terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PORQUE SOMOS HIENAS?


Pessoal, o texto não é meu. Foi escrito pelo Jornalista Sérgio Ripardo da Folha de São Paulo e eu o achei muito interessante e por isso resolvi postá-lo aqui. O vi com certo toque de verdades e de requinte. A intenção é apenas para reflexão mesmo. Vejam:


"Hienas são bichos que comem merda, mas vivem rindo. São predadoras de extrema destreza e crueldade. Rainhas do gongo, elas se atrevem até a encarar os leões na disputa por carniça. Relegadas a segundo plano na hierarquia da caça, esses animais também se fazem de vítima, traço muito bem captado pela hiena Hardy, desenho inesquecível da Hanna Barbera, com seu bordão "Ó, céus! Ó, vida! Ó, azar!".


Não somos viados. Somos hienas. Rimos de nossa própria desgraça, num sinal de contentamento automático com nossa miséria, com nosso destino de marginais tolerados, com nosso complexo eterno de inferioridade, com nossas brigas de egos. Quem vai liderar as hienas? Qual a hiena mais bonita do verão? Qual o novo point da carniça mais jovem da cidade? Precisamos nos distrair, enquanto os leões não chegam.

As hienas só se unem na hora de caçar, mas brigam quando vão repartir a carniça. Vivem em bando, mas é só uma miragem, uma aparência. No final das contas, a hiena bem-sucedida é aquela que tem o monte de merda só para ela. Esses bichos estão acostumados à barbárie da selva. Matanças são boas notícias para as hienas. É o prato do dia. "Ó, céus! Ó, vida! Ó, azar!", repetem a ladainha, como um tique de sua raça.

Dizem que hienas só transam uma vez por ano. Talvez na época da parada gay, mas os cientistas ainda não bateram o martelo sobre isso. Os viados fazem sexo com maior frequência. As hienas são egoístas. Pouco objetivos, esses animais vivem o seu dia como se fosse o último. Não guardam comida. Até seus filhotes são desmamados logo cedo. Hienas não têm paciência para essas coisas de família, de lutas coletivas, de direitos. Os viados se esforçam".


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

QUE NATAL É ESSE?


Tudo de novo. Luzes, cantos, presentes e árvores de natal para todos os gostos e modelos. Em todos os lugares que já vi no natal desse ano aqui em Goiânia, em nenhum deles aparece a figura de Jesus. É o aniversário, onde o aniversariante não comparece.

Em todos, o papai noel rouba a cena. Somente ele comparece e as pessoas nem notam que nessa festa, falta a figura principal. Ninguém aplaude, ninguém questiona ou sequer lamenta. Como que esquecido, a festa prossegue com muita luz, muitas fotografias e risos. Junto com ele, ursos, duendes, fadas, castelos... nada real.

Tal qual no seu nascimento, assim continua: Ninguém o valoriza. Quase ninguém lhe da uma casa. Um repouso, uma morada. Isso-se dá, talvez, porque uma festa somente com ele, não atrairia tantas pessoas às lojas, shoppings e praças. Ele nunca foi uma figura comercial e por certo não seria fácil encontrar convidados dispostos a ir no seu aniversário.

Esse velhinho substituto, veio e ficou de vez na festa alheia. As crianças desde cedo são ensinadas a darem mais valor a ele, do que ao Jesus. Ainda bem pequenas, elas querem ver e tirar fotos com ele, mas Jesus, geralmente crescem sem saber quem é ao certo. O velhote desce pela chaminé, anda de trenó e aparece na noite do seu aniversário, se alguém deixar um sapato na janela.

Como troca pela falsa história, criam-se substituições. Aliás, essa já é uma substituição pela história verdadeira. Desde criança, somos orientados a crer numa mentira. Trocaram a data do seu aniversário, trocaram o aniversariante, trocaram o sentido da festa e até o ar de paz, amizade, solidariedade entre os homens foi trocado. É como se, fazer o bem, amar o outro, dar presentes, cestas, cobertor, respeito, fosse necessário apenas em dezembro.

Que natal é esse?

Ainda ouço o aniversariante dizer: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap. 3.20)

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional e professor universitário em Goiânia-GO