sábado, 8 de janeiro de 2022

A CURA NÃO VEM DO ESQUECER...



Todos nós temos algumas dívidas com o passado e é normal que tenhamos medo de repetir algumas situações traumáticas. Esses fantasmas sempre tendem a aparecer. 

Todos nós temos alguns segredos que queremos levar para a morte, ao mesmo tempo que tememos saber alguns outros segredos que nos escondem.

Sim, todos nós temos alguns silêncios que insistimos em mantê-los ali adormecidos sem que nos causem dor e mais revolta. Voltar a eles é sinônimo de perigo.

Interessante se pensar que, segundo Freud, a fuga é o instrumento mais seguro para se cair prisioneiro daquilo que se deseja evitar. Portanto, crescer custa caro mesmo, sobretudo quando entendemos que o adversário mais perigoso que temos contra nós, somos nós mesmos.

Por isso que a cura vem, quando conseguimos conviver com esse passado sem sentir dor, embora esse passado seja sempre revisitado. O ato de crescer implica em aprender que viver, é muitas vezes, viver sem precisar da presença de outras pessoas e esse processo demora, esfola, castiga, dói, mas lá na frente vemos que compensa.

Crescer, portanto, é muitas vezes um processo secreto, sem muitas testemunhas, mas, só você e suas dores. Isso vai acontecendo, não quando deixamos de lembrar ou de falar daquilo que ainda dói, mas quando ressignificamos aquilo que aconteceu: esses traumas, silêncios, segredos, abandonos e etc.

Não se suporta a dor evitando-a, mas se suporta retirando o investimento que se dá a ela, desatando seu nós, diminuindo a energia e a força que se dispensa àquilo que muitas vezes insistimos em manter, sem resolução, muitas vezes por orgulho, outras vezes porque não se consegue. Por isso, reviver e não sentir dor é um processo que precisa ser respeitado antes de tudo, por você mesmo.

 Algumas questões você nunca vai entender; outras você não precisa.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

SE FAZER DE VÍTIMA REVELA MAIS UMA NECESSIDADE DE PLATEIA DO QUE DE AJUDA

 


Se fazer de vítima é um papel muito fácil de exercer, isso porque há sempre situações que sugerem isso: nos empregos, nas relações, na família, nos seus parceiros e até nos seus aliados. Por isso não é raro ouvirmos pessoas falarem com revolta, sobre o modo como as pessoas agiram com elas.


É natural, que aquele que se faz de vítima saia contando ao maior número de pessoas sobre o seu sofrimento e seus dissabores, para desse modo despertar o sentimento de pena e de amor daqueles que a rodeiam. É fazendo com que seus aliados fiquem contra aqueles que o magoaram, que ele vai se sentindo acolhido e amparado, ou seja, sendo vítima.


Existem benefícios para que a pessoa fique sempre repetindo esse papel. Talvez o mais importante deles, é que, aquele se faz de vítima, vai sempre responsabilizando o outro pelo seu sofrimento e pela suposta situação em que se encontra. Sendo assim, é comum as pessoas se sentirem obrigadas a reparar ou corrigir a dor que causou. Ele precisa de plateia, de aliados e de alguém que o defenda.


Sempre joga sobre o outro a responsabilidade pelo que aconteceu ou pelo que quer que aconteça. As relações vão ficando sempre muito dependentes, pesadas e a sempre condiciona sua mudança: quando o outro fizer isso, quando o outro fizer aquilo, quando me pedir desculpas, quando o outro mudar... e assim, se fazendo de vítima o tempo todo, o tempo vai passando sem mudanças e sem melhorias.


Quem de fato é vítima e precisa de ajuda, deve agir de outra maneira. Este, busca ajuda e não plateia ou aliados. Sempre vê algo que pode fazer para que a situação se resolva. Busca encontrar consciência para fazer algo, que dependa apenas dele mesmo o invés de ficar encontrando culpados. Desenvolve a habilidade de não buscar culpados e de desenvolver sua autonomia, para se sentir melhor, para através de suas próprias mãos, ou de fato, através de uma ajuda verdadeira.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


terça-feira, 9 de novembro de 2021

PORQUE VOCÊ ACEITA ISSO?

 


Sobre sua vida, decide você. Saber a hora de ir ou de ficar; de investir em uma relação ou desistir dela, também deve ser sua e claro que nenhuma dessas decisões devem ser tomadas à revelia, sem alguns questionamentos e reflexões. Acontece, que esta nunca foi uma das decisões mais fáceis a se tomar na vida.

