Eu me pego aqui pensando, nos acontecimentos que vivemos e que talvez nunca mais iremos vivenciar. Me refiro a fotos, que são únicos e que geralmente não nos damos conta que eles nunca mais irão ser repetir e por isso mesmo não damos o devido valor. Oportunidades e chances que nos escapam; momentos e emoções que não vivemos; desejos e sonhos que não concretizamos, tudo porque, uma vez na vida, só acontece uma vez.
Me refiro a um tipo de olhar, que sabemos perfeitamente que foi único e que a forma como ele aconteceu, talvez nunca mais aconteça. Sabe um amizade forte e verdadeira que se firmou com o tempo e que por mais que tentamos, raramente encontraremos alguém pra chamarmos de amigo? Amigos pra uma vida inteira. Me refiro a um tipo de abraço, que dependendo da situação em que nos encontramos, ele nunca mais se repetirá.
Consegue imaginar, que há certas ocasiões, que, vão se repetir, mas mesmo se repetindo, não serão com as mesmas intensidades, verticalidade e emoção? A colação de grau, o nascimento do filho, o casamento, o inesperado velório, a viagem, o aniversário, o beijo, a primeira vez, o encontro desencontro, o susto e até mesmo a despedida, o primeiro dia na escola, o primeiro emprego, o primeiro carro, o primeiro tombo na tão sonhada bicicleta, a dor da rejeição, a lagrima doida e solitária...
Uma vez na vida, acontece de tal forma, que nos surpreende ou nos decepciona. Que bom! As poucas certezas que temos na vida, tem a tendência a nos confortar, pois é com elas que quase sempre traçamos o futuro. É uma pena, que raramente em nosso dia a dia, temos a consciência, de que, o que acontece agora, pode ser a única vez em nossa vida. Perdemos muto em não ser intenso, verdadeiro, completo... e o que dói, é saber depois, que, foi só uma vez na vida. O tempo nunca mais volta.
È exatamente porque uma vez na vida, tivemos um grande e verdadeiro amor é que nos propomos a amar novamente. É exatamente porque, uma vez na vida encontramos um grande amigo, que nos propomos a valoriza-lo na intensidade dessa relação. Quando descobrimos que nossos pais, só temos uma vez na vida, é que fazemos o compromisso de ser o filho que eles esperam, na medida que conseguimos ser. Descobrimos, só com o tempo, que o material com que nossos pais são feitos é raro e cada vez mais extinto.
Por outro lado, a certeza de que, as mancadas que fizemos em nossas relações, fazem nos ter força, para nunca mais fazê-las na vida. As decisões que tomamos e muitas vezes de solavanco, nos fazem pensar, que nunca mais na vida, queremos cometê-las. Se analisarmos bem, entenderemos que algumas falas e atitudes que foram feitas, não devem ser repetidas, nenhuma outra vez na vida. Vamos entendendo que crescimento é vital e ser criança, no sentido literal, só é bom uma única vez na vida.
Uma vez na vida, esbarra-se nos medos, certezas e incertezas que fazem a vida acontecer. Viver é descobrir depois, e talvez em um breve espaço de tempo, que vivemos em função do outro e que é também construir aquilo que acontecerá somente uma vez na vida.
Aproveite a vida. Ela só acontece uma vez.
Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO






