domingo, 11 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA E O MMA




Qualquer MMA é horroroso na minha opinião, seja ele masculino ou feminino. Proibiram a rinha de galos e liberaram a rinha de humanos. Ver dois homens ou duas mulheres se quebrando, sangue no chão, rostos inchados e com cicatriz e sentir prazer nisso é no mínimo um desvio de personalidade. É o masoquismo/sadismo diário necessário para a realização de alguns instintos. Chamar essa prática de esporte me parece mais um incentivo a violência. Quais são os benefícios sociais da prática do MMA? O financeiro nós já sabemos.

A propagação de esportes de contato como o boxe e o MMA pode aumentar os casos de mal de Parkinson. Especialistas afirmam que há uma relação entre o impacto repetitivo de chutes e socos na cabeça com o fato de doenças neurodegenerativas - como mal de Alzheimer, demência do pugilista e mal de Parkinson - serem mais recorrentes e surgirem mais precocemente entre lutadores.

Sabemos que os praticantes são adultos e logicamente assumem todo o risco possível quando o praticam. Também não podemos negar que há – poucos – mas há, benefícios sociais. Existem projetos sociais que foram criados a partir de sua prática e estes projetos ainda que de forma pequena, tiram crianças e adolescentes das ruas e das drogas.  

Porém, é fato que o seu incentivo à violência existe e de forma muito forte. O MMA, por ser uma luta em que os contendores usam de diversas técnicas e golpes, é polêmico. Quem participa dessa modalidade, como lutador ou até como professor, vê benefícios na sua prática. Mas quem lida com o corpo humano, como um médico, vê o MMA como um malefício à saúde.

Não se pode negar que violência neste esporte se manifesta, se produz e se reproduz a partir de razões que muitas vezes não são levadas em conta, quando se olha apenas o lado entretenimento desta prática. A violência, é um fenômeno que está tanto no esporte quanto fora dele, mas caberia ao esporte não incentivá-la ou reproduzi-la. A violência no esporte é violência como em qualquer outro ambiente: no ambiente doméstico, na escola, no meio urbano. É violência, e deve ser entendida e combatida como tal.

Assim, devemos pensar que nessa espécie de “jogo” que se forma, é preciso pensar sobre esporte e violência, e nunca confundir que uma coisa não pode estar associada a outra. Não podemos entender, que assistir uma luta de MMA seja apenas um programa que se controla apenas por um controle remoto. A violência é mais complexa do que pensamos e seus efeitos podem ser mais desastrosos do que imaginemos. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.