Essa consciência faz com que nenhuma energia seja desperdiçada com pessoas que não valem a pena e que não querem dividir a sua vida com você a médio e curto prazo. Sendo assim, não gaste o seu tempo com alguém que não quer gastar o dele com você.

Nunca esqueça, que você não tem o poder de mudar as pessoas para se adequarem aos seus planos e metas e muitas vezes, isso só é descoberto quando já se perdeu muita coisa, que poderia ter sido investido em você e em outras conquistas.

Quando não se tem essa consciência, você sempre coloca no outro a responsabilidade de uma mudança que deve ser sua. Você é que deve pôr um ponto final sobre uma questão que o outro não tem interesse em terminar, porque às vezes para o outro, continuar assim é vantajoso e não há nada a perder.

Quem nunca ouviu, por exemplo, questionamentos como: “Já disse que se aprontar mais uma vez eu vou embora” ou então “já disse para ele(a) decidir o que quer da vida” ou ainda “vou dar mais essa chance”, sempre repetidos em todas as relações.

O mais importante é se perguntar porque eu fico, mesmo depois que o outro apronta. Se questionar se é isso mesmo que quero pra mim. Saber porque eu não decido o que quero pra mim e por isso é mais fácil pedir que o outro decida e até lá eu vou suportando, adoecendo, envelhecendo, perdendo tempo e me perdendo.

Sim, tomar decisão é um processo doloroso e que muitas vezes precisa de ajuda e de muita coragem. Mas te garanto que não tomar nenhuma decisão, tem um preço mais caro e que é pago à conta gotas. Pense nisso!

  

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

FIQUE ATENTO NA FORMA COMO AS PESSOAS TE TRATAM

 


Preste atenção, porque as vezes se leva um tempo para entender mesmo. É exatamente o oposto: a maneira como as pessoas te tratam é que vai despertando em você, sentimentos bons ou ruins; emoções ajustadas ou não; empatias ou antipatias.

Acontece que a sua vontade de dar certo é tão grande que vira teimosia. Você idealizou tanto algo (romance, amizade) que nem percebe como o outro está te tratando e com a sua permissão. Isso é sempre muito importante e não deve jamais ser interpretado como “é o jeito dele” ou “uma hora ele muda”.

Perceba que muitas vezes não há sentimento nenhum envolvido. O tratamento que você recebe é apenas em função da sua serventia e da utilidade que você tem e quando isso deixar de existir o “sentimento” que você pensava ter do lado de lá, também acaba.

Então, pare de imaginar que essa relação vai dar certo, só porque você se doa completamente e tem o maior sentimento possível, é fiel e comprometido. Até quando você consegue carregar essa relação só? Não é te tratar de um jeito bom somente, mas é te tratar do jeito que você merece, de forma consciente e madura e isso te deixa bem.

Fique de olho, na maneira como a tratativa do outro te deixa: tem te melhorado ou tem te deixando mal? Fique de olho nas reações e atitudes com as suas conquistas, suas derrotas, seus projetos e suas limitações. É na prática que as pessoas mostram o que sentem por você. As atitudes são sempre muito reveladoras, mas sua carência costuma te deixar cego.

Por fim, não esqueça, que enquanto você der plateia para as pessoas te tratarem mal, você estará permitindo elas te ferir e isso não tem nada a ver com sentimento e sim com sofrimento.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

SE NEM VOCÊ GOSTA DE TODO MUNDO, POR QUE FICAR TENTANDO SER AMADO POR TODOS?

 


Ser agradável e gentil com as pessoas não é um defeito, muito pelo contrário, é uma virtude nobre, que o torna mais educado, mais atraente e até mesmo mais querido pelas pessoas.


Quando se é educado com esse comportamento, a pessoa que o faz sempre ganha: primeiro por ver a alegria do outro que é beneficiado e segundo pela satisfação pessoal quando se faz essa gentileza.


O problema em ser agradável é quando essa atitude deixa de ser espontânea e passa a ser uma obrigação, tornando assim, um comportamento forçado, superficial e gerando desconfiança nas pessoas. E preciso buscar entender, porque a pessoa carrega a necessidade extrema de querer agradar todo mundo, forçando atitudes, despertando constrangimentos e até a repulsa de muitos.


Quando isso não incomoda quem o faz, a pessoa ao contrário de ser gentil, vai ser tornando chata e indelicada. Vai aos poucos abrindo mão de ser quem é de verdade, para viver um personagem que tem a necessidade de agradar a todos, para que todos a agradem e a recebam. O curioso, é que mesmo sabendo que não gosta de alguns, tem a intenção de agradar a todos.


