Com o tempo vamos conseguindo nos desapegar. É um exercício
quase que diário e que requer uma boa dose de consciência. Quando temos a
grandiosidade de abrir mão, de deixar ir alguns caprichos, entendemos o quanto
nos alivia e o quanto é libertador. Isso serve para discussões, empregos,
amizades, casamentos, objetos, famílias, filhos, vícios entre outros.
É claro que a angustia de conviver com a falta, nos amedronta
e nos impede de arriscar. O apego que temos a alguns comportamentos e/ou
pessoas nos faz, por exemplo, acreditar em algumas ilusões, como o medo da
solidão, o medo de ser verdadeiro, o medo de não ser capaz e sobretudo o medo
de não ter de novo outro objeto de amor.
Porém, independente de nossa vontade, precisamos compreender
que a vida é construída de fases, etapas e ciclos e é importante saber o
momento exato que cada um deles acaba. Forçar que algo continue depois de ter
terminado é uma maneira cruel de prejudicar a nossa saúde mental. São com as
experiências da vida que vamos nos permitindo e criando condições para remover
tudo aquilo que nos torna mais pesado e que atrapalha a nossa ida.
Quando conseguimos nos desapegar, vamos entendo que não
podemos permitir que nos apaguem e muitas vezes, nos apegar pode significar nos
apagar. Vamos compreendo que as relações que não nos ajudam, com certeza nos
atrapalham. Descobrimos que manter um relacionamento que nos mata aos pouco por
medo da solidão, é uma loucura desnecessária. Entendemos que mudar o outro para
que ele se encaixe na nossa fôrma é sofrimento que podemos evitar.
Vamos nos libertando e deixando ir, quem nos puxa para trás
para deixar ficar somente quem quer ir conosco. Isso vai ressignificando as
feridas e amenizando as dores, que insistem em nos lembrar que elas ainda não
foram saradas. Com o tempo vamos deixando de nos atropelar e começando a nos
dar o valor que tanto esperamos que os outros nos dê. Acredite: algumas pessoas
ainda não aprenderam a se amar, não queira portanto, que elas te amem.
Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo,
escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva,
especialista em docência do ensino superior e professor universitário em
Goiânia-GO.
Nenhum comentário:
Postar um comentário