segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A DIFÍCIL HORA DE SABER PARAR



Antes de tudo, saber parar o que deve ser parado, é saúde mental. Saber a hora de parar, é tão importante quanto saber a hora de começar. Para as duas decisões, estão ligados, além do momento, como isso deve acontecer. Dificuldades assim, geram, inevitavelmente um sofrimento psíquico enorme e todo sofrimento psíquico não tratado, se transforma em doenças no corpo.

Todos nós temos questões a serem resolvidas, sejam elas diárias, sejam elas de um peso maior. Estas últimas, levam um tempo mais denso ou até mesmo uma vida inteira. Não podemos parar o mundo e ele não vai parar. Nós é que precisamos ver que é a hora de parar e para isso é importante pensar que parar não é perda de tempo. Parar, muitas vezes é o momento ideal para gerar forças e seguir em frente, em especial numa sociedade que alimenta e exige o frenesi da correria e da auto afirmação de que tudo esteja bem, numa sociedade onde parar, quase sempre é interpretado como fracasso e perda.

Parar comportamentos e torná-los consciente do quanto eles são prejudicais à nossa saúde psíquica é o grande diferenciador que nos faz entender que o problema não está na situação e sim nas nossas atitudes frente a elas. Parar na hora certa, é a busca da felicidade e vale lembrar que para Sigmund Freud, “a felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”. Muitas vezes essa procura esbarra-se na nossa incapacidade de pensar que parando, o mundo acaba, o sonho desmorona.

A maioria das pessoas que tem um vício, por exemplo, sabem que precisam parar e tem consciência do mal que isso lhes causam. Mas conseguir parar é o seu grande dilema. É interessante lembrarmos, que todos nós sabemos que sempre há uma saída para pararmos com aquilo que nos machuca, porém encontrar esta saída é dificuldade comum. Os pensamentos não ajudam, os medos também não. Porém, na maioria das vezes, sentimo-nos tão vítimas de nossa própria dor, que resistimos a ideia de que algo possa ser mudado, de que podemos parar algo. É sempre a hora ideal para buscarmos a flexibilidade de nossa rigidez, não tocada há anos.

Sentir-se no limite naquele relacionamento, é a dica para pará-lo. Sentir-se esgotado, sem a mesma vitalidade, sentir-se usado, é também um sinal importante para pará-lo. Da mesma forma, o trabalho precisa de atenção para identificarmos se não é a hora de pedir demissão. Tomar uma decisão de parar é mais racional do que ser forçado a tomá-la. Quantas vezes a decisão de parar que devia ser nossa, é feita por terceiros. Já pensou nisso?

Se analisarmos bem, sempre é hora de parar alguma questão que nos aflige. Pode ser uma amizade que só nos suga e não nos oferece nada; pode ser algumas relações sociais alheias às amorosas; alguns objetos velhos que levamos há décadas e nunca nos remete a bons acontecimentos; parar com atitudes que só afastam quem devia estar por perto e atrai quem devia estar longe. Sempre é hora de parar com a procrastinação, com a auto sabotagem e com os medos bobos que sempre atrapalham. Muitas vezes a questão é mais simples: a hora de parar de beber, de parar de falar, de parar de insistir ou a saber a hora de ir embora.

A hora de parar é denunciada ainda que não queiramos. O corpo fica responsável por dizer isso, as atitudes gritam que a hora chegou e claro, o emocional sofre e padece mais. Em muitos casos e em atitudes extremas, o suicídio é a triste saída que muitos encontram para estancar a dor e o sofrimento. Sem dúvidas existem saídas melhores e o segre
do é encontrá-las. Em todo ponto do caminho é ponto de chegada para decidirmos, por nós mesmos, parar. Parar o que está nos fazendo mal, parar com o que está sobrando em nossa vida. Nossa mente sempre pede descanso.

É importante também, compreendermos que muitas vezes, a nossa coragem está exatamente em parar ou nos afastar daquilo que nos causa sofrimento. Quase sempre, perdemos esse momento, seja por orgulho, por baixa autoestima ou até mesmo por teimosia e nesse impasse surge o risco de ficarmos insistindo naquilo que já acabou, que não faz mais parte de nossa história ou que não deve mais fazer. Nada dura para sempre e prender-se ao que já acabou é impedir que o novo chegue.

Não temos que ganhar sempre. Não iremos perder sempre. Não queira não parar nunca. A vida sempre pede uma parada. Ainda que demore, pare! Admita que aquele caminho terminou e começar outro é urgente.



Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

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