O prejuízo emocional a médio e longo prazo para o sujeito pode ser enorme. O peso que esse comportamento traz, acarreta e ele insegurança, ansiedade, uma pancada na sua autoestima, grande dificuldade em tomar decisões, sem contar que quando for necessário relacionar-se de verdade com alguém, pode não conseguir ou não passar da superficialidade.


É preciso ter claro desde cedo em nosso processo educativo, que nenhum ser humano conseguirá agradar a todos em qualquer tipo de relacionamento e isso não torna ninguém pior ou menos importante. Claro, que algum de nós já fizemos o que não gostaríamos em função de outra pessoa ou até mesmo em função de um grupo ao qual pertencemos. Mas se tornar escravo dessa obrigação e refém desse tipo de comportamento é sinal claro de que se precisa de ajuda.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

É AGREDINDO QUE SE APRENDE A AGREDIR

 

É sendo agredido que se aprende a agredir, afinal só vamos ensinar e dar ao outro, aquilo que fomos aprendendo com as pessoas que convivem conosco. Educar com agressão é perigoso, porque se mistura dois elementos que nunca devem andar juntos: o amor e a violência. Não é só violência física, mas psicológica também.


São estas pessoas, que mesmo sem saber, vão nos educando. Sendo assim, a repetição de um comportamento cruel e perverso, não tem a ver com o conhecimento ou com a posição social ou religiosa que a pessoa ocupa, mas sim, tem a ver com a maneira como ela foi educada.


Portanto, qualquer pessoa, que tenha sido tratada com medo, na base da coação, impelida a fazer algo à força, não é educada jamais para se amar ou respeitar o outro, mas sim, é educada para se defender. Logo, acredita que a melhor maneira para fazer isso é atacando, ou ainda, a melhor maneira de educar o outro, é agredindo-o.


Passa a admirar o agressor, defende facilmente todo tipo de agressão e repete que é assim que se aprende, que é assim que se educa. Admira tanto, que faz igualmente. Violentar de todas as formas é comportamento comum e chama de frágil aquele que pensa diferente.


Virar esse conceito e libertar-se disso pode se levar uma vida inteira. A regra é simples: quem ama não violenta.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

TRÊS PONTOS SOBRE MUDANÇA

 


Podemos resumir aqui, três grandes motivos do porque as pessoas costumam não mudar em seus relacionamentos, hábitos e comportamentos.


O primeiro é um forte apego ao passado como modelo de sucesso. É a ideia de que sempre foi assim e deu certo ou ainda a ideia de que em time que está ganhando não se mexe. Quando se pensa em mudar a partir desta realidade, a pessoa sente-se na obrigação de explicar o porquê desta mudança uma vez que não é muito claro os objetivos que levou a esta decisão. Sim, às vezes mesmo dando certo, podemos mudar para dar mais certo ainda.


O segundo motivo está associado ao medo que a mudança oferece. O desconhecido e a necessidade da aposta são causadores de grande parte da insegurança, ou seja, melhor se agarrar ao que já é conquistado do que correr o risco. Entender as vantagens e os benefícios que a mudança pode trazer não é tarefa fácil e nem todos tem essa capacidade de compreensão. Aqui, mudar não significa que está errado, mas mudar significa possibilidade de crescimento, de amadurecimento e de auto desafiar-se.


O terceiro fator, e talvez seja o mais perigoso é a alienação na qual a pessoa está envolta, que dentre outros fatores, faz com que ela não veja que está errada. Sempre é tempo para mudar quando se está errado; mas o desafio é perceber e aceitar o erro. Ver o erro e aprender com ele é sinal de inteligência e oportunidade de ser tornar uma pessoa melhor.


Admitir o erro nos tira do lugar de inflexibilidade (rígido, cabeça dura); de ingenuidade (acredita que tudo vai mudar, sem que ele mude); de negativismo (desconfia e não acredita nas possibilidades); do julgamento (o outro é sempre o culpado pelo erro) e da necessidade de perfeição (admitir o erro o torna frágil e inferior). Errar é parte fundante do crescimento de cada um.

O erro é a possibilidade que a vida te dá para crescer.

 

Paulo Veras é mestre em educação, psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escritor e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.


O CIÚME E SUAS AMEAÇAS

  O ciúme costuma ser tratado apenas como prova de amor, mas, para a psicanálise, ele revela conflitos muito mais profundos. Sigmund Freud, ...