu aniversário, nem se trata de homenagear alguém que o faça hoje. Mas já passei dos trinta e gostaria de pensar um pouco sobre como nos sentimos após essa idade ou após eles. Nós mudamos nossos comportamentos e nossa forma de enxergar a vida, mas nem sempre nos atentamos ao que ganhamos de bom com tantas mudanças. 


Geralmente é só depois dos trinta, que passamos ver a família sob outra ótica. Seja os pais, irmãos, avós, filhos. A impressão que temos é que nessa etapa, essas pessoas passam muito mais a ter qualidade em nossas vidas, do que necessariamente o quanto eles estão presentes em nossos momentos.  Nessa mesma época, Deus e/ou religião passa a ter outro sentido, outro valor e cada um vai criando consigo, à medida que consegue suportar o seu "religare".


É verdade que depois dos trinta, algumas feridas doem mais, são mais agudas e algumas lembranças batem mais fundo e até algumas dores demoram mais a sumir. Em contrapartida, outros pesos e medidas que sempre levamos, passam a ter outro fardo, outros significados. Ficamos mais sentimentais, mais sensíveis, mais tocáveis. Trocamos preço por valor e valentia por ousadia.

Somente após os trinta é que damos valor de fatos às amizades. Será? Poucas na verdade, mas valorosas! Mas aprendemos a distinguir o que é ter alguém por perto e descobrindo junto com isso, que há pessoas que podemos contar, mesmo se esta estiver longe. No campo profissional, parece que é aps esses anos, que começamos a andar com as próprias pernas, que começamos a descobrir de fato o que gostamos de fazer e claro, a conquistar nosso espaço e fazer nosso nome.

Após os trinta, aprendemos a ouvir mais, a falar melhor, a agir com mais cautela, a descobrir com mais prazer. As dúvidas são mais elaboradas, as incertezas mais amenas, as certezas mais cruciais, os medos bem menores, os planejamentos mais sólidos e os cheiros mais apetitosos. Dizem que as viagens são mais saborosas, as bebidas possuem um outro sabor e a maioria dos nossos atos passam a ter significados e ressiginificados.

Será que o grande amor, vem mesmo só após os trinta? Antes, temos tantas idas e vindas, voltas e recomeços e parece que tudo isso faz parte do dia a dia. Mas chega um momento, que ter um grande amor é necessário, não somente porque precisamos fugir da solidão, mas porque precisamos ser o grande amor de outro também. É com esses anos, que podemos escrever uma história impregnada de muitos fatos históricos, acontecidos alí atrás, alí, antes dos trinta. 

Se é verdade mesmo, é após os trinta que descobrimos pra valer o poder da auto estima, da segurança pessoal, o que nos desata de alguns nós que pegamos na adolescência. Sem dúvidas, é após os trinta, que passamos a cuidar da saúde com intuito de ter saúde e não apenas vaidade. Nessa época, começamos a entender que se é balada por balada é melhor ficar em casa e que lugares são feito de companhias. 

Mas que data mágica é essa, que para alguns é contagiantes e para outros nem tanto? Do que foram feitos esses dias que construíram os trinta que se foram e ainda juntam-se a vários que ainda estão por vir? Que material é esse, que nos prende e tem sabor mais agradável do que desagradável? 

Pense um pouco no que você fez dos seus trinta anos. Estamos vivendo mais de sabores ou de dissabores?


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO.